Carta a São Paulo | Fábio Campana

Carta a São Paulo

Uma chance de reafirmar a minha razão de viver

artigo de Bruno Covas, na Folha de S. Paulo

*Adversidade? Não, não me venham falar em adversidade. Diante dela, só há três atitudes possíveis: enfrentar, combater e vencer- Mário Covas (1930-2001)*

Fé, foco e força são as palavras que me acompanham neste momento.

A vida está me oferecendo uma enorme oportunidade de promover um reencontro comigo mesmo. De selecionar o que realmente importa e o que vale a pena. Uma chance de enfrentar meus mais íntimos temores e reafirmar minha verdadeira razão de viver.

Escolhi a política porque me realizo na felicidade dos outros. Saboreio as conquistas por meio das transformações que conseguimos, com nosso trabalho, ofertar às pessoas. Tenho na minha família e, sobretudo, no meu filho Tomás um ponto de apoio e força capazes de mover montanhas.

Ninguém pode imaginar o que é passar pelo diagnóstico de uma enfermidade tão temida por todos, como o câncer, até que aconteça conosco. Confesso que nunca, até pela minha idade (39 anos), pensei em atravessar essa situação.

Neste momento difícil, vou tomando contato com as dificuldades pelas quais passam todos aqueles que lutam contra uma doença, que lutam pela vida. Não me sinto injustiçado. Sou como qualquer cidadão sujeito às adversidades da vida. Evidente que não queria passar pelo que estou passando, mas me mantenho sereno e confiante de que vou vencer mais este desafio. A vida e São Paulo, como sempre, seguem em frente.

Conto com a oração e o carinho de tantos amigos e familiares, mas confesso que me emociono ainda mais com aqueles anônimos que, mesmo sem me conhecer, dedicam um pensamento positivo, uma oração pela minha recuperação. Não tenho como expressar meu agradecimento e minha eterna gratidão. São palavras que inspiram e me fazem redobrar o espírito de luta.

Aliás, essa é a vocação da minha vida e do que acredito ser o objetivo da política: lutar contra as injustiças, lutar a favor dos que mais precisam do suporte do Estado, lutar pela democracia, lutar pela liberdade e pelo caminho do bem e da virtude. Tenho fé na minha recuperação. Tenho certeza que vamos atravessar este desafio com dignidade e conquistar a cura com a ajuda de Deus, da equipe médica, das orações de tantos e com minha disciplina e foco no tratamento.

Sou prefeito de São Paulo. Gosto de ser prefeito. Tenho a força necessária para estar à frente da cidade e ao lado da população. É a minha maior conquista e realização pessoal. Administrar, em parceria com a sociedade, essa cidade pujante e complexa é, ao mesmo tempo, um grande desafio e um enorme prazer.

Tenho clara compreensão das responsabilidades que a função acarreta e do empenho que tenho de dedicar para isso. São Paulo vem em primeiro lugar. Jamais vou colocar a cidade e sua população em segundo plano. Tenho todas as condições de continuar no comando da cidade. É o que estou fazendo. A equipe médica corrobora minha decisão.

Nosso governo continua firme, forte e unido na direção de enfrentar os problemas de São Paulo e oferecer respostas que a sociedade espera de nós. Já temos muitas conquistas: reforma da Previdência municipal (economia de R$ 8,3 bilhões nos próximos dez anos); concessão do Pacaembu (ganhos de R$ 656,7 milhões) e do Ibirapuera (ganhos de R$ 1,6 bilhão); empréstimo de US$ 100 milhões do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para 150 obras na saúde; entrega de 16 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e 7 UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento); implantação de 7 Caps (Centros de Atenção Psicossocial); criação de 54 mil vagas em creches; licitação dos ônibus, que permitirá a modernização da frota depois de 13 anos de espera; e aumento de R$ 500 milhões para R$ 1,5 bilhão na verba de zeladoria.

E vem muito mais por aí. Entre outras coisas, vamos concluir e equipar dois hospitais (Brasilândia e Parelheiros, onde já funciona o pronto-socorro); inaugurar mais duas UBSs e 12 UPAs; construir 25 mil casas; entregar 12 CEUs; criar mais 35 mil vagas em creches; recapear 3,6 milhões de m2 de vias públicas; e requalificar o centro, com a entrega do novo Anhangabaú, do novo largo do Arouche e do Parque Augusta.

São Paulo merece todo nosso empenho, e esse é meu maior compromisso: dedicar o melhor dos meus esforços por esta cidade. Agora com ainda mais fé, foco, força e renovada energia e vitalidade. São Paulo, como disse, sempre em primeiro lugar.

Bruno Covas
Prefeito de São Paulo (PSDB) desde 2018 e bacharel em economia (PUC-SP) e direito (USP)


2 comentários

  1. Rui Sérgio Avelleda
    segunda-feira, 4 de novembro de 2019 – 8:51 hs

    Belíssimo depoimento. Deus fará sua recuperação. Ganha São Paulo ganha a população que tanto lhe admira. Um abraço

  2. NILSO ROMEU SGUAREZI
    segunda-feira, 4 de novembro de 2019 – 18:50 hs

    Não é verdade aquele ditado que diz que “mineiro só é solidário no câncer”. Somente que já enfrentou esta doença, sabe que a solidariedade começa na própria família (primeiro fator de encorajamento do paciente para enfrentar a doença). A carta do prefeito Covas mostra que topo paciente de câncer, passa e reconsiderar a própria vida e com ela estabelecer um pacto de continuar de bem com ela. Já me defrontei duas vezes com o bicho e, confesso, minha expectativa de vida mudou para melhor. Não adianta esconder a doença. A solidariedade sempre aparece e ela é um fator importante para continuar-se a acreditar que os amigos sempre estarão torcendo por nos. Ao abrir-se para a opinião publica o Covas já é um vencedor. Vida longa para este guerreiro.

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