Tecpar estima que vacina chega no 2º semestre de 2021 | Fábio Campana

Tecpar estima que vacina chega
no 2º semestre de 2021

Os testes da vacina Sputnik no Paraná poderão começar dentro de 45 dias, segundo afirmação do presidente do Tecpar, Jorge Augusto Callado Afonso, em entrevista nesta manhã de sexta-feira, 4 de setembro. No entanto, uma produção em massa não deve ocorrer antes do segundo semestre de 2021. “Neste primeiro momento, os testes serão no Paraná. Mas importante que se ressalte que esse não é um projeto para o Paraná, mas para ao Brasil”, disse Afonso.

Afonso explicou que o tempo para o início dos testes da vacina, que seria a fase 3, é necessário para obter o registro do imunizante à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O pedido do governo do Estado deve ser encaminhado dentro de 10 dias. “As primeiras vacinas para o estudo deverão chegar assim que a Anvisa e a Comissão de Ética em Pesquisa autorize o início da fase 3 no Brasil. Saindo o resultado da Anvisa, já vamos solicitar o envio das doses para os testes da fase 3 no Brasil. Como a previsão é de 45 dias, aproximadamente, essa é a nossa previsão inicial”, disse.

As informações sobre o andamento da parceria do Paraná com o governo Russo para a transferência de tecnologia foram detalhadas após publicação da revista The Lancet, uma das mais importantes do mundo na área científica. A matéria reporta que em estudos preliminares a vacina russa contra a Covi-19 não teve efeitos adversos e induziu a uma resposta imune.  Afonso ressaltou que está reservado, já no orçamento do Estado, o valor de R$ 100 milhões e mais R$ 100 milhões destinados pela Assembleia Legislativa.

Chamada de “Sputnik V”, a imunização foi registrada no mês passado na Rússia, mas a falta de estudos publicados sobre os testes gerou desconfiança entre a comunidade internacional. Por isso, os resultados são recebidos como bastante positivos pelo Tecpar. “Com essa pesquisa internacional [publicada na Lancet], só reforça o que havíamos notado anteriormente. Os testes da vacina russa na fase 2, fase 3, são importantes para dar consistência a essa comprovação”, explicou Afonso.

Ele explicou ainda que, sendo positivos os resultados quanto à segurança e eficácia da vacina é necessário o registro da vacina no Brasil. “Iremos buscar junto a Anvisa esse registro, mas para isso precisamos de todas as pesquisas, todos os documentos em mãos”, detalhou.

O diretor do Tecpar ressaltou ainda que a transferência de tecnologia é fundamental para a continuidade do projeto no Paraná.  “A transferência de tecnologia tem várias fases, então existe um cronograma de transferência de fases e cada fase tem sua peculiaridade, as equipes tem de estar preparadas para receber a transferência, colocar em prática”, disse.

Sendo aprovada pela Anvisa, a estimativa é de que a produção comece apenas no ano que vem, para disponibilização a partir do segundo semestre de 2021. “Temos de fazer adequações na planta de produção e para atingir toda a demanda do Brasil, um país continental, consórcio com outras fabricantes não está descartado”, ressaltou Afonso. “Mas vai depender muito da demanda.”

O diretor do Tecpar afirmou ainda que o início das tratativas com a Rússia de forma antecipada garante que parte da produção russa seja reservada para ser utilizada no Brasil, especificamente no Paraná. “Embora tenha essa projeção de mercado interno, não podemos expandir nada sobre como ocorrerão essas questões no mercado interno sem ter os devidos registros. Mas essa pareceria já nos coloca em posição interessante referente à prioridade de receber essas doses russas”, afirmou.

Sobre as reações adversas, Afonso ressaltou que foram mínimas e o potencial de imunização, bastante satisfatório. De acordo com os resultados publicados, referentes às fases 1 e 2, não houve efeitos adversos até 42 dias depois da imunização dos participantes, e todos desenvolveram anticorpos para o novo coronavírus (Sars-CoV-2) dentro de 21 dias.

A vacina russa foi testada em 76 pessoas. Todas receberam uma forma da vacina, sem grupo de controle. Os resultados sugerem que a vacina produz uma resposta das células T, um tipo de célula de defesa do corpo, dentro de 28 dias. As células T têm, entre outras funções, destruir células infectadas por um vírus. Os cientistas do Gamaleya afirmaram que as respostas de células T vistas com a vacina indicam não só uma resposta imune forte, mas de longo prazo.


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