Com incertezas, EUA encerram campanha incomum e hostil | Fábio Campana

Com incertezas, EUA encerram campanha incomum e hostil

El País

Os Estados Unidos, que há quatro anos descobriram uma imagem inesperada de si mesmos, chegam trêmulos ao seu novo encontro com as urnas. Termina nesta segunda-feira uma campanha presidencial incomum, por causa da pandemia, mas sobretudo marcada pela hostilidade política dos últimos quatro anos. Nas ruas, é palpável o temor dos cidadãos, que reforçaram a segurança com medo da violência; nos gabinetes e corredores do poder, nota-se o receio em relação às pesquisas. As mais recentes insistem em que o democrata Joe Biden ganhará e expulsará Donald Trump da Casa Branca. Este, por sua vez, agita o fantasma da fraude.

Um dos traços distintivos dos Estados Unidos é que a residência oficial e quartel-general do Governo se encontra no centro da capital, sem árvores que a tampem e visível desde quase qualquer ângulo, criando uma falsa sensação de proximidade e acessibilidade a qualquer cidadão que passe por lá, em meio ao mar de burocratas, turistas e manifestantes que inunda as ruas. Desde os distúrbios de meados deste ano, entretanto, o acesso de pedestres tem sido interrompido com frequência cada vez maior, e agora uma robusta cerca erguida a dois quarteirões de distância marca um amplo perímetro de segurança. Em frente a esse muro, centenas de cartazes pedindo penas de prisão para o presidente e exigindo justiça para os negros mortos por tiros da polícia servem de testemunho da onda de protestos que passou.

Neste domingo, um dos ativistas que habitualmente velam por esse mural improvisado – para que os grupos trumpistas não arranquem nada― se envolveu numa acalorada discussão com um eleitor republicano. “Você está aqui homenageando as fotos de criminosos [em referência aos norte-americanos abatidos por policiais], criando ódio e fazendo mal aos Estados Unidos, você não quer o bem para os Estados Unidos”, recrimina o seguidor de Trump. “Você é quem homenageia criminosos, você quer votar em um, se não acha tão ruim votar num criminoso é porque talvez você também seja um”, responde o ativista.


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