Dias Toffoli vê movimento para 'assassinar reputações' | Fábio Campana

Dias Toffoli vê movimento para ‘assassinar reputações’

Um dia após anunciar a abertura de inquérito para investigar fake news, ofensas e ameaças dirigidas a integrantes do Supremo Tribunal Federal, o presidente da Corte, Dias Toffoli, disse, nesta sexta-feira, 15, que a tecnologia voltada para destruir a honra será combatida a todo custo. Nos últimos dias, o Supremo foi alvo de novos ataques nas redes sociais e recebeu críticas até de procuradores da Lava Jato. As informações são de Vera Rosa no Estadão.

“Esse assassinato de reputações que acontece hoje nas mídias sociais, impulsionado por interesses escusos e financiado sabe-se lá por quem, deve ser apurado com veemência e punido no maior grau possível”, afirmou Toffoli ao Estado. “Isso está atingindo todas as instituições e é necessário evitar que se torne uma epidemia.”

O tema também fará parte do cardápio do almoço de hoje entre os chefes dos três Poderes. A ideia foi do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que convidou para o encontro o presidente Jair Bolsonaro, Toffoli e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), além de ministros.

O presidente do Supremo pretende reforçar ali sua proposta de um “pacto entre os poderes” para votar reformas consideradas fundamentais, como a da Previdência e a tributária. A escalada de agressões enviadas principalmente em correntes de WhatsApp e postagens no Twitter e Facebook preocupa a Corte em um momento de crescente tensão política. No Senado, um grupo articula a criação da “CPI da Lava Toga”, a fim de investigar possíveis excessos cometidos por tribunais superiores.

“Os ataques às instituições que vitimizam todos, incluindo a imprensa séria, são verdadeiros atentados ao estado democrático de direito”, insistiu Toffoli. “Judiciário independente e imprensa livre são as bases da democracia. Foi assim que os Estados Unidos foram construídos.” Para o ministro do Supremo Gilmar Mendes, as “milícias digitais” não são amadoras. “Precisamos melhorar o sistema de defesa a esses ataques industrializados”, comentou ele.

Uma das suspeitas que devem ser investigadas agora pela Corte é a possibilidade de haver um movimento internacional sustentando as agressões nas redes sociais, com o objetivo de desestabilizar o País. “Pode ser, eventualmente, uma hipótese para atender a indústria bélica, que há muitos anos não tem uma grande guerra como cliente”, argumentou Toffoli.

A ofensiva contra o Supremo recrudesceu às vésperas do julgamento que representou uma derrota para a força-tarefa da Lava Jato. Por 6 votos a 5, a Corte decidiu que crimes ligados à prática de caixa 2, como corrupção e lavagem de dinheiro, devem ser julgados na Justiça Eleitoral. A Procuradoria-Geral da República e os procuradores da Lava Jato queriam que as investigações ficassem a cargo da Justiça Federal.

Em um movimento lançado quase ao mesmo tempo em que aliados de Bolsonaro defendiam nas redes a reforma da Previdência, o STF foi alvo de todo tipo de xingamento. Mensagens pregando intervenção e fechamento da Corte, além da hashtag #atogacontraopovo, passaram a ser comuns, principalmente no WhatsApp.

Conduta. Sob sigilo, o inquérito determinado por Toffoli, que terá como relator o ministro Alexandre de Moraes, vai investigar até a conduta de procuradores da Lava Jato, como Deltan Dallagnol e Diogo Castor. Em vídeo postado na internet, Dallagnol conclamou a população a se posicionar contra qualquer decisão do Supremo que não fosse a defendida pela Lava Jato. Castor disse que estava em curso um “golpe” contra a operação de combate à corrupção no Brasil.

A investigação do STF é vista por procuradores como uma forma de intimidar o Ministério Público. Ainda nesta sexta-feira, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, solicitou informações sobre o inquérito a Moraes. Na sua avaliação, o caso tem potencial para comprometer a imparcialidade do Judiciário, já que a função de investigar não faz parte da competência do Supremo.

“Os fatos ilícitos, por mais graves que sejam, devem ser processados segundo a Constituição”, afirmou ela. Toffoli rebateu e disse que, além de haver previsão regimental para abertura do inquérito, o Código de Processo Penal estabelece que toda investigação deve ser supervisionada por um juiz. O ministro lembrou, ainda, que na época das eleições a Polícia Federal instaurou procedimento para investigar a disseminação de fake news referentes a candidatos à Presidência. Na ocasião, o pedido para apurar a existência de um esquema empresarial para interferir na disputa foi feito pela própria Raquel. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também chegou a abrir processo sobre o assunto.

“Depois que foi aberto o inquérito, a propagação de notícias fraudulentas cessou. No segundo turno não houve mais nada”, observou Toffoli, para quem a investigação também tem caráter pedagógico. “Não dá para aceitar esse tipo de coisa. Além das instituições e da sociedade como um todo, ao fim e ao cabo é a população pobre que acaba sofrendo mais as consequências.


18 comentários

  1. sábado, 16 de março de 2019 – 11:15 hs

    Bah,kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!!!

  2. PitBull
    sábado, 16 de março de 2019 – 11:32 hs

    O VAGAU defendendo os CORRUPTOS quer o que ?

