À toque de caixa, vereadores tornam educação um serviço essencial | Fábio Campana

À toque de caixa, vereadores tornam educação um serviço essencial


Projeto torna o ensino essencial durante a pandemia e dificulta que as unidades fechem em qualquer situação

Em primeiro turno, à toque de caixa, foi aprovado na Câmara Municipal de Curitiba o projeto de lei que estabelece que a educação é um serviço essencial em Curitiba na votação na Câmara dos Vereadores. Longe de valorizar a atividade de ensino, o Projeto de Lei nº 005.00037/2021 é uma estratégia para impedir o fechamento das unidades escolares em qualquer situação, seja de surto de coronavírus, agravamento da pandemia, falta da água ou greve dos trabalhadores. Ou seja, é um golpe nos professores e no interesse dos alunos. Empresários da área fizeram comemorações.

O projeto foi aprovado por 23 votos favoráveis e 10 contrários e deve ser votado em segundo turno ainda hoje, feriado de terça feira de carnaval.. O objetivo da proposta é claro: a bancada aliada aos empresários que exploram a educação e à Prefeitura que passa a ter um instrumento “legal” para impedir a organização e afetar o direito à greve dos trabalhadores da educação.

Os vereadores querem que as unidades escolares permaneçam abertas a qualquer custo. Mas, os trabalhadores da educação sabem que sem testes, sem vacina e com um protocolo que não garante segurança para ninguém, a vida dos trabalhadores e da comunidade é colocada em risco. Por isso, independente das dificuldades impostas, os trabalhadores e trabalhadoras em conjunto com a comunidade podem sim fechar as unidades em caso de surto do novo coronavírus.

Entre as defesas dos Vereadores, chama a atenção a dos responsáveis pelo Projeto de Lei, Indiara Barbosa (NOVO), afirmou que devemos “tentar” o retorno das aulas presenciais, mesmo com todos os problemas apresentados.

O engraçado é que o Projeto apresentado por ela, por Amália Tortato (NOVO) e por Denian Couto (PODE), não trata do retorno das aulas presenciais, e sim, de dificultar o fechamento das unidades em caso de surto de Covid-19. Ou seja, os vereadores mal entraram no cargo e já querem esconder a verdade da população.

Outro inimigo dos servidores também usou a tribuna para fazer afirmações que não condizem com a realidade. Pier Petruzziello (PTB) chegou a afirmar que há testes. Só que os trabalhadores da educação sabem bem que não foram realizados os testes em massa antes do retorno das aulas. Além disso, as denúncias que vêm de diversos setores da gestão municipal mostram a dificuldade na garantia de testes mesmo para aqueles que tiveram contato com casos positivos nos locais de trabalho.

Ainda na sessão, o vereador Dalton Borba apresentou uma emenda que condicionava o Projeto de Lei à imunização dos trabalhadores da educação, ou seja, ele só seria efetivado se os trabalhadores estivessem vacinados. Como o interesse dos vereadores da bancada de Greca não é assegurar a vida dos trabalhadores, a emenda também não foi aprovada.


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