Vox populi | Fábio Campana

Vox populi

Pesquisa sugere que, com cinco meses de mandato, a paciência dos que ainda esperam alguma coisa positiva do governo Bolsonaro está acabando rapidamente.

Editorial, Estadão

Com apenas cinco meses de mandato, a aprovação ao governo de Jair Bolsonaro derrete a olhos vistos. Pesquisa da XP/Ipespe mostra que, numericamente, a avaliação negativa do presidente já supera a positiva. Segundo o levantamento, feito entre os dias 20 e 21 de maio, com margem de erro de 3,2 pontos porcentuais, subiu para 36% o número de entrevistados que consideram o governo ruim ou péssimo – há duas semanas, eram 31%. Já o porcentual de entrevistados que consideram a gestão ótima ou boa passou de 35% para 34% no mesmo período. Ou seja, em duas semanas, Bolsonaro perdeu seis pontos porcentuais de aprovação.

O derretimento tem sido constante desde fevereiro, quando a desaprovação a Bolsonaro estava na casa dos 17%. Já a aprovação ao presidente oscilou menos – saiu de 40% em fevereiro para 34% agora, indicando que pode haver uma espécie de “núcleo duro” de apoio ao governo. O grosso do eleitorado que passou a condenar a gestão do presidente provavelmente saiu da parcela que considerava Bolsonaro “regular” – que passou de 31% há duas semanas para 26% na última pesquisa. Isso sugere que a paciência dos que ainda esperam alguma coisa positiva do governo está acabando rapidamente.

Exemplo disso é o quadro sobre as expectativas para o restante do mandato. A parcela dos otimistas, que estava em 63% em janeiro, hoje está em 47%, enquanto os entrevistados mais pessimistas já somam 31% – eram 15% em janeiro e fevereiro.

Tal cenário não surpreende, pois a maioria dos indicadores econômicos sofreu forte deterioração ao longo dos cinco meses de mandato de Bolsonaro, eleito justamente com a promessa de deflagrar um amplo e vigoroso processo de recuperação do crescimento do País. A pesquisa mostra que, embora a maioria dos entrevistados (49%) ainda atribua aos governos petistas a maior parte da responsabilidade pela crise econômica – sinal evidente da vitalidade do antipetismo manifestado nas urnas na eleição passada -, dobrou, de 5% para 10%, em apenas duas semanas, a parcela de eleitores que responsabilizam Bolsonaro.

Tal percepção começa a tomar corpo porque o presidente tem sido até aqui incapaz de adotar medidas que de alguma forma ajudem a reverter o clima de desconfiança. Aparentemente mais preocupado com os radares nas estradas e com a moralidade no carnaval, Bolsonaro limitou-se até aqui a encaminhar uma proposta de reforma da Previdência ao Congresso, a respeito da qual não mostra grande convicção e por cuja aprovação não parece interessado, já que não se empenhou em formar uma base parlamentar que pudesse defendê-la. Quando resolveu mencionar outras iniciativas, como um certo projeto tributário que, segundo Bolsonaro, trará uma economia maior do que a reforma da Previdência, ficou definitivamente claro que o presidente da República não tem a menor ideia do que está falando – o que naturalmente contribui para o aumento do ceticismo.

Mais de uma vez, nos últimos dias, Bolsonaro declarou que governa conforme os desejos do “povo”. Se realmente está interessado em ouvir a voz do povo, e não apenas a dos devotos de sua seita, o presidente faria bem em ao menos observar a opinião expressa nas pesquisas. No levantamento mais recente, por exemplo, cresceu de 37% para 48% a parcela de entrevistados que consideram que, nas relações com o Congresso, o presidente deveria “flexibilizar suas posições para aprovar sua agenda, ainda que isso signifique se afastar do discurso inicial”. Apenas 31% – parcela que possivelmente corresponderia ao “núcleo duro” do bolsonarismo – entendem que Bolsonaro deve “endurecer suas posições e seu discurso, ainda que isso signifique dificuldades na relação com o Congresso”.

É claro que nenhum chefe de governo deve basear sua gestão em pesquisas de opinião, pois muitas vezes é preciso tomar decisões impopulares para resolver os problemas nacionais. No entanto, fica cada vez mais evidente que Bolsonaro parece contar com o apoio somente daqueles que o veem como “messias” e como um mártir do “sistema”. Aos demais brasileiros, que não se deixaram encantar pelo palavrório salvacionista de Bolsonaro, resta o pessimismo.


5 comentários

  1. Ocimar Luiz Bazani
    domingo, 26 de maio de 2019 – 13:15 hs

    Podemos ver pelos movimentos de rua,que essas quadrilhas chamadas de instituto de pesquisa,são do mal,são empresas do satanás,mas é melhor ter 30% de pessoas honestas,do que 70% de vagabundos.,tipo o presidiário ladrão e seus asnos seguidores.

  2. Fabio
    domingo, 26 de maio de 2019 – 18:12 hs

    Esqueçam as “PESQUISAS” ! Tomem vergonha de publicar essas coisas!

  3. Rogério
    domingo, 26 de maio de 2019 – 19:39 hs

    Essas empresas de pesquisa, já não enganam mais, chega de política do toma lá da cá. Bando de FDP, nós queremos um novo Brasil,sem corrupção, com educação de qualidade e segurança pra população, o resto vem a tiracolo. Políticos corruptos, vagabundos, que traíram o seu povo tem mais que apodrecer na cadeia.

  4. Pablo
    segunda-feira, 27 de maio de 2019 – 9:35 hs

    Nunca antes houve uma manifestação neste país em apoio a um governante… Movimento lotou ruas em todos os Estados num domingo!!! E querem nos impor uma pesquisa dizendo que a popularidade do presidente está em queda… Sinceramente… O povo foi às ruas defender pautas impopulares! Que governo consegue isso? Bolsonaro está conseguindo porque está tentando fazer o que prometeu, um governo honesto com técnicos nomeados.. prometeu não adotar a política do toma lá dá cá e está cumprindo.. e está sofrendo duras críticas da mídia e dos corruptos por conta disso!? O povo mostrou ontem que está atento, e, isso é bom… Agora este blog, está virando um blog do Esmael.. É cada dia mais difícil ler algo político no Paraná informações sempre tendenciosas… Complicado

  5. Kiko
    segunda-feira, 27 de maio de 2019 – 10:09 hs

    Depois do resultado das manifestações de ontem o apoio ao presidente não parece ter desaparecido, segundo a intenção da pesquisa. O Congresso Nacional não quer que a Reforma da Previdência passe antes do recesso do meio do ano, porque é uma vitória do presidente. Passada a primeira reforma a coisa começa a andar, mas se não começar aí o presidente pode se despedir do cargo. .

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*