A invasão da Petrobrás | Fábio Campana

A invasão da Petrobrás

Editorial, Estadão

O presidente Jair Bolsonaro invadiu a Petrobrás. Em mais uma ação desastrada, ele mandou suspender um aumento de preço do diesel, chocou o mercado, assustou os investidores e derrubou as ações da companhia, o que causou uma perda de seu valor de mercado de R$ 32,4 bilhões. Agiu como seus antecessores petistas, deixou-se levar pelo voluntarismo e interveio na gestão de uma grande empresa de capital aberto. A política petista quase quebrou a estatal. A intervenção do presidente Bolsonaro lembra uma história de erros catastróficos, interrompida no governo do presidente Michel Temer, quando a administração da petroleira foi profissionalizada e voltou ao caminho certo. A ação do PT, dirão os defensores do presidente, favoreceu uma orgia de corrupção e nada parecido deve ocorrer neste governo. Pode ser, mas a mera intervenção na política de preços e em vários outros aspectos da administração seriam suficientes para impor perdas enormes.

“Não sou intervencionista. Não vou praticar a política que fizeram no passado, mas quero os números da Petrobrás”, disse o presidente. Essas palavras são tão assustadoras quanto a ordem de suspender o aumento de preço do diesel. Na mesma declaração o chefe de governo negou ser intervencionista e exigiu a apresentação dos números para sua avaliação. Essa exigência é uma clara e inegável intromissão num assunto tipicamente empresarial, a fixação do preço de um produto. Será o presidente Bolsonaro incapaz de perceber esse fato tão simples?

Mas a explicação se estendeu e cada palavra confirmou a disposição de controlar a gestão da empresa. O presidente disse ter convocado “todos da Petrobrás” para lhe explicar, na terça-feira, a razão do aumento de 5,7%, quando a inflação do ano está projetada em menos de 5%. “Se me convencerem, tudo bem. Se não me convencerem, vamos dar a resposta adequada a vocês”, acrescentou. Em suma, os diretores da empresa têm de convencer o presidente da República do acerto de um ato gerencial. Ele exige essa explicação como presidente da República? Como responsável pelo governo da União, acionista majoritária? Quantos dos demais acionistas, especialmente estrangeiros, aceitarão qualquer explicação desse tipo?

Não por acaso a decisão do presidente Bolsonaro foi apoiada por um petista, o deputado gaúcho Paulo Pimenta, líder do partido na Câmara. Segundo ele, a Petrobrás, sendo uma empresa nacional, “deve estar de acordo com a política de preços definida para o setor”. Essa opinião, acrescentou, é coerente com a posição por ele defendida em outros momentos. Seria também, é claro, uma reedição da política seguida no governo da presidente Dilma Rousseff.

Com aplauso do líder petista, o preço do diesel permanecerá congelado até terça-feira, data prevista para a reunião, ou por mais tempo, se os diretores da empresa deixarem de convencer o presidente.

Devastada na gestão petista, a Petrobrás começou a recuperar-se com a mudança de comando favorecida pelo presidente Michel Temer. A recuperação ganhou impulso quando Pedro Parente, na presidência da empresa, redefiniu suas metas de produção e de expansão, iniciou um programa de desinvestimento, reorganizou seu passivo e implantou uma nova política de preços. A liquidação de pendências internacionais foi um passo importante. Com todas essas medidas, a Petrobrás começou a escapar da posição de campeã mundial do endividamento.

A escolha do economista Roberto Castello Branco para a presidência da empresa animou o mercado. A decisão de espaçar os aumentos dos combustíveis, adotando um ritmo quinzenal, foi recebida com boa vontade. A intromissão do presidente Jair Bolsonaro quebrou o padrão de respeito aos critérios empresariais e aos acionistas minoritários.

