Mais um bode na sala? | Fábio Campana

Mais um bode na sala?

artigo de Luiz Claudio Romanelli

Diz o ditado popular que não há nada de ruim que não possa piorar. E é exatamente isso que está acontecendo no governo federal ao tentar aprontar mais uma com uma parcela significativa de brasileiros, principalmente aos que moram nos rincões do país.

Depois das reformas trabalhista e da reforma da previdência que retiram os direitos dos trabalhadores e penalizam as pessoas mais pobres, agora a equipe econômica do governo, guiada pelo ministro Paulo Guedes (Economia), propõe a pura e simples extinção das cidades com menos de 5 mil habitantes e que não tenham arrecadação própria superior a 10% de suas receitas.

Guedes quer extinguir essas cidades porque acha que elas não dão lucro. Ora, as dificuldades financeiras são causadas pelo acúmulo dos recursos na esfera federal. A população que vive nesses municípios produz, gera riquezas e paga impostos. E esses impostos vão para Brasília engordar o caixa do governo federal.

O que deveríamos fazer mesmo é debater e encontrar soluções de fortalecer essas cidades, de aumentar o repasse dos recursos federais que hoje se perdem no limbo da burocracia ou escorrem pelos ralos dos desvios. Estimular os consórcios e reduzir as amarras que dificultam o funcionamento da máquina pública. O debate precisa ser mais profundo e profícuo.

A extinção é uma proposta estapafúrdia. Suspeito que a equipe econômica não conhece os municípios brasileiros. Será que os burocratas de plantão acreditam, de fato, que extinguir os municípios vai melhorar a vida da população?!

É óbvio que a situação vai piorar. Os serviços públicos serão precarizados e a medida irá prejudicar centenas de milhares de pessoas que vivem nas áreas rurais do país.

Cálculos da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) apontam que a medida pode eliminar 1.254 municípios brasileiros, e isso representa 22,5% de todos os municípios. No Paraná os levantamentos mais atualizados da CNM indicam que 64 municípios podem ser incorporados por seus vizinhos, caso a medida proposta pelo governo seja aprovada.

Para a esperança dos mais lúcidos, as reações indignadas estão vindo de todos os lados. Do Congresso Nacional, dos prefeitos, das associações e dos próprios moradores.

Na Assembleia Legislativa realizaremos uma audiência pública sobre o tema. Vamos mobilizar prefeitos, ex-prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e lideranças de todas as regiões do Paraná para transmitir a nossa indignação à bancada federal paranaense.

Tenho convicção que essa proposta não será aprovada, de que haverá sensibilidade no Congresso Nacional para não aceitar essa medida, repito, estapafúrdia.

Como disse o meu amigo e radialista Zé Leite: “Só pode ser mais um bode na sala”. Pode ser que Zé Leite tenha razão, mas dia sim e outro também integrantes do governo federal só pensam naquilo: acabar com as conquistas sociais do povo brasileiro e nos enfiar goela abaixo um receituário econômico que já provou em países como a Argentina e o Chile que está, no mínimo, totalmente equivocado.

Luiz Claudio Romanelli, advogado e especialista em gestão urbana, é deputado estadual e vice-presidente do PSB do Paraná.


7 comentários

  1. segunda-feira, 11 de novembro de 2019 – 15:01 hs

    1254 prefeitos, 1254 vices, 10 a 12 mil vereadores, 100 mil secretários, e outros 10.000 assessores no mínimo sem mamar na teta.
    Acho que o caminha é a extinção destas prefeituras que só empregam e criam despesas de diárias, cargos comissionados e aluguéis e outras despesas.
    Duvido que o fabio publique, porque quem não conhece o interior com as regalias públicas é ele.

  2. Airton
    segunda-feira, 11 de novembro de 2019 – 15:34 hs

    Esses Municípios com menos de 5 mil habitantes ou com renda deficitária (inferior a 10% da própria receita), não deveriam nem terem sido criados.

    Engraçado o nobre deputado dizer que é preciso “pensar” numa maneira de fortalecer essas cidades. Porque nos seus 30 anos de vida pública (mais ou menos) nunca teve essa iniciativa?!

    Demagogia!!!

  3. Gustavo Reis
    segunda-feira, 11 de novembro de 2019 – 15:52 hs

    Esse deputado das trevas, do tempo que a Assembleia criava municípios para eleger deputados e o presidente da assembleia.
    Não surpreende, só podia mesmo defender esses municípios falidos que só servem como TETAS para políticos irresponsáveis e populistas.
    Chega de políticos profissionais como esse.

  4. Juliano Ribas Dea
    segunda-feira, 11 de novembro de 2019 – 17:31 hs

    “Cálculos da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) apontam que a medida pode eliminar 1.254 municípios brasileiros, e isso representa 22,5% de todos os municípios”. Fechado! Onde eu assino embaixo?

  5. antonio carlos
    segunda-feira, 11 de novembro de 2019 – 17:54 hs

    Este ex-líder de Maria Louca e do Betinho só vive do discurso demagógico, do Baixa ou Acaba dos pedágios , coisa que ele sabe que nunca vai acontecer. Como não faz mais parte do Poder, sabe que só lhe restou a demagogia barata, aí abusada dela, só lhe restou isto mesmo para fazer.

  6. segunda-feira, 11 de novembro de 2019 – 18:31 hs

    Põe esses políticos para trabalhar. Ops eles não sabem o significado do aludido verbo.

    Na Real deveria extinguir cidades com menos de 50.000 habitantes.
    Bando de hipócritas. Ferrar com o povo. Vai ferrar é com a mamata desses políticos que não estão nem aio com o povo…

  7. jorge
    segunda-feira, 11 de novembro de 2019 – 21:29 hs

    É mais um bode escrevendo artigos ( peço desculpas aos bodes )

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