  3. FRANCO
    sábado, 16 de março de 2019 – 11:36 hs

    Coisa curiosa, não, senhor ministro: quando era o seu partido que fazia isso seguidamente (até foi publicado um livro sobre o assunto), estava tudo bem, né???
    Meu Deus, e pensar que Toffoli NUNCA foi aprovado em concurso para juiz!!! E, no entanto, chegou a presidente do STF!!! Isso não é incrível??? Blergh!!!!!!!!!!!

  4. sábado, 16 de março de 2019 – 11:39 hs

    Qe engano grosseiro desse mesadeiro. Há suicidio de reputaçoes dessas excelencias!

  5. Moisés Fróes
    sábado, 16 de março de 2019 – 12:15 hs

    Toffoli, até hj não justificou o ‘mensalinho’ de 100mil da sua ex mulher. Vc é mais 5 defendem os bandido em detrimento dos brasileiros honestos.

  6. CURITIBANO
    sábado, 16 de março de 2019 – 12:16 hs

    CANALHAS NÃO TÊM REPUTAÇÃO, SÃO CANALHAS ET C’EST FINI !

  7. Rr
    sábado, 16 de março de 2019 – 13:31 hs

    Tem que eliminar esses marginais togados,forças armadas,cade vocês,vão deixar essa missão para o povo.

  8. johan
    sábado, 16 de março de 2019 – 16:03 hs

    Caro Fábio, essa matéria informa a sociedade que os atos aprovados pelos ministros não possuem total sustentação legal, haja visto o resultado da votação, mesmo buscando argumentos dentro do regimento interno do STF. Como afirma o ministro Toffoli, estão “assassinando reputações”, contudo que deve-se avaliar que não se assassina o que não existe. Um judiciário composto por MAGISTRADOS independentes e imprensa livre, são as bases da democracia, aliadas a manifestação individual de opinião livre. Com esses conceitos a democracia avança. Atenciosamente.

  9. JÁ ERA...
    sábado, 16 de março de 2019 – 17:21 hs

    Do jeito que está, o correto é desfazer o STF. Não serve para nada
    mesmo. Se precisar de uso de força militar, que seja…

  10. EU
    sábado, 16 de março de 2019 – 17:35 hs

    O próprio STF com as suas caras egocêntricas e bocas teatrais, e com suas expertas decisões, se encarrega de acabar com a reputação de seus “ilustres” membros.

  11. clemar
    sábado, 16 de março de 2019 – 19:49 hs

    Que reputações porra!!
    Desculpas aos sensíveis pela porra!!

  12. Parreiras Rodrigues
    sábado, 16 de março de 2019 – 20:29 hs

    É preciso acabar com as nomeações políticas para preenchimento de cargos nos ministérios todos, inclusive nos de contas. CONCURSOS PÚBLICOS, JÁ!

  13. HORA DA VERDADE
    sábado, 16 de março de 2019 – 20:38 hs

    Pelo “notável saber jurídico e reputação ilibada” (art.191 da CF) o apadrinhado do Zé Dirceu, não é de ler muito, senão como disse o FRANCO, comentário acima, não leu o livro do TUMINHA – DESTRUINDO REPUTAÇÕES, em que conta, descreve e especifica a Central do PT de criar dossies falsos para destruir a reputação dos nomes que lhe fizessem oposição. Deveria ter lido, pois neste livro consta,desde que o cadaver do Celso Daniel foi encontrado e todos os que foram “apagados” para que não se chegasse aos mandantes. Deveria ter lido porque o autor do livro, Delegado da Policia Federal, conta como o STJ arquivou a OPERAÇÃO SATIAGARA, que iria pegar os proprios Ministros do STF, “grampeados” nas escusas operações das telefonicas nas privatizações… não, claro que leu, leu detalhadamente para defender na epoca o seu patrão todo poderoso Zé Dirceu ….cara de pau mesmo e sem criatividade até plagiou o Tuminha.

  14. bs
    sábado, 16 de março de 2019 – 21:21 hs

    Na atual conjuntura, STF pra quê ????
    Não julgam nada que seja de interesse da sociedade.

  15. JÁ ERA...
    domingo, 17 de março de 2019 – 7:49 hs

    Nenhum membro do STF pode alardear dizendo que estão destruin-
    do a reputação deles. São todos indicados por governos anteriores e
    de vez em quando apresentam sinais de lucidez votando corretamen-
    te e 99,9% das vezes agem como um moribundo acordando do coma
    na UTI… Só fazem jogos de cena e continuam falando juridisques
    que na verdade é uma linguagem que só os idiotas entendem.

  16. NA CORDA BAMBA
    segunda-feira, 18 de março de 2019 – 5:36 hs

    Com o STF do jeito que está não vejo outra saída a não ser a sua
    dissolução completa. A democracia brasileira “a la Venezuela” não
    será democracia…

  17. Elton
    segunda-feira, 18 de março de 2019 – 9:26 hs

    Uma coisa é atacarem os membros do STF, coisa diferente é atacar a instituição Supremo Tribunal Federal. Quais os interesses estão por trás de difamar a instituição de jogar o opinião pública contra um dos poderes da República? O equilíbrio entre os poderes é o que mantem o Estado Democrático de Direito.

  18. Jorge
    segunda-feira, 18 de março de 2019 – 13:05 hs

    E o petista nomeado por lula para o STF, sem ter as condições constitucionais para tanto, revela seu caráter.Foi nomeado para proteger cumpanhêros corruptos e agora vem com essa hipocrisia.

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