Deltan diz que sofreu 'ataque gravíssimo' e vê provas robustas contra Lula | Fábio Campana

Deltan diz que sofreu ‘ataque gravíssimo’ e vê provas robustas contra Lula

O procurador federal Deltan Dallagnol divulgou um vídeo nesta segunda-feira, 10, em que defendeu o trabalho da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, da qual é o coordenador, afirmando que a operação sofreu “um ataque gravíssimo” com a invasão de celulares de agentes envolvidos na investigação. Ele disse ainda que não reconhece os diálogos divulgados e defendeu que as provas contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são “robustas”. Informação da VEJA.

“Nosso receio é que a atividade criminosa avance agora para falsear e deturpar fatos nesse imenso ataque contra a Operação Lava Jato”, declarou. Foi a sua primeira manifestação após a divulgação de reportagens do site The Intercept Brasil que mostram trocas de mensagens entre integrantes da força-tarefa, entre eles Dallagnol, e o ex-juiz Sergio Moro.

“Essas acusações feitas não procedem, e a origem delas está ligada ao ataque criminoso realizado. Mesmo não reconhecendo a fidedignidade das mensagens que foram espalhadas, nós reconhecemos que elas podem gerar um desconforto em alguém, a gente lamenta profundamente por isso”, disse.

Sobre a consistência da denúncia contra Lula no episódio do tríplex do Guarujá, que levou o ex-presidente à prisão em Curitiba – onde está há pouco mais de um ano -, Dallagnol afirmou que a revisão, crítica e análise de detalhes da peça ocorreram justamente para que o Ministério Público Federal pudesse oferecer uma acusação robusta.

Em uma das mensagens trocadas, cujo conteúdo foi vazado, Dallagnol, por meio do aplicativo Telegram, escreve a um grupo de procuradores. “Falarão que estamos acusando com base em notícia de jornal e indícios frágeis? Então é um item que é bom que esteja bem amarrado. Fora esse item, até agora tenho receio da ligação entre Petrobras e o enriquecimento, e depois que me falaram tô com receio da história do apto? São pontos em que temos que ter as respostas ajustadas e na ponta da língua”.

No vídeo divulgado hoje, ele defende a acusação. “As provas do caso tríplex embasaram a acusação porque eram robustas, e tanto eram robustas que nove julgadores de três instâncias diferentes concordaram com a robustez das provas e condenaram o ex-presidente Lula”, disse se referindo aos magistrados do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que já avaliaram o caso.

Citando várias legendas além do PT que tiveram políticos alvos da operação, Dallagnol afirmou que a força-tarefa é contra a corrupção, independentemente de partido. “Vamos continuar dispostos e disponíveis para prestar esclarecimentos sobre fatos e sobre procedimentos da nossa responsabilidade a fim de manter a confiança da sociedade plena na nossa legitimidade de atuação e na legalidade e licitude da nossa atuação”, disse.

Dallagnol afirmou também que “é natural” que procuradores e juízes conversem, mesmo sem a presença da defesa, mas que isso não quebrou a imparcialidade da Lava Jato. “Some-se a tudo isso que todos os atos e decisões da Lava Jato são revisados por três instâncias independentes do Poder Judiciário, por vários julgadores”, apontou sobre a possível influência do atual ministro da Justiça, então juiz Sergio Moro, na condução da investigação.

Moro teria sugerido a inversão de ordens de fases da Lava Jato e até indicado testemunhas a Dallagnol, segundo as mensagens divulgadas.

O procurador ainda defendeu as críticas feitas por integrantes da força-tarefa à autorização do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, para que Lula fosse entrevistado pelos jornais Folha de S. Paulo e El País antes da eleição presidencial de outubro – uma procuradora chega a dizer que uma “coletiva antes do segundo turno pode eleger o Haddad”.

Dallagnol disse que manteria a postura em qualquer caso, independentemente de o preso ser ou não um político ou de a qual partido fosse filiado. “A força-tarefa entende que a prisão de uma pessoa em regime fechado restringe o direito dela de se comunicar com a imprensa. Isso não é uma questão de liberdade de imprensa, é uma questão e liberdade do preso”, disse.


4 comentários

  1. intruso
    terça-feira, 11 de junho de 2019 – 7:58 hs

    É o velho ditado.. Um erro ñ justifica o outro. A fundamentação de uma decisão de condenação tem q ser sobre fatos concretos.. e ñ sobre hipóteses, teses, subjetividade.. É necessário q o magistrado ateste a prova e se a mesma seguiu o rito legal para ser obtida/produzida.. “o juiz natural é o limite/divisor do poder voraz estatal inquisitivo q vede/iniba a arbitrariedade contra o acusado, muitas das vezes hipossuficiente..

  2. xiru de palmas
    terça-feira, 11 de junho de 2019 – 8:21 hs

    Os processos contra Lula não estão em segredo de justiça, portanto o Deltan deveria publicar as provas robustas assim os militantes do PT não ficariam duvidando da seriedade dos julgamentos.
    Apenas dizer que existem provas não irãocalar os seguidores doLula

  3. Palpiteiro
    terça-feira, 11 de junho de 2019 – 9:48 hs

    Considerando o que ainda pode vir por aí, o falastrão deveria conservar sua bocarra fechada.

  4. Luiz
    terça-feira, 11 de junho de 2019 – 15:00 hs

    Ué, aquele Dalagnhol das mensagens não era o mesmo?
    Quanto as provas basta que seja confeccionado uma tabela indicando a data, a hora, a gravação, as fotos, os vídeos, as testemunhas ( respectivas provas). Entrega-la para a imprensa e acaba com as dúvidas

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