A GUINADA DE BOLSONARO PARA CHEGAR AO FIM DO MANDATO | Fábio Campana

A GUINADA DE BOLSONARO PARA CHEGAR AO FIM DO MANDATO


Quem diria? O belicoso e falastrão presidente Jair Bolsonaro em pregação coletiva pelo entendimento, fazendo agrados aos presidentes da Câmara, do Senado e do STF, homenageando as vítimas da Covid-19. Ora, pois, ficou claro na semana que ele se sentiu acuado e se obrigou a uma flexão tática aconselhada pelos generais. Enfim, o bruto entendeu que para chegar ao fim do mandato precisa fazer muitas concessões e se entregar aos velhos vícios da República.

A guinada de Bolsonaro incluiu nova forma de fazer política. Seu plano de sobrevivência tem três linhas nítidas. 1) conceder mais cargos e mais verbas ao Centrão. 2) reduzir o radicalismo do governo, o que implica em moderar os filhos e a chamada ala ideológica 3) manter e ampliar o apoio da ala militar.

Há mais uma providência importante no plano de Bolsonaro que é mudar a oposição da imprensa que não lhe dá trégua. Para isso confia no novo ministro das Comunicações, o deputado Fábio Faria (PSD-RN), genro de Silvio Santos e com estofo suficiente para dialogar com todos os empresários da área. Todos, incluindo os Marinho da Globo, que já organizam a rendição em troca de revisão de suas dívidas e da renovação das concessões.

Os militares foram decisivos nos acenos aos STF e no convencimento do presidente para que ele indicasse um nome técnico para o Ministério da Educação. Bolsonaro se sentia muito acuado — especialmente depois da prisão de Fabrício Queiroz na casa do ex-advogado do clã presidencial, Frederick Wassef. Enfim, a repentina conversão de bílis em mel deve-se aos militares que orbitam no entorno de Bolsonaro.

Como diz uma velha raposa da política, “Bolsonaro afrouxou o sutiã e atendeu aos chamados de vem cá, meu bem.” Ele estaria menos temeroso depois do sucesso das negociações com deputados do Centrão. Além de trair suas pregações de campanha, quando enxovalhava a “velha política” assentada na troca de cargos para garantir governabilidade, Bolsonaro fez pior: abriu a porteira apenas para derrubar um eventual processo de impeachment. Mesmo sendo uma turma sabidamente volátil, o presidente acredita que ganhou fôlego – e sobrevivência.

Mas como a personalidade de Jair Bolsonaro é conflituosa por natureza, os mais prudentes recomendam esperar para ver até quando essa nova fase de repentina conversão de bílis em mel vai durar.


5 comentários

  1. Observador intrigante
    segunda-feira, 29 de junho de 2020 – 10:05 hs

    Se for para derrubar a esquerdalha que seja bem vindo o novo JB. Este jornalista prefere a robalheira do petismo??????

  2. ORLANDO PESSUTI
    segunda-feira, 29 de junho de 2020 – 10:14 hs

    BOLSONARO (na extrema direita) e o REQUIÃO (na extrema esquerda) possuem o mesmo estilo de governança em relação aos demais poderes (Legislativo e Judiciário), em relação aos demais órgãos (tribunais de contas, ministério público). Ambos organizaram suas escolinhas para conversar com equipe e súditos. Ambos dão um trabalho danado para a equipe, pois a cada instante aparecem com uma atitude conflituosa e até desagregadora (EU SEI BEM O QUE TINHA QUE FAZER PARA AJUSTAR AS COISAS E ACALMAR O TIME). isso é o estilo e o jeito de ser do Presidente Bolsonaro e do Ex Governador Requião : só sobrevivem no conflito.

  3. sergio
    segunda-feira, 29 de junho de 2020 – 13:36 hs

    BOLSOPETISMO A VISTA.
    Jair Bolsonoro Paz e Amor,
    parece que já vimos este filme.

  4. Paulo Enéas Borges Bueno netto
    segunda-feira, 29 de junho de 2020 – 14:58 hs

    Então a imprensa irá receber o que tanto procura?

    O Estado no lugar do Mercado?

    Vender não é fácil! É mais fácil – cooptar.

  5. OBSERVADOR ATENTO
    segunda-feira, 29 de junho de 2020 – 23:30 hs

    Perfeita a colocação do Orlando Pessuti. Até em relação aos súditos e seguidores os extremos (esquerda e direita), estão próximos: Ambos tem cerca de 30%. São os cegos e radicais. Felizmente 40% dos brasileiros são seres equilibrados.Pensam e raciocinam. Tem suas próprias posições.

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*