5 dias após criticar MP e Judiciário, deputado é alvo do MP e do Judiciário | Fábio Campana

5 dias após criticar MP e Judiciário, deputado é alvo do MP e do Judiciário

Reinaldo Azevedo

Vocês acreditam em coincidência? Em política, é um fenômeno raro, embora agentes públicos dos Três Poderes vivam dizendo que a dita-cuja existe.

O Ministério Público do Paraná cumpriu nesta quarta mandado de busca e apreensão no escritório do deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), em Maringá, na região Norte do estado. Ele é o atual líder do governo Bolsonaro na Câmara. De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, a investigação envolveria fraudes na contratação de energia eólica. Na origem, está uma delação premiada. As supostas fraudes teriam ocorrido entre 2011 e 2014. O MP acusa Barros de corrupção e lavagem de dinheiro.

Em nota, o deputado, que está no sexto mandato na Câmara e já foi prefeito de Maringá, disse estar tranquilo, colaborando as investigações. Afirmou ter solicitado acesso aos autos para instruir a sua defesa. Para lembrar: Barros foi relator na Câmara do texto resultou na nova lei que pune abuso de autoridade, tão criticada pelo Ministério Público e por setores do Judiciário.

Chico Alves e Tales Faria, colunistas do UOL, publicaram uma entrevista com o deputado na sexta passada (11) — cinco dias antes, pois, da ação desfechada nesta quarta. Texto e vídeo estão aqui.

Na entrevista, Barros critica os métodos autoritários do Ministério Público. Afirmou, referindo-se a membros do Judiciário, mas em especial do MP:
“Eles agem contra o cidadão no meio da campanha. Prendem, fazem busca e apreensão, vazam informação de delação, tiram a pessoa do processo político. E, depois de alguns anos, se se provar que não era nada, não era nada… Bate nas costas. Nem pedir desculpas eles pedem. Não respondem por nada do que fazem”.

Como sempre, não assevero culpa ou inocência de ninguém. Verifico se o devido processo legal está sendo cumprido. Mandado de busca e apreensão para colher elementos de prova de suposto crime que teria cessado em 2014? Isso virou uma rotina da Justiça e do MP. Tão distante está o evento investigado que, entendo, o procedimento serve apenas à exposição da figura pública ao enxovalho.

Na entrevista a Alves e Faria, Barros disse mais:
“É claro que há uma parcialidade na posição da Lava Jato, todos sabem disso. É evidente, é visível. Tirou o Lula da eleição, produziu uma situação nova para o país, a interpretação [da lei] mudou… Era uma [interpretação], mudou para prender Lula. Passou a eleição, mudou para soltar Lula. Não precisamos fazer muito esforço para perceber ativismo político”.

Afirmou ainda o deputado:
“Nós estamos assistindo ao ativismo político do Judiciário e do Supremo [Tribunal Federal]. (…) Isso sempre aconteceu, mas [está acontecendo] com muita intensidade de uns seis anos para cá. Um pouco antes da Lava Jato, nós já tínhamos sinais de que o Judiciário pretendia assumir o protagonismo.”

Se o deputado é culpado ou inocente, insisto, vamos ver como andam as coisas na Justiça. Não sou juiz do processo. Mas posso, sim, emitir a minha opinião sobre a sua análise: está absolutamente correta.

Seis dias depois, o deputado que criticou os métodos autoritários do MP e do Judiciário, relator na Câmara da lei que pune abuso de autoridade, foi alvo de mandado de busca e apreensão.

Em política, existem coincidência?


4 comentários

  1. Gustavo Reis
    quinta-feira, 17 de setembro de 2020 – 11:06 hs

    Tambem não defendendo o deputado, mas é fácil ver a realidade;
    basta ler o livro”O ABUSO DO PODER NA ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO” editora Forum. Está tudo ali.
    Ninguém consegue processar o MP, mesmo que vá a falência sem ser culpado.
    Já disse Sepúlveda Pertence (ex – PGR); “criei um monstro (MP)”.

  2. Waldir
    quinta-feira, 17 de setembro de 2020 – 11:28 hs

    Se existe coincidência ou não não sei, mas contra fatos não há argumentos, o Deputado é enrolado em investigações, defende criminosos condenados, defende medidas de cerceamento da justiça, assim defende a impunidade, é contra prisão em segunda instância, que só beneficia quem tem o poder e dinheiro, é recurso protelatório em cima de recurso, onde o réu morre e o processo não acaba, mantém uma leva de Advogados (por isso também são contra). A situação que vivemos hoje é fruto da impunidade reinante.

  3. Julio Barbosa
    quinta-feira, 17 de setembro de 2020 – 13:11 hs

    Reinaldo Azevedo, você nós sabemos exatamente que lado joga. Defendendo (pra variar) bandido.. esse picareta desse Barros ainda terá o que merece. Se sente seguro pelos segredos que possui de muitos da alta corte, mas sua hora vai chegar.. e desses falsos jornalistas também. Lixos vermes que só fazem peso na terra.

  4. PitBull
    quinta-feira, 17 de setembro de 2020 – 14:21 hs

    TOMOU ?

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