Dívida da construção da usina de Itaipu está perto de ser quitada | Fábio Campana

Dívida da construção da usina de Itaipu está perto de ser quitada

Quem visita Itaipu Binacional se impressiona com a grandiosidade da usina. Situada no oeste do Paraná, na fronteira entre Brasil e Paraguai, a construção tem 20 unidades geradoras em funcionamento. Com sua produção, que bateu recordes mundiais três vezes na última década, Itaipu abastece 15% do mercado brasileiro e 90% do paraguaio. As informações são da Gazeta do Povo.

Os números impressionantes da Itaipu do século 21 são proporcionais à dívida contraída, ainda nos anos 1970, para a construção da usina. O valor emprestado foi tão alto que, até hoje, o saldo ainda não foi quitado.

Mas, de acordo com Itaipu, o montante está perto de acabar. A expectativa é de que, em 2023, tudo esteja pago – depois de 50 anos de juros e renegociações.

O tamanho da dívida
Segundo dados da própria Itaipu Binacional, à época foram aplicados US$ 12,5 bilhões, em valores não corrigidos, nos investimentos diretos na usina. Esses investimentos incluíram a construção em si e o montante adicional necessário para a rolagem financeira, como o pagamento de juros.

Ainda de acordo com a empresa, 99,2% do montante veio de empréstimos e financiamentos. Nessa época, para levantar todo o capital necessário, Itaipu teve que recorrer a 70 financiadores. Os principais eram instituições financeiras internacionais e também empresas brasileiras, como a Eletrobras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A garantia dos empréstimos era o próprio Tesouro Nacional brasileiro.

Nos anos 1980 e 1990, o contexto econômico do Brasil e do mundo não eram favoráveis a Itaipu – ao menos do ponto de vista da dívida. Nessa época, houve aumento das taxas de remuneração dos recursos e, além disso, um custo muito alto para fazer a rolagem ou o refinanciamento dos débitos.

A situação se agravou porque Itaipu começou a operar aos poucos, a partir de 1985. Como as unidades geradoras começaram a funcionar de forma gradual, o custo total da dívida não era repassado à tarifa. Se Itaipu o fizesse, nem Brasil, nem Paraguai conseguiriam comprar a energia da usina. Com isso, o valor devido acabou crescendo ao longo do tempo.

Previsão de quitação
Após várias renegociações, a dívida ficou concentrada em três credores principais: Eletrobras, BNDES e Banco do Brasil. O valor dos débitos vem sendo incluído na tarifa de energia, paga por Brasil e Paraguai na compra da produção da usina. Dados de julho de 2019 apontam que Itaipu ainda deve US$ 5,8 bilhões.

Mas, segundo a empresa, a dívida está perto de acabar. Isso porque, nos últimos anos, Itaipu tem conseguido quitar pouco mais de US$ 2 bilhões ao ano. Com isso, a previsão é de que, em 2023, a dívida adquirida para a construção finalmente acabe.

Revisão da negociação entre Brasil e Paraguai
A data coincide com a previsão da revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu, que diz respeito às bases financeiras para a comercialização da energia da usina. Com isso, a tarifa deve diminuir significativamente.

Para se ter uma ideia de quanto pode ser a redução, em 2018 a chamada energia vinculada, que inclui os valores da dívida, foi vendida pela usina a US$ 43,80/MWh. Já a energia não vinculada – o excedente produzido pela usina -, que não inclui os débitos na conta, ficou a US$ 6,06/MWh.

Por isso, a negociação pode impactar o bolso de brasileiros e paraguaios. “Com a quitação da dívida, a energia de Itaipu vai custar muito menos. O governo brasileiro poderá optar por repassar essa energia barata aos consumidores ou aferir lucro com essa redução”, explicou o pesquisador Roberto Brandão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em entrevista concedida à Gazeta do Povo.

*A reportagem viajou a convite da Itaipu Binacional.


3 comentários

  1. Paulo Bueno Netto
    segunda-feira, 2 de setembro de 2019 – 10:21 hs

    É fundamental transferir para a população a eliminação do custo do financiamento para sua construção. Nós os brasileiros queremos viver os benefícios da conquista desta riqueza.
    É imperativo essa condição, ou de qualquer outra forma seria castrar o processo de desenvolvimento do Brasil.
    Nada de Itaipu construir Hospital em Foz, Duas pontes internacionais.
    Chega de abuso.
    Redução do custo da energia elétrica, esse é o objetivo.
    E atenção, não é somente a Itaipu que termina seu financiamento não. Há outra dezena de Usinas pelo Brasil acontecendo a mesma coisa.
    Nós brasileiros pagamos caro para possuir essas riquezas, para ao final sermos explorados pelos próprios dirigentes do dia?

  2. Mauro Stevan
    segunda-feira, 2 de setembro de 2019 – 16:19 hs

    Que análise mais confusa, meu caro Paulo Bueno Netto. A Itaipu tem sim que investir em infraestrutura e serviços para os moradores de sua região de abrangência. Foz do Iguaçu ficou com uma demanda social enorme, após as obras, já que muitas pessoas se mudaram para lá em busca de oportunidades. Já os municípios próximos ao lago, tiveram suas áreas inundadas. Sei que o custo da energia elétrica é caro, mas reduzir 20 centavos não vai mudar a realidade de ninguém.

  3. Roberta Fleck
    segunda-feira, 2 de setembro de 2019 – 16:23 hs

    A itaipu tem muita obrigação de dar melhor estrutura para as cidades. Acho pouco ainda as duas pontes, mesmo por que uma será bancada pelo lado paraguaio da usina.

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