Onyx diz que Bolsonaro não recebeu cheque em branco | Fábio Campana

Onyx diz que Bolsonaro não recebeu cheque em branco

O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, tomou posse nesta quarta (2) com um discurso conciliador e apelando à oposição por um pacto para que ajude a gestão Jair Bolsonaro (PSL) a governar o país. Na frente do chefe, afirmou que ele não “recebeu um cheque em branco” da população ao ser eleito no segundo turno contra Fernando Haddad (PT).
Na véspera, o presidente havia citado a necessidade de apoio parlamentar em discurso no Congresso, mas sua fala pública na praça dos Três Poderes retomou a retórica agressiva da campanha eleitoral, dizendo que havia começado a libertar o país do “socialismo” associado ao PT.
A modulação do discurso parece indicar uma nova dinâmica no Planalto sob nova gestão, em que declarações incendiárias para galvanizar a base de apoio de Bolsonaro são intercaladas por falas apaziguadoras destinadas aos atores políticos.

Bolsonaro deu posse, no Palácio do Planalto, a Onyx e ao secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno (PSL-RJ). Os dois generais de quatro estrelas da reserva que integram o novo núcleo duro palaciano, Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo), também assumiram. O presidente não discursou ou deu declarações, saindo do evento para receber o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo.

Onyx, usualmente um crítico ácido do PT e da esquerda, afirmou que “o governo vai surpreender” por sua capacidade de diálogo com o Congresso, incluindo aí a oposição. “Não podemos errar, e uma das formas [para isso] é ter bons ouvidos para aqueles que se opem ao nosso governo”, afirmou Onyx.

“Não é possível que a oposição não possa compreender, assim como o governo, que vamos ter que olhar primeiro para o Brasil, para as famílias brasileiras, presente das pessoas e garantir o futuro”, completou.

O novo ministro disse ainda que as disputas políticas “podem e devem ser travadas”, mas que “o diálogo será necessário” daqui para frente.

Onyx era deputado do DEM-RS quando aderiu, há quase dois anos, ao projeto presidencial de Bolsonaro. Lembrou o preceito bíblico de que “muitos são chamados, poucos são escolhidos”, e disse que o presidente foi “chamado por Deus”. Citou o atentado a faca que ele sofreu em 6 de setembro, em Juiz de Fora. “Disse que estaríamos juntos para matar ou morrer”, afirmou, completando que não imaginava que seria algo literal.

Ambos, ministro e presidente, demonstraram estar bastante emocionados durante o discurso. Elogiou a todos os presentes, em especial o general Heleno, conselheiro principal de Bolsonaro nos últimos dois anos. O chamou de “nosso guru” em mais de uma ocasião. O antecessor de Onyx, Eliseu Padilha, defendeu o legado de Michel Temer (MDB) e disse que o novo governo terá de mostrar serviço. “Desejo que tenha tanta ou mais sorte do que tivemos. E que consiga fazer mais, porque a expectativa do Brasil é muito grande e temos de corresponder, temos de ter ações para corresponder”, afirmou.

Na mão inversa da fala de Onyx, Bebianno empunhou a bandeira retórica do bolsonarismo em seu discurso. Homem-forte da campanha, mas enfraquecido durante a transição, ele disse que “o amor à nossa Pátria seja resgatado, amplificado da mentalidade bolivariana que insiste em ameaçar democracias na América do Sul”.

Além disso, assim como o chefe no discurso da posse da terça (1º), remeteu à facada e disse que houve “suor, lágrimas e literalmente sangue, sangue derramado no covarde atentado”. Afirmou esperar que o “liberalismo econômico seja implantado em favor de nós” e acenou aos ministros militares, com quem teve diversas divergências na campanha e na transição.
As informações são do Notícias ao Minuto.

(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)


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