BRASIL PRÉ-LATRINA | Fábio Campana

BRASIL PRÉ-LATRINA

Mario Vargas Llosa, no seu artigo “O Cheiro da Pobreza”, disse que ‘o objeto que representa a civilização e o progresso não é o livro ou o telefone. É a privada, a latrina, que deveria ser adotada como ícone da civilização e do progresso, ao invés da Internet. A civilização começou com o esgoto, com o acesso geral às redes de saneamento básico, diz Llosa.
Me junto ao time do Llosa de que ter ou não banheiro, por mais absurdo que pareça, ainda significa um divisor no mundo, uma autentica parede desumana dividindo a dignidade entre mundo e submundo.

Agora, pasmem. Levantamento mostra crescimento de quase 30% na coleta de esgoto dos brasileiros nos últimos anos. Só que 50,2% não tem acesso ao serviço. Nas áreas urbanas, a situação melhora um pouco com 57,6% das residências ligadas ao sistema de coleta. E mesmo tendo acesso à coleta, nem todos têm seus esgotos tratados: só 40,8% do esgoto produzido pelos brasileiros têm tratamento. Mais: nos 10 anos avaliados, a oferta da água potável passou de 86,6% para 83% da população, deixando 17% sem acesso a esse direito básico. Ou seja, estamos na condição de incivilizados, de bárbaros, embora a propaganda oficial repita o contrário o tempo todo e boa parte dos nativos queira acreditar que a civilização chegou por aqui. Ledo engano. Vivemos, literalmente, na merda.


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