Sinal trocado | Fábio Campana

Sinal trocado

O Estado de S.Paulo

Apesar do discurso eleitoral antipetista que triunfou em 2018, os pouco mais de dois meses do governo Jair Bolsonaro vêm mostrando que ele dá nova roupagem a velhas polêmicas. Algumas delas o próprio presidente, antes deputado federal, criticou de forma contundente, apontando o dedo para o PT.

Como são acusadas as gestões de Lula (2003-2010) e Dilma (2011-2016), a de Bolsonaro já tentou: impor sua ideologia nas escolas, aponta a grande mídia como um inimigo e tenta fazer uma “limpeza” nas repartições públicas, demitindo supostos opositores. Nesta semana, disponibilizou um vídeo obsceno em seu Twitter – que não é restrito para maiores de idade -, enquanto no governo Dilma criticava e denunciava a suposta exposição de sexualidade para crianças nas escolas.

Bolsonaro repete polêmicas que costumou usar para atacar o PT – só que faz isso com o sinal trocado. Compare: Educação: ‘Doutrinação’ x slogan eleitoral para alunos

O ministro da Educação de Bolsonaro, Ricardo Vélez Rodríguez, pediu às escolas que lessem aos alunos uma carta assinada por ele que continha o slogan da campanha eleitoral do presidente – “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. Na carta, ele pedia que as crianças fossem filmadas cantando o hino nacional.

O “surrealismo” apontado por opositores e até apoiadores de Bolsonaro na carta do ministro lembra o tom dos atuais governistas quando o assunto era a “ideologia de gênero” nas escolas – apontada por eles como uma estratégia do PT para doutrinar crianças e jovens para o comunismo.

Imagens explícitas

Bolsonaro causou polêmica nesta semana após postar, na noite de terça, um vídeo obsceno explícito para criticar o carnaval em que um homem urina em outro – prática sexual conhecida como “golden shower”. O vídeo teria sido gravado durante a passagem de um bloco. O conteúdo publicado pelo presidente nesta semana foi sinalizado como “sensível” no Twitter e a conta dele não é restrita a maiores de idade.

Em 2016, o então deputado criticou o Ministério da Educação da gestão de Dilma Rousseff por, de acordo com ele, sugerir para crianças, no “Portal do Professor”, que “assistam vídeos de adultos namorado”. Um ano depois, já no governo de Michel Temer (MDB), ao criticar contra uma exposição em que havia um homem nu, ele publicou um vídeo com uma tarja preta colocada em cima do órgão genital do participante da exposição. Ele não fez isto em sua publicação desta semana. “Cenas que revoltam… uma criança toca homem nu “em nome da Cultura.” Coloquei a tarja no vídeo em respeito a vocês”, escreveu o então deputado.


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