Gazeta do Povo justifica permanência de Constantino | Fábio Campana

Gazeta do Povo justifica
permanência de Constantino

Rodrigo Constantino é demitido pela Record após fala sobre caso Mari Ferrer  - Metro 1Em nota, o jornal Gazeta do Povo justificou a permanência de Rodrigo Constantino no quadro de colunistas após tomar explícito partido em defesa do estuprador no caso Mariana Ferrer.

Ana Amélia, diretora do jornal e quem assina a nota, disse se tratar de liberdade de expressão, apesar de ponderar os limites e responsabilidade de seu uso. Também ressaltou o “compromisso com a dignidade da pessoa humana, com a dignidade de cada indivíduo”.

Para ela, “Ainda que não concordemos com a forma de muitos dos seus posicionamentos e com muitas das suas opiniões, continuamos acreditando na importância da diversidade de ideias e na importância do diálogo”.

O entusiasta liberal exemplificou como seria a sua abordagem se o caso tivesse ocorrido com a sua filha: “Fui em uma festinha, eu e três amigas, tinham 18 homens, bebemos muito e eu estava ficando com dois caras, e eu acabei dormindo lá e eu fui abusada. Ela vai ficar de castigo feio e eu não vou denunciar um cara desses pra polícia, eu vou dar esporro na minha filha”.

Leia a nota da Gazeta do Povo no Leia mais.

Caros Leitores,

Em relação à recente polêmica envolvendo Rodrigo Constantino, colunista da Gazeta do Povo, e aos vários pedidos acerca da posição do jornal sobre o tema, cumpre-nos, de início, reafirmar aqui o nosso compromisso com a liberdade de expressão, mas também e antes disso, como premissa, o nosso compromisso com a dignidade da pessoa humana, com a dignidade de cada indivíduo. Todos que nos acompanham conhecem nossos valores e nossas convicções, dentre os quais destacamos: a defesa do estado democrático de direito, a defesa da vida, a valorização da família, a valorização da mulher, a crença no protagonismo dos indivíduos e na capacidade de desenvolvimento das pessoas e da sociedade.

A liberdade de expressão é, sem dúvida, algo fundamental, mas nem por isso pode ser utilizada de forma irresponsável e sem limites. Em razão disso, portanto, jamais poderíamos admitir ou dar voz a discursos que, consciente e intencionalmente, agredissem aqueles valores e crenças acima mencionados. Jamais poderíamos tolerar, por consequência, um discurso que defendesse condutas absolutamente inadmissíveis, tais como o estupro, a discriminação ou qualquer outra aberração que atentasse contra a dignidade de toda e qualquer pessoa.

Pois bem, nesta quinta-feira, 05 de novembro, em coluna publicada nesta Gazeta do Povo, Rodrigo Constantino explica de forma mais clara e objetiva o que quis e o que não quis dizer. Isso não nos impede de considerar que suas manifestações iniciais foram inoportunas e infelizes, intempestivas e formuladas com imprecisão, dando margem a dúvidas que precisaram ser esclarecidas. É compreensível, portanto, parte do desconforto e constrangimento que despertou em muitas pessoas.

Na sua coluna desta quinta, no entanto, disse que jamais teve a intenção de analisar qualquer situação em concreto e reforçou a necessidade de que o caso de Mariana seja apurado e que, assim, faça-se justiça. Disse, inclusive, que acha brandas as penas do crime de estupro em nosso país.

Em seguida, Constantino reforçou o seu entendimento de que “não é não”. Nas palavras dele: “Também reforço aqui que não vejo nenhum espaço para a relativização do não. Não é não, sempre. Diante de qualquer sinalização para a interrupção de um determinado comportamento (inclusive um simples flerte), seja ele qual for, a vontade manifestada pela mulher deve ser imediatamente respeitada, sem qualquer margem para a discussão. Repito: não é não, sempre”.

Adiante, explicou que a reflexão que desejava provocar estaria centrada apenas em se separar casos de estupro daqueles em que houvesse consentimento. Por fim e muito importante, admitiu que talvez não tenha explicado da forma mais adequada a sua visão sobre o conceito de feministas e, admitindo que possa ter magoado muitas mulheres, pediu desculpas pelas fortes palavras utilizadas.

