A ciência nos resgata novamente | Fábio Campana

A ciência nos resgata novamente

Atila Iamarino

Em meio a uma segunda onda de Covid desmoralizadora, os testes de vacinas trouxeram ótimas notícias.

A primeira iniciativa a anunciar resultados, da BioNTech com a Pfizer, obteve 90% de eficácia com sua candidata. A segunda, da Moderna, chegou a quase 95%.

Os resultados foram avaliados por comitês externos e carecem de confirmação. Já comentei que a vacina da gripe costuma ter uma eficácia de 40% a 60%. Eficácias tão altas são surpreendentes. E uma tendência muito animadora se revela.

Os testes clínicos em fase de teste de eficácia foram desenhados para dar resultados o mais cedo possível. Quanto mais eficaz a vacina for, mais cedo essa diferença aparecerá.

Em comum, as duas vacinas que deram resultados tão cedo e tão impressionantes têm uma técnica bastante nova: são vacinas de RNA.

O RNA é uma molécula que imita o caminho natural de muitos vírus como o Sars-CoV-2. Uma vez dentro da célula, ordena a produção de proteínas.

No caso de uma infecção, essas proteínas controlam de vez a célula e geram milhares de vírus novos.

Em uma vacina, só uma parte inofensiva do vírus é produzida, um retrato falado do que reconhecer e como inativar os vírus reais antes que o pior aconteça. Esse tipo de estratégia foi teorizado por muito tempo, mas nunca havia sido testado em humanos até 2020.

A eficácia ainda pode cair. Mas números tão altos indicam que, mesmo se parte dos vacinados contrair o vírus, ainda terão menos chances de transmiti-lo e de desenvolver sintomas mais graves.

É algo a ser levado em conta, já que o RNA é uma molécula muito instável, que demanda condições de transporte com refrigeração caras no caso da Moderna ou beirando o impossível para países mais pobres e quentes, no caso da Pfizer. Mas, se o segredo do sucesso delas está no RNA, investir nessa cadeia de produção e transporte pode valer muito.

O genoma do coronavírus Sars-CoV-2 já estava disponível em 10 de janeiro. Em menos de uma semana um protótipo de vacina de RNA contra ele já estava sendo sintetizado pela BioNTech, na Alemanha, e já entrava em testes pela Moderna, nos EUA.

O adianto foi essencial, já que essa é uma tecnologia que precisava se mostrar segura. Os testes de segurança começaram em março nos dois continentes e avançaram bem até maio.

Como o RNA é uma molécula relativamente simples e rápida de se produzir em laboratório, as duas companhias puderam começar com mais de uma molécula antes de escolher suas melhores candidatas. Em julho entraram nessa última etapa de testes, a de eficácia.

Foi por meio da pesquisa básica financiada com verba pública e investimento privado que puderam avançar tão rapidamente. E graças à pesquisa básica feita em surtos anteriores, como a Sars, já sabíamos quais deveriam ser os melhores alvos para uma vacina.

Se esses resultados se confirmarem, um método tão prático pode trazer soluções muito rápidas para as próximas pandemias.

Em menos de um ano devemos sair da descoberta de um novo vírus para uma vacina eficaz. Esse avanço representa um marco, e a infraestrutura de distribuição que prepararmos continuará dando suporte.

Quanto à Covid, esse desenvolvimento todo não quer dizer que estamos livres para voltar para a rua e lamber o proverbial corrimão. Pelo contrário. Temos ainda mais incentivo para passar por essa pandemia com o menor número de infectados possível, para que todos possam ser vacinados.


Um comentário

  1. quinta-feira, 19 de novembro de 2020 – 10:17 hs

    Eu Sempre Digo..Viva a Medicina,,Ela Sim Salva Vidas,,,Deus Ilumina as Mentes dos Médicos e Cientistas,,Para Que Eles Descubram Fórmulas Que Ajudam a Sobrevivencia da Humanidade,,,,,,,,,

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