Vitória de Biden é cada vez mais irreversível, diz Mourão | Fábio Campana

Vitória de Biden é cada vez mais irreversível, diz Mourão

Hamilton Mourão, à esq., e Jair Bolsonaro durante cerimônia em Brasília O vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão (PRTB), disse nesta sexta (13), em entrevista à Rádio Gaúcha, que a vitória de Joe Biden nas eleições americanas está “cada vez mais sendo irreversível”.

A posição do vice, assim, é diferente daquela adotada pelo presidente Jair Bolsonaro, que mesmo após seis dias ainda não reconheceu a vitória do democrata nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.

“Como indivíduo, julgo que a vitória do Joe Biden está cada vez mais sendo irreversível”, afirmou Mourão.

O democrata foi declarado vencedor na disputa contra Donald Trump no último sábado (7), após projeções da imprensa americana indicarem que ele atingiu os votos necessários para ser eleito no Colégio Eleitoral —o sistema indireto que define a Presidência nos EUA. As informações são da Folha.

Desde então, Biden já recebeu o cumprimento de uma série de líderes mundiais, entre os quais aliados de Trump, como os premiês de Reino Unido (Boris Johnson) e Israel (Binyamin Netanyahu). O republicano, porém, ainda não reconheceu o resultado e tenta reverter o resultado na Justiça.

Por isso, Bolsonaro, que desde o início de seu governo desenhou um alinhamento total com Trump, evita se pronunciar sobre o assunto. Na noite de quinta-feira (12), de forma irônica, o presidente perguntou a uma apoiadora se as eleições americanas já haviam terminado.

Na entrevista desta sexta, Mourão ressaltou, no entanto, que sua opinião sobre o caso era uma posição pessoal e que o reconhecimento do novo presidente dos EUA é responsabilidade de Bolsonaro.

“Como indivíduo, eu reconheço [os números da apuração da eleição americana], mas temos que olhar que eu não respondo pelo governo”, disse. Depois, o vice-presidente novamente afirmou que a ação de reconhecimento caberia a Bolsonaro e que isso “brevemente vai acontecer”.

Mourão também comentou as condições atuais do Exército brasileiro, assunto que ganhou destaque após Bolsonaro declarar na última terça (10) que o Brasil “tem que ter pólvora” para fazer frente a candidato a chefe de Estado que quiser impor sanções devido às queimadas da Amazônia.

A fala foi entendida como um recado a Biden, que durante a campanha afirmou que poderia punir o país por causa da destruição da floresta. Devido à declaração de Bolsonaro, o poderio bélico do Exército brasileiro virou motivo de questionamentos e alvo de memes nas redes sociais.

Na entrevista à Rádio Gaúcha, ele afirmou que, caso Washington decida entrar em confronto com o Brasil, terá que enfrentar “um cara que pelo menos tem um canivete” e que as Forças Armadas brasileiras nunca iniciam conflitos. A estratégia de defesa nacional, diz ele, se dá pela “presença” e pela “dissuasão”.

“O mais forte, por exemplo, se quiser vir ao Brasil, vai brigar com um cara que pelo menos tem um canivete, que pode ferir ele na barriga, e ele sangrar e morrer”, afirmou. O vice-presidente, por outro lado, afirmou que Brasil e EUA têm uma relação secular e que não há tensão entre as duas nações.

Mourão também voltou a comentar a proposta de expropriação de terras quando há registros de crimes ambientais. A proposta consta em apresentação e documentos elaborados pelo Conselho Nacional da Amazônia Legal —o qual preside— e encaminhado a ministérios.

Após o presidente ter falado que se tratava de um “delírio” e ameaçar com “cartão vermelho” os defensores da proposta, com exceção de quem for “indemissível”, Mourão disse que não conversou com Bolsonaro sobre o assunto, mas que concorda em fazer o que o chefe do Executivo desejar.

Ao comentar as polêmicas recentes envolvendo o presidente, entre as quais a fala sobre usar “pólvora” quando a “saliva” (diplomacia) já não for suficiente, Mourão diz que “a gente tem que prestar a atenção mais nas ações [do presidente] do que nas palavras”. Em seguida, usou uma analogia militar: “Paraquedista quando sai do avião, ele não volta mais”.


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