A folha corrida do "véio da Havan" tem até processo no caso Banestado | Fábio Campana

A folha corrida do “véio da Havan” tem até processo no caso Banestado

A revista Piauí entregou a ficha corrida de Luciano Hang, dono da rede Havan, circense empresário que se veste de verde-amarelo e bajula o presidente Bolsonaro com entusiasmo de tiete. O homem não é fraco. Sua história inclui o vínculo a um processo que se tornou conhecido como Caso Banestado, esquema de lavagem e transferência de dinheiro para paraísos fiscais.

Entre processos movidos pelo Ministério Público e Receita Federal e condenações pela Justiça por sonegação e falsificação de documentos, a Havan foi cresceu muito nos últimos 30 anos. As duas lojas de Brusque e Curitiba se transformaram em rede de 150 em quase todos os estados brasileiros. O esperto Hang é agora a 10.ª maior fortuna entre os brasileiros, estimada em mais de R$ 20 bilhões segundo a Revista Forbes.

Luciano Hang, ou o “véio da Havan” como o chamam os desafetos, começou a vida como operário de uma indústria têxtil de Brusque (SC), sua terra natal. Virou gerente e milagrosamente fundou seu próprio comércio dando-lhe o nome de Havan – união das iniciais do sobrenome Hang com o prenome do sócio Vanderlei Limas, com quem rompeu após denunciá-lo à polícia de desviar mercadorias. Daí para se envolver no caso Banestado foi um pulo. Essa denúncia contra o sócio nunca foi comprovada, segundo a biografia publicada pela revista Piauí e reproduzida na íntegra pela Folha de S. Paulo.

A carreira empresarial do excêntrico Luciano Hang – só – tem uma passagem pouco conhecida e que o vincula a um processo que se tornou conhecido como Caso Banestado – um mega esquema de lavagem e transferência de dinheiro para paraísos fiscais. A piauí conta essa história numa reportagem intitulada O Patriota e assinada pelo jornalista Roberto Kaz:

havan

Em 2007, Hang voltou a ser condenado por sonegação, desta vez com pena de dois anos e seis meses em regime aberto, por ter usado seu primo, Nilton Hang, hoje sócio da Havan, para fazer remessas ilegais ao exterior.

O esquema era assim: Nilton depositava nas contas de dois laranjas – Marcos Irineu de Souza e Valdete Pereira dos Santos – que, por sua vez, remetiam os valores para contas no Paraguai. Em dois dias de 1997, por exemplo, depositou para os laranjas cheques que variavam de 31 mil a 50 mil reais (nessa época, ele tinha um salário de 1,5 mil reais mensais).

“Todos os cheques emitidos por ele foram preenchidos à máquina de escrever, prática inusual na movimentação da conta corrente de pessoa física”, dizia a acusação do MP. O caso ficou sete anos no Superior Tribunal de Justiça (STJ), até que prescreveu em 2015.

Em 2008, Hang teve uma terceira condenação, bem mais pesada: foi sentenciado a treze anos e nove meses de prisão por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Nesse caso, usava uma agência do antigo Banestado, o banco estadual do Paraná, para enviar dinheiro não declarado ao Uruguai, de onde os valores eram repassados para contas-fantasma nos Estados Unidos.

O processo subiu para a segunda instância, onde a pena foi reduzida para dez anos e dez meses. Depois disso, ficou mais cinco anos no STJ, até prescrever, em 2016. Assim como num processo anterior, de sonegação, Hang não precisou cumprir a pena a que fora condenado.

Foi salvo por sua banca de advogados, que incluía o criminalista Nabor Bulhões e o ex-ministro da Justiça do governo Lula, Marcio Thomaz Bastos.

[…]

Em 2016, Hang começou a deixar a discrição de lado, forçado pelas fake news espalhadas, ironicamente, inclusive por militantes da direita e do antipetismo. Gravou uma série de vídeos publicitários para desmentir os boatos, então em voga, segundo os quais a Havan pertencia: 1) “ao filho do Lula”; 2) “à filha da Dilma”; ou 3) “ao bispo Macedo”. No vídeo, veiculado na televisão, Hang explicava, em tom amistoso: “De quem é a Havan? A Havan é minha, é sua, é da família, é do Brasil.”

No ano seguinte, quando inaugurou a centésima loja, no Acre, seu tom já havia subido uma oitava. “Quando vejo alguém falando mal da Havan, normalmente é petista”, declarou, em entrevista ao Diário Catarinense. “Eu não comungo com a ideologia deles, soltei foguete quando o Lula foi condenado.”


4 comentários

  1. MARINGÁ
    sábado, 26 de setembro de 2020 – 22:06 hs

    Alguém duvida que é mercadoria?

  2. ALAOR
    sábado, 26 de setembro de 2020 – 22:19 hs

    É o tipo que senta em cima do rabo e fala dos outros..

  3. PEDROCA DO SUDOESTE
    domingo, 27 de setembro de 2020 – 10:40 hs

    Falta contar e falar, quantos e quantas pequenas malharias ele QUEBROU em Brusque…….

  4. ímpio
    segunda-feira, 28 de setembro de 2020 – 17:07 hs

    Se a fonte fosse outra eu até seria capaz de acreditar, ninguém enriquece assim tão de repente em Pindorama, mas cansei de tanta fake news, hoje sou como São Tomé, só acredito vendo.

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