Supremo aponta parcialidade de Moro e anula sentença do caso Banestado | Fábio Campana

Supremo aponta parcialidade de Moro e anula sentença do caso Banestado

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal declarou a parcialidade do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro em uma ação em que ele atuou como juiz no caso Banestado, que mirou esquema bilionário de evasão de divisas entre 1996 e 2002.

O recurso foi apresentado pela defesa do doleiro Paulo Roberto Krug, condenado com base na delação premiada de Alberto Youssef. Na prática, a decisão anula sentença contra Krug imposta por Moro.

O doleiro alegou ao Supremo que o ex-juiz teria sido parcial ao realizar oitiva com Alberto Youssef para auxiliar na produção de provas durante a fase investigativa do caso. Os documentos obtidos teriam então sido anexados no processo após as alegações finais da defesa e utilizados por Moro na elaboração da sentença. As informações são do Estadão.

O recurso foi inicialmente pautado para julgamento no plenário virtual da Segunda Turma em setembro do ano passado. O ministro Edson Fachin, relator do caso, se manifestou contra a suspeição de Moro, destacando que outras instâncias da Justiça, como o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ), reconheceram que a oitiva de Youssef se tratou somente de validação do acordo de delação.

O ministro Gilmar Mendes pediu vista, liberando o processo para a Segunda Turma nesta terça, 25. Em seu voto, o ministro, crítico dos métodos da Lava Jato, afirmou que Moro atuou como um ‘reforço da acusação’ no processo ao produzir provas sem pedido do Ministério Público.

“O juiz ultrapassou o papel de mero homologador (do acordo de delação) e atuou como parceiro do órgão da acusação na produção de provas que seriam utilizadas como base para a sentença”, apontou o ministro.

O ministro Ricardo Lewandowski, que votou por último, reforçou as críticas à atuação de Moro ao afirmar que ‘coisas muito estranhas’ aconteceram em Curitiba e que cabe ao Supremo ‘lançar um olhar mais verticalizado’ sobre o que ocorreu ‘em determinados processos’.

Lewandowski pontuou ainda que um juiz imparcial é algo ‘mais grave do que a corrupção’ e pode levar a autoritarismo.

“Não se trata de uma simples incorreção da atividade judicial, mas uma evidência de que o magistrado atuou concretamente para a produção provas com unidade de desígnios em relação ao Ministério Público”, apontou.

A ministra Cármen Lúcia seguiu Fachin contra a suspeição de Moro. Segundo ela, não teria ficado demonstrado nos autos que Moro incidiu em qualquer hipótese de impedimento. “Não vislumbro qualquer erro ou mácula na conduta”, afirmou.

Devido à ausência do ministro Celso de Mello, que se encontra de licença médica, o resultado ficou empatado. Nestes cenários, o resultado favorece o réu, levando o recurso a ser aceito pela Corte.


5 comentários

  1. Vitor
    quarta-feira, 26 de agosto de 2020 – 11:16 hs

    A segundona é a alegria dos larápios endinheirados.
    Vivaaa!!

  2. REVOLTIS
    quarta-feira, 26 de agosto de 2020 – 11:33 hs

    O STF ESTA AGORA PERSEGUINDO POLITICAMENTE SERGIO MORO PELO SIMPLES FATO DE SER CANDIDATO A PRESIDENCIA.
    STF VERGONHA MUNDIAL.
    ANULAR UM CASO DE 2002 É FATO POLITICO E PERSEGUIÇÃO.

  3. Palpiteiro
    quarta-feira, 26 de agosto de 2020 – 11:35 hs

    “O que perturba a sua casa herdará o vento, e o tolo será servo do sábio de coração”. Os vaidosos e semideuses terão o vento por herança…

  4. PitBull
    quarta-feira, 26 de agosto de 2020 – 11:48 hs

    Supremo, leia-se o ministro diarréia…

  5. Rogério
    quarta-feira, 26 de agosto de 2020 – 13:06 hs

    Enquanto o povão ficar só reclamando em rede social, estes canalhas irão continuar zombando da nossa cara. Se não limparmos o senado de políticos corruptos, enrolados até o pescoço com falcatruas, corrupção, não será possível expulsar estes ministros militantes de partidos políticos.

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