Reitor da UFPR afirma que universidades podem "parar" | Fábio Campana

Reitor da UFPR afirma que universidades podem “parar”

Em pronunciamento na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), durante a sessão plenária desta segunda-feira (20), o reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Marcelo Fonseca, afirmou que o contingenciamento de gastos proposto pelo Governo Federal para o ensino público superior pode inviabilizar o funcionamento das instituições federais no estado a partir de agosto. “Não só a Universidade Federal do Paraná, mas o conjunto das universidades federais brasileiras e os institutos federais, a partir do início do segundo semestre, não terão mais condição de funcionamento. As verbas que foram cortadas são para manutenção, água, luz, limpeza e vigilância. Não há instituição que funcione sem isso”, ressaltou.

O reitor, em nome das quatro instituições – UFPR, UTFPR, IFPR e Unila – se referiu ao bloqueio de 30% sobre o orçamento, durante exposição requerida pelo primeiro-secretário da Assembleia Legislativa, deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB), e pelo deputado Professor Lemos (PT). “Alguns querem minimizar o impacto destes cortes afirmando que não são 30%, mas apenas 3,5%. Eu esclareço: o orçamento da UFPR, efetivamente, é de R$1,543 bilhão, dos quais R$ 1,382 bilhão é da folha de pagamentos, ativos e inativos”, explicou o reitor, especificando o valor de R$ 161,9 milhões para o funcionamento da universidade em 2019. “O corte foi de 30% sobre este valor”, ponderou.

Ricardo Fonseca explicou que a UFPR está instalada em oito pontos do estado e ainda registra expansão. “A nossa universidade tem crescido. Em 2014 houve um pacto com o Governo Federal para expansão das universidades públicas, com cursos de engrenharias, licenciaturas, curso de Medicina em Toledo. Número de alunos se expandindo, campi, postos de vigilância e de limpeza, automaticamente, com as despesas aumentando. Estas despesas, de contrato de serviço, têm reajustes anuais pela inflação”, afirmou. Ele explicou, no entanto, que o orçamento decresceu de três anos para cá. “Em 2016, o orçamento descentralizado foi de R$ 184 milhões, em 2017, R$ 173 milhões, e em 2018, R$ 161 milhões”, explicou, destacando que o contingenciamento deve contar R$ 112 milhões para 2019.

O reitor reafirmou ainda que a pesquisa em Ciência & Tecnologia também pode ser comprometida. “Sem investimentos nesta área, comprometem o desenvolvimento econômico brasileiro. Sem ela não há desenvolvimento do agronegócio e da indústria. Temos pesquisadores na Universidade Federal do Paraná que, sozinhos, registram mais produção cientifica do que toda a Universidade Mackenzie, uma instituição privada respeitável e respeitada”, exemplificou. De acordo com Ricardo Fonseca, o topo da produção científica brasileira está nas universidades públicas. Ele salientou que todos os números orçamentários da UFPR estão publicados na internet. “Somos obrigados pelo Decreto da Transferência Ativa a manter nossos contratos na rede, basta consultar. A UFPR foi umas das primeiras do país a colocar suas contas na rede”, afirmou.
Mobilização

“O corte é terrível, ele vai parar as universidades e institutos federais no segundo semestre. Não para só o ensino, para a pesquisa. O impacto é muito negativo às pesquisas que já estão em andamento há dez, 15 ou 20 anos, por exemplo. Estes trabalhos de longo prazo não podem ser interrompidos, o prejuízo é incalculável”, reiterou o deputado Professor Lemos, que assinou o requerimento em conjunto com o deputado Luiz Claudio Romanelli pela vinda do reitor Ricardo Fonseca à Assembleia Legislativa.

