MBL diz que apoiadores de Bolsonaro banalizam manifestações | Fábio Campana

MBL diz que apoiadores de Bolsonaro banalizam manifestações


Em meio à ação criada na internet para convocar um ato contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF), o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem Pra Rua reforçaram a opinião crítica em relação aos grupos bolsonaristas que estão à frente da manifestação.

“No ano passado, eles [bolsonaristas] banalizaram as manifestações a ponto de perderem a relevância. Uma arma é mais forte quando está no coldre, na bainha. É uma questão básica. Quando você fica tirando a espada o tempo todo, uma hora o adversário político vê que aquela espada não mata como se imagina. Hoje mais nenhum político do Centrão tem medo de manifestação, porque foi banalizada”, declarou o coordenador nacional do MBL, Renan Santos.

Durante o carnaval, Bolsonaro compartilhou por WhatsApp um vídeo convocando a população para atos a favor de si mesmo. Os atos foram marcados por apoiadores do presidente em defesa do governo, dos militares e contra o Congresso. A mobilização ganhou força na semana passada, após o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, ter atacado parlamentares, acusando-os de fazer “chantagem”.

Santos afastou qualquer possibilidade de o grupo sair às ruas junto dos bolsonaristas. Disse que “as pessoas são livres para se manifestar”, mas que não é do perfil do MBL “participar de atos a favor de governo algum”. Em julho de 2019, o MBL convocou seus membros para manifestações a favor da reforma da Previdência e do pacote anticrime do ministro da Justiça, Sergio Moro, embora tenha se recusado aderir a eventos em defesa de Bolsonaro, dois meses antes. A decisão de voltar a dividir as pistas da Avenida Paulista, em São Paulo, com os grupos dos quais havia se afastado provocou atritos entre suas lideranças e os bolsonaristas radicais.

O deputado estadual Arthur do Val, então filiado ao DEM e uma das lideranças do MBL, teve um bate-boca com integrantes do gabinete do deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP), quando foi cobrado pela presença no local. De lá para cá, membros do MBL caíram no desgosto dos bolsonaristas, que os definem como “isentões” e “nova esquerda”.

O mesmo rumo tomou o Vem Pra Rua, outro grupo que se notabilizou, ao lado do MBL, por protestar e mobilizar a população pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2015 e 2016. Depois de apoiar o então candidato Jair Bolsonaro em 2018, as duas organizações têm evitado se colar à agenda radical dos bolsonaristas, e por isso são tratadas como traidoras pelos simpatizantes do presidente.

A porta-voz do grupo, Adelaide Oliveira, disse ser legítima a crítica ao Congresso, mas que o Vem Pra Rua não participa de atos para defender partidos ou governos.

“Nós não vamos participar. Alguns, mais radicais, criticam nossa participação, mas cada um em seu canto. Tem gente que acha que é dono da rua. O PT não é, os bolsonaristas não são, o Vem Pra Rua não é. A rua não tem dono, mas tem gente que não entende isso”, declarou ela.

Sem aderir às ruas dessa vez, os dois grupos não devem agir para inibir as manifestações. Renan Santos disse que não adianta tentar demover os simpatizantes do governo da ideia de sair às ruas, já que “eles não ouviriam o que o MBL tem a dizer”.

“As pessoas estão muito ativadas para defender o governo Bolsonaro. Eles não vão querer ouvir os nossos argumentos. Quem hoje defende o governo está achando que o governo vai tomar um golpe do Congresso, então a gente vir com algumentos racionais não vai convencer as pessoas. Elas já têm influenciadores demais falando para elas irem para a rua”, afirmou.

Assim como aconteceu em 2019, a ausência dos dois grupos nos protestos deve fazer diferença. O MBL, com 480 mil seguidores no Twitter, e o Vem Pra Rua, com 243 mil, são as maiores organizações que costumam convocar a população para protestar pelo Brasil. O Nas Ruas, por exemplo, é considerado a terceira maior força de mobilização na direita e tem 47 mil seguidores. Fundado pela deputada bolsonarista Carla Zambelli, o grupo, no entanto, vai marcar presença na Avenida Paulista. A convocação em suas redes sociais já está a todo vapor.


Um comentário

  1. Genildo
    terça-feira, 3 de março de 2020 – 9:44 hs

    A julgar pelo teor das matérias me parece que o jornalista anda com saudades de governos passados, isso a nível Federal pois a nível local me parece satisfeito com a mediocridade da gestão……..

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