Desembargadores processam colega que atrasou julgamento de processos | Fábio Campana

Desembargadores processam colega que atrasou julgamento de processos

Pela primeira vez nos 129 anos de história do Tribunal de Justiça, um de seus membros é julgado pelos colegas: por decisão majoritária dos 25 componentes do Órgão Especial, o desembargador José Maurício Pinto de Almeida deverá responder a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).

Desembargadores processam José Maurício Pinto de Almeida por ter atrasado o julgamento de processos na 2.ª Câmara Criminal do TJPR em virtude desavenças internas com alguns de seus pares e com o advogado que defende Abib Miguel, Bibinho, ex-diretor-geral da Assembleia Legislativa.José Maurício adiou o julgamento de vários processos sob sua relatoria por não concordar com a inclusão no quórum de julgadores da 2.ª Câmara do juiz auxiliar Marcel Rotoli de Macedo, alegando inimizade com o colega.

Diante do adiamento, o advogado de Bibinho, Eurolino Cequinel, ingressou com representação contra o desembargador perante a Corregedoria do Tribunal de Justiça, que concordou com a abertura do PAD e levou o caso a julgamento pelo Órgão Especial.

O julgamento foi interrompido por um pedido de vista formulado pelo desembargador Sigurd Bengtsson, após a antecipação de voto favorável à abertura do PAD de 14 outros desembargadores.

A sessão do Órgão Especial desta segunda-feira (8) foi praticamente toda dedicada ao assunto. Como relator do caso, o presidente do TJ, desembargador Xisto Pereira, votou pela abertura do Processo e obteve a adesão de 14 desembargadores. A sessão foi remota, com transmissão pela Internet, mas três advogados puderam fazer sustentação oral, um deles o ex-presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcanti, que atuou na defesa do indiciado.

O desembargador José Maurício Pinto de Almeida ficou conhecido por sua participação como relator em vários processos de grande repercussão no Paraná. Além dos “Diários Secretos” – que levou à condenação de Abib Miguel e outros diretores da Assembleia, acusados de desviar R$ 200 milhões dos cofres públicos -, julgou também réus das operações que envolveram o ex-governador Beto Richa, como a “Quadro Negro” e a “Rádio Patrulha”.


4 comentários

  1. NÃO VOTE EM QUEM JÁ FOI
    segunda-feira, 8 de junho de 2020 – 19:05 hs

    Neste país só se dá bem quem é do mal. O Zé Maurício é uma das melhores vozes do nosso Tribunal.

  2. Luis Carlos
    segunda-feira, 8 de junho de 2020 – 21:50 hs

    Justiça tarda mas não falha até mesmo para quem faz dela seu particular parque de diversões.
    Em tempo justiça deverá ser retomada a sua linha de seriedade e respeitos aos ricochetes da Lei.

  3. VISIONÁRIO
    quarta-feira, 10 de junho de 2020 – 7:50 hs

    A maior tristeza dos brasileiros do bem é ver que por aqui no país das bananeiras tudo anda na contramão da lógica e da celeridade. Quanto à justiça… nem sei o que falar…

  4. Juca
    quarta-feira, 10 de junho de 2020 – 14:41 hs

    Podem ter certeza que havia forte pressão política sobre esse desembargador, que ao contrário do que estão pregando sempre foi trabalhador. A propósito, porque o Coronel de Guaratuba Nelson Justus, rei dos assessores palmiteiros, ainda não foi julgado?

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