Curitiba tem recorde de candidatas mulheres | Fábio Campana

Curitiba tem recorde de
candidatas mulheres

Julio César Lima, Estadão – A possibilidade de quatro candidatas disputarem a prefeitura de Curitiba nas eleições 2020 ampliou o debate sobre a representatividade feminina no espaço político local. Esse número recorde equivale ao dobro de candidatas em relação à eleição anterior, em 2016. Agora, Caroline Arns (Podemos), Christiane Yared (PL), Letícia Lanz (PSOL) e Camila Lanes (PCdoB) acreditam que podem marcar a disputa política na capital paranaense, embora ainda sejam uma grande minoria face ao total de 18 pré-candidaturas.

A deputada federal Christiane Yared (PL), que disse já ter se reunido com mais de 15 mil mulheres, defende que a “pauta feminina” precisa estar na política. “Precisamos de gestões mais sensíveis a esses problemas (sobre participação feminina), agregar mais. Ainda que estejamos vivendo em um país de políticas machistas, percebemos que os partidos começam a ter um olhar diferente em relação a isso”, disse ela.

Na opinião da economista Letícia Lanz, a política ainda é um “reduto” masculino. “No Brasil, como em muitas partes do planeta, a política está sendo o último reduto de atividades em que a mulher ainda é franca minoria. E por ser o principal núcleo de poder da sociedade, os homens vão resistir enquanto puderem, ao ingresso de mulheres na política”, afirmou.

‘BARREIRA HISTÓRICA’

A advogada Caroline Arns (Podemos) considera necessário vencer a “barreira histórica” que há em relação às mulheres na política. “Podemos estar à frente de grandes corporações, de países, Estados e municípios. Temos potencial para isso. Não é pelo fato de sermos mulheres que não estaremos defendendo o direito de todos. Mas temos a obrigação de lutar pelo direito das mulheres, de combater a violência contra a mulher, a violência contra crianças e adolescentes, que vem aumentando muito nesse período de pandemia”, comentou.

A líder da Juventude Socialista do PCdoB, Camila Lanes, disse que uma de suas motivações para disputar a prefeitura é, além de “renovar a política”, destacar mais o papel feminino. “Nós, mulheres em Curitiba, em especial, não vemos essa representação na política, somos a maioria na cidade e não vemos, seja na Câmara Municipal, na prefeitura, ou outros espaços de poder, figuras femininas e feministas”, afirmou.

Para ela, a mulher deve agir para ocupar todos os espaços. “Acho que essas candidaturas (de quatro mulheres) vêm para mostrar que nós não vamos nos calar, não vamos ficar na frente do fogão, mas ocupar tudo: a ciência, o trabalho, a Academia, a família e também a política”, disse.

Mesmo com o avanço no número de candidaturas femininas para a prefeitura, a pesquisadora de Comunicação Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e autora do livro Campanha Eleitoral para Mulheres, Luciana Panke, lembra que há muitos obstáculos a serem vencidos.

“Precisam (as mulheres) batalhar muito para terem, dentro dos partidos, os espaços de respeito e visibilidade. Muitas vezes estão dentro dos partidos, organizam eventos, articulam, trazem apoio e são militantes das causas e ideias, mas na hora de indicarem cargos, os partidos não escolhem mulheres”, afirmou.

Segundo Panke, as mulheres ainda estão “invisíveis” dentro das organizações e isso tira sua competitividade em uma eleição. Ela disse ter dúvidas se os partidos indicariam mulheres para as disputas, caso não houvesse a  obrigação legal de cotas. “A sociedade está puxando as mudanças, mas os partidos continuam sendo gerenciados pelos velhos caciques conhecidos”, disse.


3 comentários

  1. PitBull
    segunda-feira, 31 de agosto de 2020 – 17:17 hs

    Tá faltando a afilhada do LULARÁPIO…a Crazy

  2. ESTAMOS DE OLHO
    terça-feira, 1 de setembro de 2020 – 12:17 hs

    nao precisa nem dizer (VIVA CURITIBA) novamente.

  3. terça-feira, 1 de setembro de 2020 – 12:21 hs

    Olá, Campana !

    Quero informar que a Flávia Sotto Maior também é candidata a vereadora. Ela é filha do procurador Olimpio de Sá Sotto Maior e tem um curricuolo muito extenso nas áreas de sustentabilidade e participação social.

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