Guedes elogia ideia para reincluir estados na reforma da Previdência | Fábio Campana

Guedes elogia ideia para reincluir estados na reforma da Previdência

A reinclusão dos estados e dos municípios na reforma da Previdência pelo Senado ajudaria o país, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes. Em entrevista a jornalistas em Santa Fé, Argentina, onde ocorre a reunião de cúpula do Mercosul, ele elogiou a ideia de reinserir as prefeituras e os governos estaduais na reforma por meio de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) paralela. As informações são da Agência Brasil.

Reafirmando que a inclusão dos servidores públicos estaduais e municipais resultaria numa economia adicional de R$ 350 bilhões, Guedes não quis comentar mais detalhes sobre o texto aprovado em primeiro turno pela Câmara dos Deputados na última sexta-feira (12). Ele, no entanto, se disse confiante nos esforços do Congresso, tanto para aprovar a reforma da Previdência como para reincluir os governos locais.

“Vamos esperar o trabalho do Congresso porque eu confio no Congresso. Ainda tem segundo turno [na Câmara], tem Senado. Está se falando que Senado vai incluir estados e municípios. São mais R$ 350 bilhões. Isso é importante para o Brasil, ajuda bastante. Então tem muita coisa para acontecer”, declarou o ministro, na primeira manifestação pública após a votação na Câmara.

O ministro esclareceu que a economia total para o governo federal nos próximos dez anos, estimada em R$ 900 bilhões, ficou inferior à estimativa inicial de R$ 1 trilhão pedida pela equipe econômica. No entanto, disse ficar contente se os estados e os municípios voltarem para a reforma. “Nós estamos falando do Brasil, não é só da União. Se voltam R$ 350 bilhões via Senado, isso é bom para o Brasil, porque Estados e municípios também participam desse ajuste que o sistema previdenciário precisa”, acrescentou.

Capitalização
O ministro não quis comentar a intenção do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de encaminhar uma nova PEC ao longo do segundo semestre para reinserir a capitalização, sistema em que cada trabalhador tem uma conta individual de Previdência. Ele, no entanto, defendeu a proposta, dizendo que ela ajudará o país a retomar o crescimento.

“Essas reformas são importantes. Em relação à Previdência, o que temos dito é que o sistema de repartição [em que os trabalhadores na ativa financiam as atuais aposentadorias] está condenado. Então, gostaríamos de mudar o eixo para um sistema de capitalização, que bota o Brasil pra crescer. O Brasil pode crescer 4%, 5% ao ano se tiver um mecanismo automático de acumulação de recursos”, declarou.

Mercosul
Sobre o Mercosul, Guedes disse que, paralelamente à reforma da Previdência, o governo trabalhou para concluir o acordo entre o Mercosul e a União Europeia e agora busca dar continuidade a abertura comercial gradativa da economia brasileira. “O mundo inteiro cresceu muito mais que a economia brasileira nos últimos 30 anos porque eram economias que estavam integradas. Todo mundo crescendo junto. E o Brasil ficou para trás. Queremos sair do modelo de substituição de importações para um modelo de integração competitiva com as economias globais. Em serviços, em investimentos, em comércio”, comentou.

Sobre uma eventual moeda única entre o Brasil e a Argentina, levantada pelo presidente Jair Bolsonaro em visita ao país vizinho no mês passado, Guedes disse que a ideia é discutida “num horizonte distante” e não tem previsão de entrar em vigor tão cedo e pode até nunca avançar, dependendo do resultado das eleições presidenciais argentinas, no fim de outubro.

“Como a Argentina está com inflação alta, poderia ser mais oportuno [para os argentinos] tentar acelerar a convergência para uma moeda comum. Mas, do ponto de vista objetivo, não teve nada. Foi uma conversa. Estávamos falando de um horizonte mais distante onde desembocaríamos depois de uma integração econômica. Evidente que se isso fosse acelerado poderia ajudar na situação argentina, mas não é algo simples. Teria que ser muito estudado. Se muda o ciclo político, pode ser até impossível”, concluiu o ministro.


2 comentários

  1. povo brasileiro
    quinta-feira, 18 de julho de 2019 – 12:04 hs

    Gostaria de Perguntar ao Paulo Guedes, porque não aproveitar o momento e criar uma legislação fazendo com que o político que possui aposentadoria e está com mandato tenha que optar somente por um vencimento. Nosso Presidente não é exemplo para ninguém, possui 02 aposentadorias sendo uma delas aos 33 anos e hj além de salário possui todas as mordomias que certamente o país não tem como oferecer. Poderia também criar um Projeto de Lei acabando com os apartamentos funcionais e reduzindo as verbas de gabinetes dos congressistas. Um senador possuir R$ 250.000,00 mensais para contratação de pessoal é um verdadeiro absurdo. Criar também um Projeto de Lei acabando com o Plano de Saúde dos Senadores, e muitos outros projetos que certamente teria apoio popular. A única coisa que vemos neste país é tirar do povo o pouco que ainda lhe resta.

  2. quinta-feira, 18 de julho de 2019 – 12:39 hs

    É uma piada mesmo. Já não basta o Presidente da Câmara, agora um Ministro dando “pitaco” para o que o Senado deve fazer. Que PEC paralela que nada! Tem é que incluir os Estados e Municípios na PEC da Previdência, caso assim os Senadores acreditarem ser o melhor para o Brasil. É para isso que eles foram eleitos, pelo povo brasileiro.

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