O DEM no governo – ou quando a realidade se impõe | Fábio Campana

O DEM no governo – ou quando a realidade se impõe

Helena Chagas,
Por trás da cortina de fumaça de dezenas de anúncios que pipocam numa espécie de “reforma ideológica”, o novo governo não levou nem 24 horas para sinalizar seu movimento mais importante depois da posse. Docilmente, o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, anunciou apoio à candidatura de Rodrigo Maia à reeleição para a presidência da Câmara. O que significa isso para os destinos do governo? Muita coisa.
Acima de tudo, e se Maia de fato chegar lá, Bolsonaro começa a fechar uma equação política que pode lhe garantir a aprovação da reforma da Previdência – hoje colocada pela equipe econômica como condição sine qua non para a retomada da economia e, portanto, para o próprio sucesso do governo que se inicia.

Não por acaso, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tomou posse nesta quarta-feira defendendo a reforma como principal medida legislativa do governo, tendo a seu lado, no palco, um sorridente Rodrigo Maia – com quem, aliás, se dá muito bem há muito tempo. A decisão do PSL foi unanimemente elogiada por integrantes da equipe econômica, como Mansueto de Almeida, herdado do governo Temer, e Rogério Marinho, ex-relator da reforma trabalhista que não se reelegeu e virou secretário na Fazenda. Todos ali comemoraram.

O acordo do PSL com Rodrigo Maia também tem o poder de jogar o DEM, partido do deputado, no colo de Bolsonaro. Até agora, os três ministros do partido (Onyx Lorenzoni, Tereza Cristina e Luiz Mandetta) chegaram à Esplanada à revelia de sua direção. Com o apoio a Maia, a adesão formal do DEM, que deve reunir sua executiva ainda em janeiro, é questão de (pouco) tempo.

E o PSL e demais integrantes do governo que se cuidem, porque esse pessoal, além de ter quadros competentes, é profissional na ocupação dos espaços. Apesar do discurso do fim das barganhas politicas e do toma-lá-dá-cá, a tendência é que Bolsonaro vá sendo aos poucos enredado na teia do DEM, que vai lhe dar articulação para formar maioria legislativa e, possivelmente, aprovar reformas. Mas é óbvio que, filho do PFL, neto do PDS e bisneto da Arena, vai querer algo em troca.

Talvez por isso Bolsonaro tenha evitado até ontem essa aliança. Seus filhos Flávio e Eduardo, que não simpatizam com Maia, chegaram a revelar publicamente sua resistência à reeleição do deputado – que, a rigor, será mais do mesmo na condução do Legislativo.

Só que, no melhor estilo da famigerada “velha política”, Rodrigo Maia vem trabalhando bem, conquistando a cada dia mais apoios à sua candidatura, inclusive na oposição do PT, PDT, PCdoB e PSB.

Bolsonaro – que oficialmente vai sustentar o discurso da neutralidade – teve que se render: melhor vê-lo se eleger presidente da Câmara num acordo que inclui seu partido e sua base, com a qual terá que fazer compromissos, do que tê-lo como adversário, eleito com o apoio decisivo da oposição.

Pragmaticamente, mandou os meninos calarem a boca e abraçou o inevitável. Vai acabar governando com o DEM.

(Foto: Fátima Meira/Futura Press/Folhapress/Reprodução)


Um comentário

  1. Estadista da Silva
    quinta-feira, 3 de janeiro de 2019 – 16:57 hs

    Voce continua postando reportagens de petistas? Pare com isto !!!!!

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