Novo ministro da Justiça troca comando da Polícia Federal | Fábio Campana

Novo ministro da Justiça troca comando da Polícia Federal


Anderson Torres recebeu aval do presidente Jair Bolsonaro para mudar o comando da corporação

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, recebeu o aval do presidente Jair Bolsonaro e vai trocar o comando da Polícia Federal. Um “pacote” de mudanças na gestão do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) está sendo elaborado, mas os nomes ainda são mantidos em sigilo.

Anderson Torres tomou posse como ministro da Justiça em cerimônia reservada nesta terça-feira. Ele assumiu o lugar que estava sendo ocupado por André Mendonça, que voltou ao comando da Advocacia Geral da União (AGU). Durante o evento, Bolsonaro afirmou que uma mudança é “natural” e que todas as alterações que o novo ministro fizer serão para adequar a pasta ao objetivo definido:

— E é natural as mudanças. E a gente sabe que você, todas as mudanças que efetuará no seu ministério, é para melhor adequá-lo ao objetivo, ao qual você traçou.

Na última semana, Torres vinha mantendo reuniões com pessoas do seu entorno para elaborar a montagem da equipe. A principal mudança será na direção-geral da Polícia Federal, hoje sob o comando de Rolando de Souza, nome ligado ao diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem.

A troca no comando da PF já era esperada por integrantes da corporação, mas a expectativa é de que ela ocorresse em alguns meses. Agora, a estimativa é de que a troca se efetivará nos próximos dias. O entendimento era de que a permanência de Rolando de Souza só ocorreria por imposição do presidente Bolsonaro ou do grupo ligado a Ramagem.

Internamente, delegados próximos do ministro da Justiça são citados como possíveis nomes para compor a nova gestão da cúpula da PF, como os delegados Alessandro Moretti, que foi adjunto da Secretaria de Segurança Pública do DF na gestão Anderson, o atual superintendente da PF no Distrito Federal Márcio Nunes de Oliveira e o superintendente em Minas Gerais, Cairo Costa Duarte.

O diretor da Abin, Alexandre Ramagem, não é apontado como uma pessoa próxima de Anderson Torres — ambos eram adversários na tentativa de exercer influência sobre a PF. Caso seja nomeado para comandar a PF, Ramagem seria uma escolha pessoal do presidente Jair Bolsonaro, por sua relação próxima com Bolsonaro e os filhos.

Após quase um ano de sua gestão e apesar de ter sido nomeado sob uma aura de desconfiança, o atual diretor-geral Rolando Alexandre tem sido bem avaliado dentro da PF. Ações como a mudança para uma nova sede em Brasília e investimentos em tecnologia para as investigações são citadas como pontos positivos de sua gestão.

Ministro defende ‘ir e vir’
Em seu discurso na cerimônia desta terça, Anderson Torres afirmou que as forças de segurança precisam garantir um “ir e vir sereno e pacífico” e disse que o ministério irá garantir isso.

O discurso está alinhado com o de Bolsonaro, que considera medidas restritivas tomadas por alguns governadores e prefeitos, para diminuir o contágio do coronavírus, uma ameaça ao direito de ir e vir. Nas últimas semanas, Bolsonaro comparou o toque de recolher adotado em alguns estados durante a noite com um estado de sítio.

— Neste momento, a força da segurança pública tem que se fazer presente garantindo a todos um ir e vir sereno e pacífico. Contem com o Ministério da Justiça e Segurança Pública para dar essa tranquilidade — disse Torres.

Também repetindo o discurso de Bolsonaro, o ministro mostrou-se preocupado com os efeitos econômicos das medidas restritivas e disse que sua pasta vai “ajudar a superar” isso, sem explicar como:

— Nós precisamos dar um upgrade nesse momento, nós precisamos trazer de volta a economia desse país, a gente precisa colocar as pessoas para trabalhar, Esse país precisa girar para a gente poder sair dessa pandemia. Tenho muito medo de crises maiores decorrentes de fome, desemprego e outros problemas nesse sentido. Nós vamos ajudar a superar tudo isso

Torres afirmou em seu discurso que dará destaque para a pauta da segurança:

— A segurança pública foi uma das principais bandeiras da sua eleição. E ela voltará a tremular alta e imponente, isso eu posso garantir à Vossa Excelência. Estejam certos disso


Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*