PF realiza maior operação do ano contra tráfico internacional | Fábio Campana

PF realiza maior operação do ano contra tráfico internacional

A Polícia Federal (PF) cumpriu mais de 200 mandados de prisão,  busca e apreensão nesta manhã de segunda-feira, 23 de novembro, na maior operação do ano contra o tráfico internacioal de drogas e lavagem de dinheiro.  Bens avaliados em R$ 400 milhões foram sequestrados pela Justiça. Um destes bens, é uma aeronave que era utilizada pela quadrilha e foi avaliada em 20 milhões de dólares.

Até o final desta manhã, 29 pessoas tinham sido presas, segundo a PF, grande parte delas em Matinhos e em Paranaguá, no litoral paranaense. Um balanço final da operação deve ser divulgado nesta terça-feira (24). Também tinham sido apreendidos duas aeronaves, armas de fogo, dinheiro e 200 quilos de cocaína.

Ao todo, 37 aeronaves foram apreendidas. Além disso, R$ 400 milhões em bens dos investigados foram sequestrados por determinação da Justiça. As informações são do Bem Paraná.

Ao todo, 217 mandados judiciais foram expedidos pela 14ª Vara Federal de Curitiba para serem cumpridos em cidades do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco. Desse total, 66 são de prisão e 151 de busca e apreensão.

Segundo a Receita Federal, oito mandados também estão sendo cumpridos na Espanha, Colômbia, Portugal e Emirados Árabes Unidos.

A operação Enterprise é considerada a maior do ano no combate à lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e uma das maiores da história na apreensão de cocaína nos portos brasileiros, de acordo com a PF. Um novo recorde, no valor de R$ 1 bilhão, segundo a PF, foi alcançado em relação ao sequestro de bens em investigações da PF sobre tráfico de drogas na história da corporação.

Segundo a corporação, desde o início das investigações, que duraram dois anos, 50 toneladas de cocaína foram apreendidas.

Ao todo, 670 policiais federais e mais 30 servidores da Receita Federal participam da ação.

Investigação

As investigações iniciaram a partir de uma apreensão realizada em setembro de 2017 por servidores da Receita Federal, que impediram o embarque de 776 quilos de cocaína que estavam sendo exportados pelo Porto de Paranaguá (PR), com destino ao Porto de Antuérpia, na Bélgica. Com as informações levantadas pela Receita Federal, a Polícia Federal instaurou um inquérito policial e os dois órgãos públicos atuaram em conjunto nas investigações que descortinaram uma vasta organização criminosa, que atuava na exportação de entorpecentes a partir de portos brasileiros para variados destinos no exterior, com predominância para a Europa.

Durante o período investigativo, foram apreendidas perto de 50 toneladas de cocaína ligadas à quadrilha, no Brasil e no exterior. A maior parte das apreensões ocorreu em área portuária, mas houve quantidade significativa de ações em depósitos, estradas, aeronaves e até em embarcações de menor porte, em alto mar.

A organização criminosa atuava também na lavagem de dinheiro, tentando dar aparência legal ao capital ilícito proveniente dos crimes praticados. Para isso, criavam e utilizavam contas de pessoas físicas e jurídicas fictícias sem capacidade financeira, conhecidas popularmente como “laranjas”, para adquirir grande quantidade de bens móveis e imóveis, tais como aeronaves, carros de luxo, apartamentos e fazendas.

A Receita Federal atuou em conjunto desde o início da investigação, tanto na identificação de cargas suspeitas e apreensões de carregamentos de drogas nos portos, através de seus servidores aduaneiros, quanto na identificação de patrimônio oculto dos investigados e origem dos recursos financeiros ilícitos para a aquisição desses bens patrimoniais, através dos servidores da área de pesquisa e investigação e tributos internos.

Além das investigações no Brasil, a interlocução da Receita Federal com as administrações tributárias estrangeiras foi fundamental para o rastreio das cargas ilegais e identificação dos integrantes da quadrilha. A troca de informações, aliada ao gerenciamento de risco e a utilização de cães de faro e escâneres, possibilitou à Receita Federal bater recordes históricos na apreensão de drogas nos últimos anos. Em 2019, foram apreendidas 58 toneladas de cocaína, o que equivale a 40% do total apreendido na última década.

Participam, pela Receita Federal, 24 Auditores Fiscais e Analistas Tributários que, desde a madrugada, atuam na execução de mandados de busca e apreensão, expedidos pelo juízo da 14ª Vara Federal de Curitiba, em cidades dos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Norte.


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