OAB critica Lava Jato e promete ação contra 'criminalização da advocacia' | Fábio Campana

OAB critica Lava Jato e promete ação contra ‘criminalização da advocacia’

Delatado, presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, diz ser alvo de retaliação  - Brasil 247

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) reagiu à operação deflagrada nesta quarta-feira, 9, pela força-tarefa da Lava Jato no Rio contra escritórios de advocacia investigados por suposta operacionalização de desvios de recursos do Sistema S fluminense (Sesc-RJ, Senac-RJ e Fecomércio-RJ).

Por meio da Comissão Nacional de Defesa das Prerrogativas e Valorização da Advocacia e da Procuradoria Nacional de Defesa das Prerrogativas, a entidade classificou a ação como ‘clara iniciativa de criminalização da advocacia brasileira’ e informou que tomará medidas administrativas e judiciais.

“Ao tempo que ansiamos por um Brasil limpo e de combate à corrupção, não apartaremos do devido processo legal, tampouco de seus valiosos instrumentos, dentre eles, as prerrogativas da advocacia”, diz um trecho da nota divulga à imprensa. As informações são do Estadão.

A manifestação também alerta que o desrespeito à advocacia livre fere princípios da própria democracia. “As prerrogativas da advocacia e persecução penal são elementos jurídicos harmônicos e absolutamente conciliáveis. O processo de criminalização da advocacia, que desrespeita as prerrogativas, é ditatorial e atenta contra o Estado de Direito e à Democracia. Não há estado democrático sem uma advocacia livre”, afirma a Ordem dos Advogados do Brasil.

O presidente da entidade, Felipe Santa Cruz, também se manifestou nas redes sociais. Em sua conta no Twitter, classificou a operação como uma tentativa de intimidação e chamou o ex-presidente da Fecomércio do Rio, Otávio Diniz, que delatou o suposto esquema, de ‘criminoso’.

“Quase todos os advogados importantes do meu estado participaram de uma organização criminosa? Criminoso é o delator, não os advogados! Pensam que vão nos intimidar. Não nos conhecem”, escreveu Santa Cruz.

Advogados renomados no meio político foram alvos da Operação E$quema S, deflagrada pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e Receita para investigar suposta estrutura irregular de pagamentos milionários a escritórios de advocacia e possíveis desvios das seções fluminenses do Serviço Social do Comércio (Sesc RJ), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac RJ) e Federação do Comércio (Fecomércio RJ).

A ação mira profissionais com currículos relevantes, sobretudo em Brasília, e que carregam no sobrenome suas maiores credenciais, a exemplo de filhos de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal de Contas da União (TCU).

Os agentes cumpriram 51 mandados de busca e apreensão. Endereços ligados a Frederick Wassef, ex-advogado da família Bolsonaro, Cristiano Zanin, defensor do ex-presidente Lula, Ana Tereza Basilio, que representa judicialmente o governador afastado do Rio Wilson Witzel, e da procuradora de Justiça de São Paulo Luiza Nagib Eluf, foram vasculhados.


5 comentários

  1. quinta-feira, 10 de setembro de 2020 – 11:24 hs

    Quem não deve não teme… A policia achou algo inusitado… E agora?…

  2. Palpiteiro
    quinta-feira, 10 de setembro de 2020 – 11:30 hs

    Um dos motivos que esta levando à desmoralização da operação é o desrespeito aos preceitos legais e constitucionais, o atropelo das normas processuais e do devido processo legal e a arrogância dos seus integrantes. Vale tudo pela propaganda, pelo furor midiático, pela pirotecnia e pelo jornal nacional. Entrou numa fase camicase que trará um desfecho vexaminoso nos tribunais superiores.

  3. Paulão
    quinta-feira, 10 de setembro de 2020 – 11:40 hs

    A OAB é uma máfia onde só tem advogados santinhos, e um corporativismo é tremendo- ninguém deda ninguém!!

  4. Rogério
    quinta-feira, 10 de setembro de 2020 – 13:14 hs

    Os canalhas estão dando a mesma desculpa do políticos corruptos, larápios, calhordas, de que estão criminalizando a política, a advocacia, estão querendo é se blindar pra continuar roubando a nação, pois não querem nem identificar pagamentos de criminosos que saquearam os cofres públicos.

  5. NÃO VOTE EM QUEM JÁ FOI
    quinta-feira, 10 de setembro de 2020 – 22:48 hs

    Roubar em nome da justiça, pode? As provas contra esta quadrilha de advogados que assaltou o sistema S é robusta. Claro que vão dizer que é tudo mentira, ilação e palavras de um delator que quer abrandar a sua pena. Este discurso é velho e conhecido.

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