Bolsonaro pirou de vez? | Fábio Campana

Bolsonaro pirou de vez?


A jornalista Mary Zaidan publicou artigo antológico. Diz ela que o melhor do Brasil é o brasileiro. No auge do corte de recursos federais, pesquisadores conseguem sequenciar o genoma do novo coronavírus em tempo recorde, engenheiros desenvolvem respiradores de baixo custo, outros criam aplicativos que podem salvar vidas. Mais: na contramão das expectativas do presidente Jair Bolsonaro, a maioria dos brasileiros crê na ciência e não nas trevas.

Antes da pandemia, Bolsonaro, que já iniciara o ano em baixa ao entregar um PIB de apenas 1,1%, amplificou a sua já conhecida paranoia. Só enxergava inimigos, mesmo entre aqueles que juravam fidelidade. Aprontou com os ministros Sérgio Moro e Paulo Guedes, colidiu com o Congresso e o Supremo.

O Covid-19 multiplicou tanto sua síndrome de perseguição crônica que Bolsonaro não conseguiu enxergar outra doença à sua frente, quanto mais a gravidade do surto. Insistiu em um discurso alienígena, desconectado da OMS e do conhecimento científico. Tentou plagiar Donald Trump e não soube dar o cavalo de pau habilmente praticado pelo presidente dos Estados Unidos.
Só perdeu. Para governadores, prefeitos, para o seu próprio ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Para os panelaços de todas as noites, desde meados de março.

Pela ciência
Médico conservador, enrolado em pendengas judiciais, antiabortista e bolsonarista de primeira hora, Mandetta ganhou popularidade por dar razão à ciência e não ao achismo. Para o chefe, tornou-se um inimigo. Os governadores e prefeitos que optaram pela linha da razão também viram suas aprovações crescerem. Uma prova de que mais do que cicrano ou beltrano, o brasileiro tem dado crédito a quem decide com responsabilidade e critério científico.
Contra a ciência
Negar a ciência acentua a demência de Bolsonaro. Ele incentiva a ignorância embora saiba perfeitamente as consequências de seus desatinos. Pouco importa, desde que consiga se eximir da responsabilidade pelo colapso do sistema de saúde, pelas mortes que virão, pela recessão sem precedentes que o país deverá experimentar. Age para tirar seu corpo fora e jogar o fardo em outros – nos seus ministros da Saúde, da Economia, da Justiça, nos governadores e prefeitos, no Congresso e no Judiciário.
Livres do mal
Para além das terríveis consequências da pandemia – morte de milhares, famílias imersas na tristeza, desemprego, empobrecimento, fome, recessão -, há um recado que já pode ser captado: o brasileiro não é tolo. Ainda que nos extremos existam rebanhos fiéis, a maioria não é gado e não topa ser tratado como tal. É valente, faz sacrifícios, é solidário. Mas exige informação, respeito, tratamento digno. Sabe que a Covid-19 não é coisa de Satanás e quer muito mais do que um jejum religioso para que o país “fique livre desse mal”.


8 comentários

  1. segunda-feira, 6 de abril de 2020 – 18:50 hs

    QUEM TÁ PIRADO É O Q…

  2. Carlos Spillere
    segunda-feira, 6 de abril de 2020 – 21:57 hs

    Análise perfeita em momento em precisamos de união.

  3. Intruso
    segunda-feira, 6 de abril de 2020 – 22:55 hs

    Eu acho q ele é esquizofrênico.. só isso..

  4. JM
    terça-feira, 7 de abril de 2020 – 9:10 hs

    Votaram no homem. agora criticão, não dá para entender, em certos pontos ele está certo.

  5. vilson
    terça-feira, 7 de abril de 2020 – 12:02 hs

    O mito virou MINTO

  6. SERGIO SILVESTRE
    terça-feira, 7 de abril de 2020 – 12:08 hs

    Não é só o Bozo que é débil mental,tem muitos leitores aqui do blog que precisam de tratamento.

  7. NILSO ROMEU SGUAREZI
    terça-feira, 7 de abril de 2020 – 13:44 hs

    QUEM SABE AS MENTES INDEPENDENTES, ainda não afetadas pelo esquerdopatia incurável e do facismo teimoso, comecem a pensar na UNICA SAÍDA PARA ESTA NAÇÃO: A.N.C.E – ASSEMBLEIA NACIONAL CONSTITUINTE EXCLUSIVA,

    Das 7 constituições que ja tivemos, 4 foram parlamentares e 3 outorgadas, impostas por quem tinha o poder.
    Parlamentar Constituinte, inexoravelmente está sujeito à submeter-se as amaras partidárias e paixões dos interesses políticos e pessoais imediatos, ou da realidade política do momento de ser governo ou oposição.
    Ora, diante do atual momento político – quadrante da nossa história em que tendências de esquerda e direita anuviam uma saída democrática, chegou a hora da Constituinte Exclusiva com a legitimidade do voto popular direto, distrital, em que o Constituinte possa estar livre de ser situação ou oposição, TER SUA TENDENCIA IDEOLÓGICA,MAS NÃO ENGAJADO NA DISPUTA IMEDIATA DO PODER.
    Esta será a condição básica e fundamental para que os homens e mulheres que irão escrever a Nova Constituição – pela primeira vez na história brasileira – possam realmente traduzir o clamor das ruas e a força viva desta imensa nação que é seu Povo formado por todas as raças e credos.
    O momento histórico da maior nação democrática do continente Sul Americano, tem que afirmar a sua liderança. Fundamental para isso é livrar-se deste sistema ineficiente de governar, mas tão importante como quanto, extinguir os vícios e práticas nefastas com que se negociam cargos públicos e, com isso, serem mantidos os privilégios encastelados nos poderes da República.
    As experiencias das Constituintes Parlamentares, nos mostram claramente que não se atinge o objetivos de escoimar das regras do jogo democrático os interesses pessoais e imediatos do parlamentar.
    Pessoal, esta na hora de discutir este assunto.
    Fabio me corta ou vão ter que me aturar daqui pra frente.
    Nosso sistema politico conseguiu a proeza de transformar a PANDEMINA, neste verdadeiro PANDEMÔNIO, em que os governantes não se entendem e seus egos e vaidades são mais importantes que a vida e saúde dos governados.

  8. NÃO VOTE EM QUEM JÁ FOI
    terça-feira, 7 de abril de 2020 – 20:15 hs

    Começando pelo bunda tatuada, que ainda cultua o carniça. Eu ainda prefiro um débil mental no Governo do que um ladrão.

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