Em defesa das instituições públicas, Romanelli pediu a mobilização de todos os parlamentares. “As universidades públicas federais constituem o maior sistema de formação de recursos humanos, produção de conhecimento, desenvolvimento tecnológico, prestação de serviços à sociedade e promoção da cidadania do país. É preciso defender as universidades públicas de todo o país. Há risco concreto de retrocesso na educação. A descontinuidade das políticas de financiamento desse sistema ameaça o desenvolvimento nacional na construção de uma sociedade melhor e mais justa”, disse. “Solidariedade é importante porque reverbera na sociedade civil. Temos que construir um conjunto de ações políticas que possam sensibilizar o Governo federal. Queremos solidariedade de voz ativa, firme, ativa e alta. Uma voz que reconheça que as universidades públicas são importantes para o Brasil e para o Paraná. Estamos lutando contra o relógio e se nada for feito, a partir da metade do ano, as condições de funcionamento das instituições estarão comprometidas”, refirmou o reitor Ricardo Fonseca.
Atendimento

São mais de 100 mil estudantes atendidos pelas instituições federais de ensino no Paraná. A UFPR e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) atendem 33 mil alunos cada uma; a Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana) atende seis mil estudantes e o Instituto Federal do Paraná (IFPR) conta com 20.199 alunos em cursos presenciais e 10.029 à distância.
Avaliações

Na visão do deputado Goura (PDT), o momento é de esclarecimentos. “Precisamos nos unir para informar a população. As pessoas precisam saber o que está acontecendo. Temos de buscar o fomento da educação, da básica a superior”, opinou. O presidente da APP-Sindicato, Hermes Leão, explicou que a instituição trata o assunto como corte. “Não é apenas um contingenciamento, como o Governo federal alega. Consideramos grave a decisão. A educação pública precisa de mais investimentos e não de cortes no orçamento”, afirmou.

O jornalista Rene Lopez, da UFPR TV, concordou. Natural do Estado de São Paulo, ele trabalha na universidade paranaense há oito meses, mas tem um histórico de mais de 10 anos trabalhando em instituições de ensino superior. Ele contou que nunca se deparou com uma situação grave como esta. “A educação e a ciência têm um grande potencial para gerar desenvolvimento econômico. Não podemos pensar a educação apenas como gasto, mas como um investimento. Nossa preocupação dentro da instituição é que ela se mantenha funcionando. O corte no orçamento representa um retrocesso”, completou.
Requerimento

Um requerimento, assinado por 27 parlamentares, foi aprovado ao final da sessão plenária para que seja enviado expediente ao presidente da República, e ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, para que revejam a decisão sobre o contingenciamento de verbas para as universidades e institutos federais. O texto frisa que a medida “uma vez consolidada, é um retrocesso no ensino superior e atinge todas as áreas e os menos favorecidos, causando prejuízos em todos os setores de ensino”. “Estes cortes podem comprometer o ano letivo, o funcionamento das instituições, como o dos restaurantes, as residências e até mesmo a formatura dos acadêmicos”, cita o documento.


14 comentários

  1. Do povao
    segunda-feira, 20 de maio de 2019 – 20:40 hs

    Se for para manter a baixaria que está hoje Maria universidade e melhor que pare.Eu como contribuinte não quero que meu suado dinheiro sustente uma estrutura era para ser acadêmica e se confunde com bailão do pancadao

  2. Rossby
    segunda-feira, 20 de maio de 2019 – 20:53 hs

    Agora que é a hora do administrador… Chorar que a verba foi cortada é o padrão… Fazer as demandas encaixarem no orçamento é que divide os homens dos meninos… Qualquer família faz isso… ajusta, adequa e corta.. porque as universidades não podem fazer o mesmo…

  3. Rossby
    segunda-feira, 20 de maio de 2019 – 20:59 hs

    Para arrematar… O reitor nem cora ao dizer que a folha de pagamento da UFPR é de quase R$ 1,4 bilhão ao ano… Com todo o respeito isso não pode ser sério… Só para pagar funcionário se consome esse montante…só que quase metade disso são de inativos que estão dentro do orçamento das universidades… Não tem a menor chance disso dar certo…

  4. Ademir
    terça-feira, 21 de maio de 2019 – 1:29 hs

    Contingeciamento atinge os 22 ministérios, proporcionalmente o da educação foi um dos menores! Tem aprovar a Reforma da Prev., senão vem contingenciamentos novos por aí, e nao menos importante , parar com a roubalheira nessas federais ajudaria muito! Dia 26 todos nas ruas!

