UFPR desrespeita candidatos ao suspender concurso da Polícia Civil | Fábio Campana

UFPR desrespeita candidatos ao suspender concurso da Polícia Civil


A suspensão da prova do concurso público da Polícia Civil do Paraná na madrugada deste domingo (21), horas antes da avaliação, revoltou candidatos que viajaram até Curitiba de outros estados, como Ceará, Piauí e Pernambuco, e também do interior do Paraná.

Eles dizem que vão cobrar na Justiça os prejuízos que tiveram com as despesas de viagem. Mais de 106 mil pessoas estavam inscritas para a prova presencial deste domingo. São 400 vagas para as funções de delegado, investigador e papiloscopista.

Polícia Civil do Paraná avalia adotar medidas legais contra responsáveis por suspensão de concurso público
UFPR troca coordenador do Núcleo de Concursos após suspensão das provas. O comunicado da suspensão foi publicado às 5h42 deste domingo, horas antes de começar a prova do concurso, que ocorreria em 350 locais em Curitiba e 19 em outras cidades do estado.

A justificativa do Núcleo de Concursos da Universidade Federal do Paraná (NC-UFPR), que cancelou unilateralmente a prova, é a de que havia risco à saúde dos participantes.

“Foi horrível, a gente nem acreditou. Falta de respeito com os concurseiros. Estou bem frustrado mesmo”, afirmou o biólogo Diego Lins Dourado, de 29 anos, que viajou mais de 3 mil km de Camaragibe (PE) a Curitiba.

Ele e mais dois amigos que também fariam a prova calculam prejuízo de mais de R$ 2,5 mil para cada. O grupo chegou a Curitiba na quinta-feira (18). Eles viajaram de avião por mais de 10 h, fazendo conexões em Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ) e Porto Alegre (RS).

“A gente não veio para fazer turismo. Nos preparamos para vários concursos e isso acaba atrapalhando nossos estudos”, explica o biólogo, que tenta uma vaga para investigador. Ele diz se preparar para pelo menos outros quatro concursos.

O casal Ulisses e Ana Piauilino viajou mais de 5,5 mil km, saindo de Parnaíba (PI). Eles percorreram 340 km de carro até Teresina (PI), pegaram um voo até Foz do Iguaçu, com escala em São Paulo (SP), e depois encararam mais 670 km de ônibus até Curitiba.

“Praticamente um dia e uma noite de viagem. Sinto muita tristeza e frustração, fomos pegos de surpresa. Um completo absurdo por parte da banca que teve tempo suficiente para se preparar”, indica.
Ele diz ter gasto R$ 5 mil com a viagem. “Prejuízo material e dano moral. Dois anos estudando, abrindo mão de lazer e de momentos com a família”, afirma.

O autônomo Thellisson dos Santos Alves, que mora em Cuiabá (MT), viajou por 32 horas de motocicleta com um amigo até Curitiba. Eles chegaram na noite de sábado e não tinham nem lugar para dormir.


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