Como sempre procuramos destacar e lembrar, as opiniões de nossos colunistas não necessariamente representam as nossas opiniões, e desde que respeitados os limites anteriormente mencionados, acreditamos na Gazeta do Povo como um espaço de debate construtivo e sim, também, de divergência de ideias. Estimulamos a pluralidade de pensamentos e ainda que nem sempre compartilhemos deles, acreditamos que, em uma sociedade verdadeiramente democrática, um espaço para a conversa civilizada é absolutamente indispensável.

Constantino, na coluna publicada ontem, procurou novamente explicar a sua intenção, apontou suas próprias falhas e pediu desculpas. Apesar de sabermos e de respeitarmos entendimentos diversos, não nos parece que, ante as explicações e os pontos por ele abordados, estejamos, necessariamente, diante de uma afronta aos limites razoáveis da liberdade de expressão. Ainda que não concordemos com a forma de muitos dos seus posicionamentos e com muitas das suas opiniões, continuamos acreditando na importância da diversidade de ideias e na importância do diálogo para a construção de uma sociedade melhor e de uma democracia cada vez mais madura, razão pela qual, após várias ponderações e análises, decidimos pela manutenção de Rodrigo Constantino em nosso quadro de colunistas.

Ana Amélia Cunha Pereira Filizola

Diretora da Unidade de Jornais do GRPCOM


9 comentários

  1. Silvana Ramos
    sexta-feira, 6 de novembro de 2020 – 17:38 hs

    Que tipo de mulher é essa Ana Amélia? Colocou o pingo de respeito por conta do pai dela na lata do lixo. E não digam que isso é coisa do irmão “casto” pseudo-religioso maligno que não é.

  2. Mauro Jorge
    sexta-feira, 6 de novembro de 2020 – 19:13 hs

    Nem papel mais essa porcaria tem, pra por pro meu cachorro. Virou um verdadeiro lixão de letras digitais esse jornaleco.

  3. Edson Luiz
    sexta-feira, 6 de novembro de 2020 – 19:31 hs

    Eu fico impressionado é de saber que alguém ainda dá importância a esse tal blog de extrema direita que se julga jornal!

  4. Ida Regina
    sexta-feira, 6 de novembro de 2020 – 23:03 hs

    Rodrigo Constantino pais cuidam educam e protegem os seus filhos. Você um homem tão estudioso, inteligente, pode fazer melhor na sua função de pai.

  5. Ras Tafari
    sábado, 7 de novembro de 2020 – 10:18 hs

    Uau corajosa a atitude desta gazeta, mas com o público “jovem” que ela tem é perfeitamente aceitável, os mais novos não tem menos de 60 anos, gente que não pensa muito diferente do que o colunista liberal hoje em desgraça.

  6. Palpiteiro
    sábado, 7 de novembro de 2020 – 12:01 hs

    Não concordo com o que ele disse. Mas, se formos calar todos com quem não concordamos, logo estaremos mandando os hereges para os campos de prisioneiros e fazendo passo de ganso e saudando o líder com os braços erguidos.

  7. Maria de Curitiba
    domingo, 8 de novembro de 2020 – 10:02 hs

    Mulheres! Por favor não bebam! Caso o façam e vocês “ficarem mal” serão “culposamente estupradas”. Inconcebível a diretora da Gazeta do Povo ser complacente com a opinião hedionda do colunista Rodrigo Constantino.

  8. Maria de Curitiba
    domingo, 8 de novembro de 2020 – 10:03 hs

    Mulheres! Por favor não bebam! Caso o façam e vocês “ficarem mal” serão “culposamente estupradas”. Inconcebível a diretora da Gazeta do Povo ser complacente com a opinião hedionda do colunista Rodrigo Constantino.

  9. Silvana Ramos
    segunda-feira, 9 de novembro de 2020 – 11:19 hs

    A tal da Ana Amélia perdeu qualquer pingo de honra???? Que vergonha!!! Que vergonha!!!! Fiz até meu sobrinho parar de anunciar nesse jornaleco.

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*