Bolsonaro estuda migrar para outra legenda | Fábio Campana

Bolsonaro estuda migrar para outra legenda

Naira Trindade, O Globo

A crise entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, ganhou novo capítulo nesta quarta-feira com a declaração de Bivar de que o presidente já está afastado da legenda. Ontem, Bolsonaro pediu para um apoiador esquecer o PSL e não divulgar vídeo sobre Bivar, porque o presidente do partido estaria “queimado para caramba”. O diálogo ocorreu na saída do Palácio da Alvorada, com um homem que se apresentou como pré-candidato pelo PSL no Recife. A legenda chegou a fazer uma reunião de emergência ontem à noite para avaliar o desgaste da declaração.

“A fala dele foi terminal, ele já está afastado. Não disse para esquecer o partido? Está esquecido” — disse Bivar ao blog da repórter Andréia Sadi, do G1.

Também nesta quarta-feira, Bolsonaro disse que não pretende sair do PSL “de livre e espontânea vontade”. Em entrevista ao site “O Antagonista”, Bolsonaro alegou que Bivar tem o “direito” de expulsá-lo do PSL, mas ressaltou que uma eventual expulsão faria o partido “murchar”.

“Comigo fora da legenda, a tendência do PSL é murchar. Se eu sair, é natural que muita gente saia também”.

Novo partido
A alternativa para que deputados e senadores possam migrar de legenda sem perder o mandato é criar um novo partido, como a UDN, que está prestes a ser criada. Mas essa saída é vista como menos provável, uma vez que levaria um tempo maior até ser viabilizada. Mesmo assim, o caminho está sendo pavimentado, e o partido seria batizado de Conservadores. Aliados do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) estão, inclusive, finalizando o estatuto dessa nova legenda.

De acordo com a minuta com as premissas a serem adotadas, a sigla terá como princípios a “moralidade cristã, a vida a partir da concepção, a liberdade e a propriedade privada”. O texto defende ainda o direito à legítima defesa individual, combate à sexualização precoce de crianças e à apologia da ideologia de gênero e defesa do legado da “moralidade cristã e da civilização ocidental”. Filiados estarão proibidos de fazer alianças com partidos da “esquerda bolivariana”.

Outra possibilidade é Bolsonaro migrar para outra legenda. Algumas delas já começam a se movimentar na tentativa de atrair o presidente. A ideia seria desembarcar num partido menor para promover uma reforma interna. Siglas como o Patriota e a UDN — esta em vias de ser criada — são as opções mais prováveis no momento.


Um comentário

  1. Rei
    quinta-feira, 10 de outubro de 2019 – 18:43 hs

    PQP

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