Feminícidio: a polícia se atrasou. A morte chegou antes | Fábio Campana

Feminícidio: a polícia se atrasou.
A morte chegou antes

Daniela Alves foi encontrada morta em Fazenda Rio Grande, em janeiro; policias chegaram ao local apenas depois do crime, porque estavam atendendo outras ocorrências, diz PM. Vizinhos ligam várias vezes para a PM, mas viatura chega só depois que mulher é morta.
Gravações telefônicas mostram que vizinhos ligaram para a Polícia Militar (PM) para denunciar a briga de casal que terminou com a morte de Daniela Eduarda Alves, em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba. O marido dela, Emerson Bezerra, foi preso suspeito de ter esfaqueado Daniela. Os dois estavam casados há três anos.

De acordo com áudios anexos à investigação, pelo menos oito ligações de vizinhos foram registradas, antes do crime. Nos áudios, os moradores cobram a chegada da equipe policial, diante do alto barulho das agressões. O caso repercute nacionalmente. Ouçam a BandNews

Os atendentes da PM respondem que os carros estão atendendo outras ocorrências e que, por isso, era necessário esperar. O socorro chegou, quando a vítima já estava morta.

Confira, no Leia Mais, trechos das ligações feitas.

Ligações

Atendente da PM: “Polícia militar, emergência”.

Denunciante: “Eu estou ouvindo uns gritos aqui atrás da minha rua, uma mulher pedindo socorro”.

Nas ligações, os moradores relatam sobre as agressões.

Denunciante: “Tem um homem, um vizinho que está batendo muito na mulher. Eu acho que até matou”.

Os vizinhos insistem, desesperados.

Denunciante: “É a terceira vez que eu estou ligando”.

Policial: “Já está sendo encaminhado o atendimento aí”.

Denunciante: “Meu Deus, mas por quê demora tanto?”.

Policial: “Porque a viatura, ela está dando atendimento a uma outra ocorrência, daí tem que esperar liberar, para atender essa”.

A primeira ligação dos moradores para a polícia foi registrada às 1h da madrugada. Emerson matou Daniela às 1h40. Segundo a polícia, a viatura só chegou ao local do crime às 2h20. Entre a primeira ligação e a chegada dos policiais, se passou uma hora e vinte.

Depois do crime, Emerson fugiu para casa do padrasto, que denunciou o assassinato para a polícia. Veja, abaixo.

Padrasto: “Oi, boa noite”.

Policial: “Boa noite, qual é a emergência?”

Padrasto: “Meu enteado tá aqui na minha casa, ele diz que matou a esposa dele lá na Fazenda Rio Grande. ele tá todo ensanguentado”.

A defesa de Emerson Bezerra afirmou que o réu é confesso, mas que entende que não se trata de feminicídio e disse que vai provar isso ao longo do processo.


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