Silva e Luna impõem austeridade em Itaipu | Fábio Campana

Silva e Luna impõem
austeridade em Itaipu

Sente-se uma quebra de expectativas, um certo desconsolo, entre os políticos que se acostumaram a obter favores, sinecuras e que tais na binacional Itaipu. Mudou a linha, muda tudo. Há menos de um mês no cargo, o novo presidente da Itaipu Binacional, general Joaquim Silva e Luna, já começou a pôr em prática o que considera sua missão: gerir bem a usina, melhorando o emprego do uso de recursos como uma ação de responsabilidade e de respeito ao consumidor que paga a conta da energia elétrica.

Nesta terça-feira (19), em Curitiba, ele reuniu o corpo gerencial da Diretoria Geral para anunciar o redirecionamento e a revisão das normas de patrocínio e convênios para garantir o melhor uso dos recursos. Também haverá uma revisão, já iniciada, de todos os programas desenvolvidos pela usina binacional, para se avaliar quais devem ser mantidos ou enxugados.

Além disso, Silva e Luna está estudando a devolução de funcionários de outros órgãos públicos que atuavam principalmente como requisitados.

O presidente da binacional optou por aproveitar a estrutura de pessoal já existente, por considerar que o quadro de Itaipu é preparado e já foi convocado a participar, em equipe, da missão a que se propôs, de tornar a empresa o mais criteriosa possível na gestão de seus recursos financeiros.

Do quadro da usina, Silva e Luna vai aproveitar um empregado ou empregada para a função de secretário executivo. Juntamente com o chefe de gabinete, vai cuidar dos despachos em geral, para que o general possa cuidar dos assuntos mais estratégicos. O diretor também anunciou que o escritório de Curitiba será mantido, mas numa estrutura mais enxuta.

Exemplo
Uma das reduções de custos já adotada vem de seu próprio exemplo: em vez de morar em Curitiba, Silva e Luna decidiu fixar residência em Foz do Iguaçu, onde está instalada a usina. Ali, também deverá residir grande parte do corpo gerencial da empresa, como superintendentes e assistentes da sua diretoria. Com isso, haverá redução de gastos com viagens e diárias e será formado um centro de comando capaz de se reunir a qualquer momento em que haja necessidade.

Outra medida foi o maior controle na utilização de veículos da empresa, restringindo seu uso estritamente às atividades de serviço. O general considera que a medida trará importante mensagem de austeridade, tanto para os usuários como para a população, que só verá carros de Itaipu a trabalho, e não em deslocamentos pessoais.

Duas pontes
Um dos focos do diretor-geral brasileiro de Itaipu é o investimento que a usina terá que fazer, nos próximos três anos, para atender ao acordo firmado entre os governos do Brasil e do Paraguai: bancar a construção de duas pontes, uma sobre o Rio Paraná, entre Foz do Iguaçu (PR) e Presidente Franco (PY); e outra sobre o Rio Paraguai, entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta. A de Foz será construída pela margem brasileira de Itaipu e a do Mato Grosso do Sul pela margem paraguaia.

Juntas, essas duas pontes devem custar em torno de R$ 1 bilhão. “É um custo alto, mas será diluído ao longo do tempo, com orçamento bem feito”, diz o general Silva e Luna, que é favorável a esse investimento, por ser em obras estruturantes, e não em “coisas que no dia seguinte terminam e que ninguém consegue mensurar depois”. Só que, para que os gastos com as pontes não interfiram no custo de Itaipu, o diretor-geral brasileiro vê como saída a redução de gastos.

A construção da segunda ponte, entre Foz e Presidente Franco, também “exigirá austeridade em todos os gastos. Teremos que fazer escolhas”, diz o general Silva e Luna.

Royalties
O diretor-geral brasileiro de Itaipu lembra que, além de investimentos, a grande contribuição que Itaipu faz aos 16 municípios lindeiros ao reservatório (15 no Paraná e um no Mato Grosso do Sul) é o pagamento de royalties, vinculados à produção de energia. Uma mudança na legislação dos royalties, no ano passado, aumentou ainda mais a parcela que cabe aos municípios: antes, eles dividiam 45% do total, agora esta fatia subiu para 65%.

Itaipu paga royalties desde que começou a gerar energia, em 1985. Mas foi em 1991, com a Lei dos Royalties, que a distribuição passou a obedecer a critérios que beneficiaram mais os municípios lindeiros e o Estado do Paraná. No total, Itaipu pagou desde 1985 nada menos que 11 bilhões de dólares para o Brasil e o Paraguai. Desse valor, só os municípios lindeiros receberam 2 bilhões de dólares, enquanto o governo do Paraná recebeu outros 2 bilhões de dólares.


9 comentários

  1. Rogério
    quarta-feira, 20 de março de 2019 – 11:01 hs

    Que tal começar pelo cabide de emprego, mandando ir carpir lote, o puxa saco do temer , colocado na diretoria da Itaipu, no último dia do mandato do presidente, e a ex mulher do Gilmar Mendes, todos com QI acima da média. QI , é sacarsmo mesmo…

  2. Observador pleonástico
    quarta-feira, 20 de março de 2019 – 11:20 hs

    Os dois? O Silva corta e o Luna passa o facão?

    Silva e Luna impõem
    austeridade em Itaipu

  3. enfim
    quarta-feira, 20 de março de 2019 – 11:33 hs

    Enfim alguém que pensa no consumidor, Itaipu esbanja dinheiro em coisas eleitoreiras e nós pagamos a conta, tendo energia em abundancia.

  4. Norbeto Silveira
    quarta-feira, 20 de março de 2019 – 13:04 hs

    O general tem que abrir os olhos com os fantasmas de Itaipu .
    Tem caso vergonhoso. É só procurar

  5. Lindoso
    quarta-feira, 20 de março de 2019 – 14:39 hs

    Eba!!!
    Até que enfim tá chegando ordem na baiúca.
    Os Vezozo devem estar aos prantos.
    E o indicado do Req Mamona do jurídico, além
    do filho do Pessutti e da ex do Gilmar Bocão
    têm que vazar imediatamente.
    Salve novos tempos!!!!!!

  6. Orêia Sêca
    quarta-feira, 20 de março de 2019 – 18:22 hs

    Muito bom senhores.
    Que tal uma Auditoria abrangendo todos os anos de administração PTralha na Itaipu?
    É só mexer que vai feder!
    Topam ou vão amarelar?

  7. Alvaro Santos
    quarta-feira, 20 de março de 2019 – 18:37 hs

    E continuam falando mal da administração Bolsonaro… bem, esperar que ladrões falem bem de que os flagra seria demais.

  8. HORA DA VERDADE
    quarta-feira, 20 de março de 2019 – 18:57 hs

    E aquela decisão do STF, que acatou, por unanimidade como fez o TRF4a
    o STJ, o mandato de segurança para que a ITAIPU aceitasse a proposta mais barata da licitação da construção do Linhão de Foz até Assunção e que hoje representam 200 milhões de dólares, como é que fica General?

  9. Catarina madlaine
    quinta-feira, 21 de março de 2019 – 6:28 hs

    E quando irá acabar com o absurdo dos requisitados? Tem gente requisitada há mais de 10 anos , mesmo a empresa já tendo aberto diversos concursos para preencher vagas , sem falar nos últimos deixados para trás pela última diretoria , desde professora primária até professor de educação física , evidentemente apadrinhados políticos . Vergonha , tá na hora de moralizar!

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