A referência do presidente aos interesses dos caminhoneiros em nada atenuou seu erro. Ao contrário mostrou uma perigosa adesão a falhas da gestão anterior, quando se criou, com a tabela de fretes, um cartel chapa branca, complementado por uma política de subsídio ao preço do diesel. Se isso é a nova política prometida pelo presidente, os próximos anos poderão ser emocionantes como um filme-desastre.


6 comentários

  1. Rr
    sábado, 13 de abril de 2019 – 13:35 hs

    A diferença entre ele e os ptralhas,é que ele está tentando ajudar os trabalhadores,os corru PT os,só assltaram a empresa,e isso esse lixo de mídia esquerdista não divulga.

  2. joca
    sábado, 13 de abril de 2019 – 15:17 hs

    É um monopólio, e tal qual, o monopólio faz o preço, foi necessário intervir visto que o aumento é abusivo, bem acima da inflação! Tem de quebrar o monopólio privatizando, aí sim, se fosse privatizado não poderia intervir nos preços do mercado! Claro, o “Estadão” mete o pau em qq coisa que este governo faça, age igual ao Globo, Veja e Folha! Isto foi melhor do que enfrentar agora uma greve de caminhoneiros, o Brasil está arruinado pelas esquerdas criminosas, ações assim defensivas são necessárias no país das estatais!

  3. johan
    sábado, 13 de abril de 2019 – 16:26 hs

    Caro Fábio, o editorial do Estadão, está um tanto torto. Deseja defender a gestão independente da Petrobrás, mas não está preocupada com a problemática criada pela elevação dos preços do diesel aos transportadores, que carregam o país nas costas, e nem aquela população de 13,0mi de desempregados deixados pelos governos anteriores, prejudicados pela inflação. Corrigir erros acumulados em 30 anos de subserviência a política esquerdista de corrupção e de entrega da empresa às irmãs brasileiras, deverá demorar muito mais, que o que a sociedade vislumbrava. É assim mesmo, a correção será dolorida para todos, principalmente para aqueles que perderão poder e dinheiro subtraídos da sociedade. Deixem que gritem, faz parte do chororô. Atenciosamente.

  4. Petrus
    sábado, 13 de abril de 2019 – 18:02 hs

    Escutem essa: O POVO APÓIA EDDA MEDIDA DO BOLSONARO, porque O POVO NÃO APLICA NA BOLSA!!
    Aliás, que raio de empresa PÚBLICA é essa onde o DONO não manda? Vão devidamente à MERDA!!!
    A Gleisi JÁ ESFREGAVA AS MÃOZINHAS de satisfação com a perspectiva de que o CAOS seria implantado e assim ACABARIA o governo do odioso Capitão!!
    O Estadão, demais órgãos da grande E VELHA imprensa SÃO SUSPEITOS em suas opiniões, POIS DESDE O COMEÇO sonham com o fim de Bolsonaro!!

  5. luiz
    sábado, 13 de abril de 2019 – 23:02 hs

    Putz! 32 bilhões de reais só numa erradinha ?! Dá pra comprar quantos sítios?

  6. Parreiras Rodrigues
    domingo, 14 de abril de 2019 – 18:33 hs

    Uma greve a essa altura, traria prejuízos muito maiores à população como um todo, do que a queda das ações que atingem os acionistas da Petrobrás, chamados por Requião de rentistas. A paralisação, todo mundo careca de saber, desabastece e encarece. Mas convém lembrar aos editores vendidos de O Estado, da Folha, de Veja, os diversos episódios praticados na era PT e que quase quebraram a empresa que hoje eles defendem ardorosamente, a começar pelo cano dado em Lula pelo seu ídolo Hugo Chavez na construção da refinaria de Suape, um capricho dele para homenagear um general herói lá na Venezuela. Mais dilmada na compra e venda da refinaria de Pasadena, toda arrebentada pois data de 1920, patrimônio remanescente ainda do império Rockfeller. Teve o caso duma roubada – na mão grande, de uma refinaria pelo governo colombiano, se me parece. PRIVATIZAÇÃO, JÁ!

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*