Ensino remoto no PR: governo fala em sucesso; professores questionam qualidade | Fábio Campana

Ensino remoto no PR: governo
fala em sucesso; professores
questionam qualidade

G1 – Diante da pandemia, o Governo do Paraná implantou ensino remoto para mais de um milhão de alunos da rede pública. Por um lado, a Secretaria de Educação afirma que o programa é um sucesso por atingir 99% dos estudantes; por outro, os professores questionam a qualidade da aprendizagem.

Ao longo de três meses, o “Aula Paraná” funciona por transmissão via TV aberta, internet, aplicativo para smartphone e impressão de atividades que devem ser retiradas na escola.

“ No nosso entendimento é uma inconstitucionalidade de oferta, já que não está sendo oferecido igualmente. Há famílias com três ou quatro filhos que possuem apenas um celular e não têm computador. Em muitas cidades, o canal digital não funciona. Não basta divulgar os números de acesso se a aprendizagem não tem qualidade”, ressaltou o presidente da APP-Sindicato, Hermes Leão.

Ao analisar dados sobre a presença de estudantes nas aulas remotas, a Secretaria Estadual de Educação do Paraná afirma que, em média, 10.070 estudantes, ou seja, 1% do total, não está entregando as atividades propostas, sejam elas remotas ou presenciais.

O secretário estadual de Educação Renato Feder diz que o dado é contabilizado por um programa que analisa a entrega das lições de casa pelos alunos no Google Classroom.

“O monitoramento é relativamente fácil. A nossa estratégia é feita em cima do Google. São postadas dez tarefas de casa por dia na plataforma. O aluno responde e envia. O próprio sistema informa se o estudante acertou as questões ou não e, com a entrega dos conteúdos, registra a presença do aluno na aula. Esses dados são disponibilizados aos professores, diretores de escolas e núcleos regionais de ensino”, explicou.

Na segunda-feira (6), de acordo com o governo, foram entregues 3,5 milhões de lições de casa pelo Classroom. São dez questões por dia – duas por disciplina – , elaboradas e publicadas pela secretaria.

O secretário Renato Feder contou que são realizadas de 13 mil a 14 mil aulas virtuais por dia, contabilizando 75 mil por semana. Os encontros virtuais são programados pelos próprios professores com alunos de cada turma.

“A adoção do Business Intelligence [BI] e a realização desses encontros virtuais são a essência do sucesso do ensino a distância no Paraná”, destacou Feder.

Professores apontam dificuldades

Professores de diferentes regiões do estado dizem que centenas de estudantes estão sendo prejudicados e não estão acompanhando as aulas.

De acordo com o sindicato que representa os professores do Paraná, há relatos de que muitos jovens não têm acesso à internet e nem aos canais digitais. Também há informações de que muitos estudantes não conseguem realizar as atividades impressas porque não sabem o conteúdo.

“Pelo menos 300 mil alunos recebem atividades impressas a cada 15 dias no estado. Esse grupo não tem acesso à internet ou às aulas remotas. Esses dados, disponibilizados pelo próprio governo, revelam que o índice divulgado pela secretaria está distorcido”, afirma o presidente da APP-Sindicato, Hermes Leão.

Segundo a Secretaria de Educação, 11,89% dos alunos usam o material impresso e pouco mais da metade deles tem acesso à internet, mas preferem fazer as atividades em papel.

Ainda, conforme o levantamento do governo, 4,89% buscam material imprenso e ao mesmo tempo acompanham os canais de televisão do Aula Paraná. Entre os alunos que optam pelo material impresso, estão aqueles ligados às escolas rurais e escolas do campo, informou a Secretaria de Educação.

A Secretaria de Educação diz que além das atividades impressas, também orientou que as escolas abram os laboratórios de informática para os estudantes que não têm acesso às tecnologias disponíveis.

A APP-Sindicato ressalta que muitos colégios têm internet e laboratórios precários, além de que eles também estão sendo utilizados por professores para gravar aulas e inserir conteúdo nas plataformas.

Há colégios que estão arrecadando celulares ou computadores para os alunos mais carentes.

MP-PR acompanha ensino remoto

Com o intuito de acompanhar o cumprimento da horas obrigatórias do ano letivo, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) afirma ter aberto procedimentos administrativos em Curitiba e no interior do estado.

“Tais procedimentos acompanham as medidas que estão sendo adotadas pelo Governo do Estado e pelos Municípios, a fim de garantir o cumprimento obrigatório das 800 horas-aulas no calendário escolar de 2020, a instituição do ensino não presencial, visando o cumprimento do padrão de qualidade do serviço educacional, bem como as possibilidades de acesso pelos estudantes às metodologias oferecidas”, afirmou o MP-PR.

O MP-PR considera que não há violação ao direito educacional ou qualquer ilegalidades na decisão de se implantar o ensino remoto, contudo, afirmou que acompanha o processo de execução da política pública.

“Avaliamos que será fundamental que, na ocasião do retorno das aulas, seja feita uma ampla avaliação pedagógica do que foi aprendido pelas crianças e adolescentes durante esse período, devendo ser proposto um plano de recuperação voltado tanto aos alunos que não tiveram acesso à metodologia não presencial, como aos que, mesmo tendo acesso ao conteúdo, não conseguiram acompanhar o processo pedagógico”, disse o MP-PR.

Contrato com TV aberta

O secretário Renato Feder alega que a cobertura dos canais digitais, cujo contrato com uma TV aberta gira em torno de R$ 600 mil por mês, aumentou desde o início da adoção das aulas remotas e que o estado não pretende interromper as transmissões tão cedo.

Uma licitação está sendo preparada para contratar ou recontratar o serviço. A expectativa é que o alcance seja ampliado e os custos reduzidos.

“A expectativa é que as aulas presenciais voltem entre agosto e setembro. Quando voltar, a ideia é que o modelo seja híbrido, misturando aulas presenciais e virtuais. O que a gente não quer é ficar repondo aulas aos sábados ou nas férias. Estamos focados em fazer um ensino a distância bem feito”, informou o secretário.

No final deste ano letivo atípico, a secretaria de Educação afirma que os conselhos de classe de cada escola vão analisar como foi o aprendizado de cada estudante e se ele poderá seguir para a próxima série ou se será reprovado.

Ensino remoto

O ensino remoto foi adotado pelo Paraná no início de abril e oferecido aos mais de 1 milhão de alunos. As aulas virtuais estão contando no calendário escolar.

A secretaria criou o aplicativo Aula Paraná, disponibilizou vídeo aulas em um canal do Youtube e por canais digitais da TV aberta. O estado também adotou o Google Classroom como ferramenta de ensino. É por lá que as lições do dia são publicadas e há interação entre alunos e professores.

O governo também ofereceu aos estudantes em situação de vulnerabilidade social pacotes de dados de operadoras de celular. Desta forma, quem acessa o aplicativo Aula Paraná não gasta com internet pelo aparelho.

A Secretaria de Educação também afirma que os professores realizam aulas virtuais pelo Google Meeting com as respectivas turmas semanalmente.


2 comentários

  1. JOSE
    quarta-feira, 8 de julho de 2020 – 11:50 hs

    mentira, se dentro de sala de aula, já é complicado, imagina online,o aprendizado passa por longe, o aproveitamento é pouco, agora vem falar em sucesso, menos né…para não falar vergonha…

  2. SERGIO SILVESTRE
    quinta-feira, 9 de julho de 2020 – 12:57 hs

    O presencial já é um desastre, o que diz do ensino remoto. Já está completa a porcaria com os cursos superiores por correspondência.

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*