Maia: discussão sobre BPC prejudica aprovação da reforma da Previdência | Fábio Campana

Maia: discussão sobre BPC prejudica aprovação da reforma da Previdência

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou que as discussões em relação ao Benefício da Prestação Continuada (BPC) pago aos idosos e em relação à aposentadoria rural podem contaminar o debate e inviabilizar a reforma da Previdência (PEC 6/19). Segundo ele, o próprio governo reconhece que o BPC não é relevante do ponto de vista fiscal e que a Medida Provisória (871/19) que altera as regras de concessão de benefícios previdenciários, já busca combater a fraude no setor.

“Ontem, eu vi o (secretário da Previdência, Leonardo) Rolim falando que o impacto fiscal é negativo. Se é negativo porque a gente vai tratar de uma parte da sociedade que está excluída e não consegue trabalho. Vamos concentrar na idade mínima do regime geral, fazendo a transição e vamos concentrar no serviço público dos três Poderes para que a gente possa ter um sistema previdenciário equilibrado. Acho que a aposentadoria rural tem uma força muito grande no Nordeste e no Sul, mas a aposentadoria rural acho que tem que discutir, mas acho que esse incremento dos 15 anos para os 20 anos ele é muito pesado na base da sociedade”.

Maia voltou a dizer que a comunicação é decisiva para o governo explicar para o cidadão comum os objetivos da reforma. Ele reafirmou ainda que essa é a última oportunidade de se reorganizar o sistema previdenciário sem retirar direitos ou cortar aposentadorias como aconteceu em países europeus como Portugal, Grécia e Espanha.

“Vamos transformar os salários e aposentadorias todos em precatórios, porque ninguém mais vai ter dinheiro para pagar, porque nem o governo federal vai emitir dívida para pagar salários e aposentadorias e ninguém vai receber”.

O presidente da Câmara ressaltou ainda a importância de o governo fazer uma aliança de governabilidade para os anos seguintes à aprovação da reforma. Segundo ele, isso é mais importante do que garantir cargos e emendas aos parlamentares.

“Se aprovar a previdência e o Brasil voltar a crescer, qual é o papel que aqueles que ajudaram a aprovar a previdência vão ter na aliança do governo, claro que um vai querer um cargo, mas acho que não isso seja no nosso principal problema. Ele é mais complexo, porque com essa previdência aprovada, não tenho d´vida tanto presidente como os governadores terão um ambiente muito positivo para seus governos, não é porque a bancada da segurança pública, do agronegócio está sendo atendida nas suas demandas pelo governo é que vão votar a previdência”.

Rodrigo Maia também foi questionado sobre a crise com a Venezuela. O presidente do país, Nicolás Maduro, bloqueou a entrada de ajuda humanitária pelas fronteiras e houve conflitos na região. Maia explicou que se posicionou contrário à ajuda humanitária à Venezuela, quando consultado pelo governo brasileiro, porque, segundo ele, isso agravaria o conflito. Para o presidente da Câmara, o Brasil não pode ser instrumento de outros países em um conflito.


3 comentários

  1. johan
    segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019 – 22:54 hs

    Caro Fábio, por em discussão o BPC – Benefício de Pagamento Continuado, pagos aos idosos além de 60 anos no valor de R$400,00 por mês, e aos idosos acima de 70 anos no valor de R$ 998,00 é de uma HIPOCRISIA que dói qualquer brasileiro. Vejam que eles não estão discutindo o BPC dos magistrados que ganham acima de R$80.000,00, nem dos altos funcionários federais que ganham acima de R$100.000,00, nem de parlamentares. A proposta de reforma é elevar a cobrança das tarifas em 22,0% para os funcionários que continuarão receber acima de R$60.000,00. Contudo a cobrança não é 22,0% direto, é escalonado. E tem mais, a cobrança não é sobre o valor percebido no mês, é sobre o salário base, pois ficam isentos os acessórios e penduricalhos. É assim que as lideranças dos parlamentares desejam efetuar a reforma. E tem mais, ainda estarão defendendo os que mais percebem, para evitar a precarização dos valores recebidos, que não podem receber de aposentadoria valores inferiores a R$20.000,00, por funcionário público. Atenciosamente.

  2. Décio
    terça-feira, 26 de fevereiro de 2019 – 7:31 hs

    Esta reforma quer escravizar o povo brasileiro, bem feito, quem mandou votar no Bozo.

  3. Mestre Yoda
    terça-feira, 26 de fevereiro de 2019 – 14:36 hs

    Mexer no que está dando certo é prova de burrice e precisa ser consertado. Deixem o BPC como está bem como o Bolsa Família, é só cortar do programa os canalhas que ainda restam e tocar em frente. E fazer a reforma chegar nos andares de cima, pois é aonde mora o problema. A reforma da Previdência Social seria melhor entendida se o Governo tivesse começado por ele mesmo, pelo Executivo, depois o Judiciário e o Legislativo sem deixar os milicos de fora.

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