Em Curitiba, pacientes esperam mais de 4 horas na fila de UPA | Fábio Campana

Em Curitiba, pacientes esperam
mais de 4 horas na fila de UPA

Fila na UPA do Sítio Cercado, ontem: sistema sentiu a sobrecarga nas últimas semanasOs hospitais lotados, com os leitos de UTI SUS para pacientes Covid apresentando taxa de ocupação superior a 90% há semanas (e isso mesmo com a abertura recorrente de novas vagas), são apenas uma das facetas do agravamento da pandemia do novo coronavírus sobre o sistema público de saúde de Curitiba. Nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da Capital, por exemplo, a espera por atendimento para pacientes com suspeita de Covid-19 pode superar quatro horas, com longa fila de pacientes para fora da unidade de saúde aguardando por sua vez.

As UPAs são um dos caminhos que o SUS oferece para quem precisa de atendimento emergencial. Presentes em todas as regionais da cidade e somando um total de 13 estabelecimentos com funcionamento 24 horas, esses espaços costumam realizar cerca de 100 mil atendimentos mensais não só a curitibanos, mas também moradores de municípios vizinhos. As informações são do Bem Paraná.

Recentemente, contudo, a Prefeitura de Curitiba, em face do aumento de novos casos e da demanda por internamento, teve de transformar as UPAs do Boqueirão e da Fazendinha, que tiveram mudanças na rotina de atendimento. A primeira virou uma unidade de leitos clínicos específica de Covid, enquanto a outra passou a funcionar como retaguarda, recebendo pacientes não-covid do Hospital do Idoso e liberando vagas de Covid.

A medida, embora necessária, aumentou a sobrecarga sobre outras unidades de saúde, entre elas a UPA do Sítio Cercado, visitada ontem pela equipe do Bem Paraná. Do lado de fora do local, formou-se uma fila de pessoas contaminados ou com suspeita de contaminação pelo novo coronavírus e, segundo o relato de pacientes, era necessário esperar mais de quatro horas para conseguir atendimento.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a fila para o lado de fora faz parte das medidas para evitar aglomeração nos espaços. Na prática, contudo, o que ocorreu foram aglomerações do lado de fora daí. Já quanto ao tempo de espera, confirmou que pacientes com classificação azul e verde, baixo risco, pode ser que tivessem de esperar por um período mais longo.

Uma das pessoas que aguardava por atendimento na UPA do Sìtio Cercado era Dheimily Paula. Grávida, ela conta que chegou no local, acompanhada do marido, por volta de 14h45. Logo recebeu uma ficha, que deveria completar dando ciência sobre a necessidade de permanecer em isolamento domiciliar pelos próximos dias e indicando ainda o nome de pessoas que residem com ela e também deveriam cumprir o isolamento por 10 dias (se permanecerem assintomáticas). Às autoridades sanitárias, identificou-se como gestante, mas foi orientada a mesmo assim entrar na fila. Até próximo das 19 horas, ainda não havia sido atendida. “Estou grávida, falei com a moça e ela disse que tinha que entrar na fila e esperar. Não tem previsão [para ser atendida], mas a fila é grande”, relata Dheimily.

Já Tatiane Cristina Vieira apresenta desde sábado sintomas de Covid-19 e ontem foi buscar atendimento na UPA, após agravar o quadro de dor no corpo e falta de ar. “Faz mais de 6 horas que estou aqui e não chamam ninguém. Estou na fila, esperando e não me sentindo nada bem. Tem bastante gente esperando.”

Média móvel mostra avanço expressivo no número de mortes

Na última semana, a 38ª desde que o novo coronavírus começou a circular pelo Paraná, Curitiba registrou, pela primeira vez em um mês e meio, redução no número de casos novos de Covid-19. Entre os dias 29 de novembro e 5 de dezembro, foram 1.339,57 diagnósticos da doença, redução de 3,5% na semana anterior, quando média diária de novos casos foi de 1.388,14.

Por outro lado, a média de mortes teve um aumento expressivo no período, saltando de 12,86 para 16 óbitos por dia – um aumento de 24,44%. Trata-se da quarta maior média diária de óbitos por Covid-19 numa única semana desde o início da pandemia, atrás da semana 23 (entre os dias 16 e 22 de agosto), com 16,29; da semana 21 (entre os dias 2 e 8 de agosto), com 18,29; e da semana 19 (entre 19 e 25 de julho), com 17,71.

Isolamento social surte efeito e ‘desafoga’ prontos-socorros

Uma boa notícia, pelo menos, é que os seis prontos-socorros de Curitiba e Região Metropolitana amanheceram ontem com 35% menos movimento do que no mesmo dia da semana anterior. Ao todo, 109 pessoas deram entrada nos prontos-socorros dos hospitais do Trabalhador, Cajuru, Evangélico, Angelina Caron, São José dos Pinhais e Municipal de Araucária. Na semana passada, haviam sido 169 entradas nesses mesmos locais

A queda, conforme a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), é reflexo direto das medidas de isolamento adotadas para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus, que passaram a valer na capital na última sexta-feira. A expectativa é que, com a redução nos atendimentos de trauma, haja uma redução na pressão nos hospitais, sobrando mais vagas de leito para outras linhas de cuidados emergenciais.

“Segunda é sempre dia de lotação nos prontos-socorros devido a traumas que ocorrem nos fins de semana. Com o isolamento social a tendência é ter menos pessoas acidentadas, seja no trânsito ou por outras causas”, fala Pedro de Almeida, diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal da Saúde.
Para os casos de Covid-19, a Secretaria Municipal da Saúde espera uma diminuição nos número de internamentos daqui uns 10 dias, pois a adoção de estratégias de isolamento social surte efeito, em média, de 10 a 14 dias após o início da medida – mesmo período de incubação do vírus.

 


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