Secretaria da Saúde justifica fim de 'quarentena restritiva' a deputados | Fábio Campana

Secretaria da Saúde justifica fim de ‘quarentena restritiva’ a deputados

Preocupados com o crescimento vertiginoso dos casos e óbitos em função da Covid-19 no Paraná (46.601 casos e 1.181 óbitos conforme boletim divulgado na quarta-feira (15)), e com a flexibilização da quarentena restritiva imposta por um decreto do Governo estadual no dia 1º de julho em sete regiões do estado, os deputados que compõem a Frente Parlamentar do Coronavírus da Assembleia Legislativa do Paraná ouviram, em reunião remota, Maria Goretti David Lopes, diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde (SESA) e Ian Sonda, assessor especial da Secretaria.

O principal argumento para o governo não estender as restrições impostas pelo decreto foi a desaceleração na curva, alavancada pela Sétima Regional de Saúde, no Oeste do Paraná. “Cascavel, por exemplo, que nos causava preocupação em relação à ocupação de leitos de UTI, teve redução de 20% nesses 15 dias”, justificou Maria Goretti. 

Ela admitiu que o momento é crítico, especialmente pelos baixos índices de isolamento social (média de 41%), mas lembrou que ainda não é possível analisar os resultados da quarentena, que devem aparecer somente dentro de alguns dias. Mesmo assim, os dois representantes da SESA não descartaram novos decretos se os casos subirem em larga escala. “Nós avaliamos e acompanhamos os dados dia a dia”, disse Ian. As informações são do Bem Paraná.

Os esclarecimentos agradaram o coordenador da Frente Parlamentar, deputado Michele Caputo (PSDB), que aproveitou para pedir um relatório detalhado da situação de cada região à Secretaria, que deve encaminhar o documento até segunda-feira (20). “Temos representantes de todas as regiões aqui na Assembleia e queremos ter acesso a situação de cada uma delas, até para podermos contribuir”, avaliou.

Após dar um panorama da situação epidemiológica no Estado, Maria Goretti e Ian responderam a questionamentos dos deputados que participaram da reunião. Mabel Canto (PSC), perguntou se existe alguma possibilidade do decreto ser levado para outras regiões, como Ponta Grossa, que teve, nesta semana 100% dos leitos de UTI do Hospital Universitário ocupados.

“Estamos nos esforçando para a ampliação de dez leitos de UTI para o hospital nos próximos dias. Quando baixamos o decreto, Ponta Grossa não foi incluída porque a incidência de casos era baixa. Mas como em toda semana, o Governo reavalia, e não descartamos incluir Ponta Grossa em um próximo decreto”, respondeu a diretora da SESA.

A deputada Cristina Silvestri (CDN) disse que protocolou um projeto de lei para obrigar a presença de um fisioterapeuta 24 horas nas UTIs. “Não quero causar transtorno ao governo nesse momento difícil, mas essa presença é importante, já que muitos pacientes de Covid acabam precisando de profissionais durante o período de recuperação”, observou a parlamentar. Maria Goretti concordou, mas disse que não são todas as instituições que contam com fisioterapeutas nas Unidades de Terapia Intensiva do Paraná.

Luciana Rafagnin (PT) questionou os números de testes realizados e a demora nos resultados. De acordo com a SESA, o Paraná está em segundo lugar em testagem no Brasil, ficando atrás apenas de São Paulo. E garantiu que, desde março, o Laboratório Central do Estado (Lacen) está capacitado para atender a demanda pela testagem da Covid-19. “Tivemos dificuldades no início, mas estamos trabalhando para entregar os resultados em até 72 horas. Também firmamos uma parceria com o Instituto de Biologia Molecular da Fiocruz. A partir daí, já realizamos 160 mil testes. Recebemos 400 mil do Ministério da Saúde e distribuímos em todos os municípios. Algumas universidades estão habilitadas pelo Lacen para a testagem. Acessando nosso boletim, é possível saber ainda a testagem dos laboratórios particulares”, afirmou Maria Goretti.

A petista também quis saber sobre a alta nos casos de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), de 201, em 2019 para 833, em 2020. “Pacientes com SRAG que estão internados, são testados. A principal razão para a alta foi justamente a obrigatoriedade da notificação a partir de 2020. Importante lembrar que esses pacientes foram testados duas vezes para Covid. Isso só reforça que não houve subnotificação”, esclareceu Ian.

Os deputados Professor Lemos (PT) e Arilson Chiorato (PT) apresentaram sugestões de temas para novos encontros, já definidos. Na próxima quarta-feira (22) será a retomada das aulas nas redes estadual, municipal, particular e universidades. Com presenças de sindicatos, professores e Secretaria da Educação. “Não envolve só a volta as aulas, mas merenda, material e transporte escolar”, disse Lemos.

A retomada econômica foi sugerida por Chiorato. “Nossa sugestão é que o orçamento seja realinhado com a ajuda da Assembleia, para atender aos setores mais prejudicados na retomada da economia”, disse.


Um comentário

  1. luis
    quinta-feira, 16 de julho de 2020 – 21:32 hs

    Com 92% de UTIs lotadas, pede lockdown, mas os deputados estão dando ouvidos para os empresários dos bares, dos restaurantes, do transporte coletivo, etc… Ainda não acreditaram que muitos modelos de negócios já morreram, eles só não leram o atestado de óbito. O turismo por exemplo, os estádios, o transporte coletivo, bares e restaurantes, nos moldes como existiam não teremos mais e ponto final. Preferem continuar com a contaminação do que admitir que não dá mais, tem até aquela música “aceitem que dói menos”!

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