  5. Fiora Neto
    terça-feira, 21 de maio de 2019 – 8:01 hs

    As Universidades devem abrir suas caixas pretas, para que a sociedade possa avaliar a situação. Discursos políticos não vão resolver a situação… existem Professores que não dão aulas, mas percebem altos salários, obrigando as instituições a contratarem substitutos… funcionários administrativos e de suporte com salários altíssimos… cursos de pós-graduação com temas que não trazem nada de retorno à sociedade – tais como “A linha depravada do funk nacional” da UFRJ, e’ um sumidouro de recursos… o governo federal está correto, o Brasil precisa ser revisto de cabo a rabo…

  6. Joel
    terça-feira, 21 de maio de 2019 – 8:53 hs

    Deveriam parar de gastar dinheiro em projetos que não trás retorno e colocar estudantes que ficam em butecos da região nas salas de aula!

  7. Vredicto
    terça-feira, 21 de maio de 2019 – 9:50 hs

    O reitor da UFPR, deve também, dizer que os cortes de verbas têm como destino, entre outras coisas, diminuir o número altamente excessivo de funcionários terceirizados, de comissionados, de cargos supérfluos, de viagens para cursos no exterior sem nenhum sentido prático e sem utilidade para o sistema a não ser para fazer turismo, e principalmente para DCEs que deixaram de lado seus objetivos acadêmicos e partiram para a politicagem, promovendo festas que a mídia mostra como verdadeiros bacanais. Este “corte” visa acabar com a balburdia que se tornaram as administrações das universidades federais em termos administrativos. Observem o que levou ao suicídio do reitor catarinense. Ou será que ele se matou por estar cansado da vida….. foi de vergonha de ver se tornar público os desmandos da sua administração.E assim caminha o ensino federal gratuito no País.

  8. ELEITOR DE BOA MEMORIA
    terça-feira, 21 de maio de 2019 – 9:54 hs

    SE O CONTINGENCIAMENTO DE 7% VAI PARALISAR A UFPR É SINAL MUITO MAIS DO QUE CLARO QUE A PREVISÃO ORÇAMENTARIA QUE A EQUIPE DELE MESMO VEZ FOI MUITO MAL FEITA. ISTO É REFLEXO DA MÁ QUALIDADE DO ENSINO UNIVERSITÁRIO , AFINAL SE NEM OS PROFESSORES SABEM FAZER ORÇAMENTO IMAGINE SEUS ALUNOS COMO ESTÃO. TENHO PENA

  9. Rr
    terça-feira, 21 de maio de 2019 – 10:02 hs

    Não fazem falta nenhuma,vivem em greve,só ensinam o que não presta,por exemplo,que “deus” está preso injustamente,e por aí vai…

  10. Do Interior...
    terça-feira, 21 de maio de 2019 – 10:51 hs

    Meu amigo, tudo pode parar. É o resultado de 16 anos de desgoverno petista, má gestão e roubo.

    o Bolsonaro é fraquinho, mas ainda é melhor que ladrão.

  11. Nemcomrezabrava
    terça-feira, 21 de maio de 2019 – 11:48 hs

    Com certeza este grupo de bolsominios somente querem acabar com o pouco que existe de educação pública no Brasil, pois como disse o Haddad, “tinhamos um imbecíl como Ministro da Educação, agora, temos um idióta”. Disse tudo em poucas linhas.

  12. antonio carlos
    terça-feira, 21 de maio de 2019 – 19:07 hs

    Concordo com o reitor e vou além, acabem de vez com estas universidades, com raríssimas exceções formam bons profissionais. Estamos formando imbecis em vez de profissionais.

  13. MARIANA
    terça-feira, 21 de maio de 2019 – 21:12 hs

    Que tal propor melhorias de gestão antes de começar a gritaria? Que tal cortar mordomias indecentes de funcionários que vivem viajando com namoradas, esposas, filhos à tiracolo às custas da Universidade? O dinheiro dos nossos impostos precisa ser bem aplicado e bem justificado. Que tal reitores mais competentes e menos chorões?

  14. Cangaceiro
    quarta-feira, 22 de maio de 2019 – 22:42 hs

    Senhores Reitores vocês precisam acabar com a turma de universitários que reprovam só para ficar na Universidade e fazer bagunça, tem alunos que estão a 10 anos nos cursos, uma vergonha

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