A carta de despedida de Jean Wyllys: 'Até um dia!' | Fábio Campana

A carta de despedida de Jean Wyllys: ‘Até um dia!’

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) deixou uma carta aos colegas de partido para explicar sua saída do País, do documento, ele relata ameaças e silêncio da PF. Leia na íntegra:

Queridas companheiras e queridos companheiros,

Dirijo-me hoje a vocês, com dor e profundo pesar no coração, para comunicar-lhes que não tomarei posse no cargo de deputado federal para o qual fui eleito no ano passado.
Comuniquei o fato, no início desta semana, ao presidente do nosso partido, Juliano Medeiros, e também ao líder de nossa bancada, deputado Ivan Valente.
Tenho orgulho de compor as fileiras do PSol, ao lado de todas e todos vocês, na luta incansável por um mundo mais justo, igualitário e livre de preconceitos. 

Tenho consciência do legado que estou deixando ao partido e ao Brasil, especialmente no que diz respeito às chamadas “pautas identitárias” (na verdade, as reivindicações de minorias sociais, sexuais e étnicas por cidadania plena e estima social) e de vanguarda, que estão contidas nos projetos que apresentei e nas bandeiras que defendo; conto com vocês para darem continuidade a essa luta no Parlamento.

Não deixo o cargo de maneira irrefletida. Foi decisão pensada, ponderada, porém sofrida, difícil. Mas o fato é que eu cheguei ao meu limite. Minha vida está, há muito tempo, pela metade; quebrada, por conta das ameaças de morte e da pesada difamação que sofro desde o primeiro mandato e que se intensificaram nos últimos três anos, notadamente no ano passado. Por conta delas, deixei de fazer as coisas simples e comuns que qualquer um de vocês pode fazer com tranquilidade. Vivo sob escolta há quase um ano. Praticamente só saía de casa para ir a agendas de trabalho e aeroportos. Afinal, como não se sentir constrangido de ir escoltado à praia ou a uma festa? Preferia não ir, me resignando à solidão doméstica. Aos amigos, costumava dizer que estava em cárcere privado ou prisão domiciliar sem ter cometido nenhum crime.

Todo esse horror também afetou muito a minha família, de quem sou arrimo. As ameaças se estenderam também a meus irmãos, irmãs e à minha mãe. E não posso nem devo mantê-los em situação de risco; da mesma forma, tenho obrigação de preservar minha vida.

Ressalto que até a imprensa mais reacionária reconheceu, no ano passado, que sou a personalidade pública mais vítima de fake news no país. São mentiras e calúnias frequentes e abundantes que objetivam me destruir como homem público e também como ser humano. Mais: mesmo diante da Medida Cautelar que me foi concedida pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da OEA, reconhecendo que estou sob risco iminente de morte, o Estado brasileiro se calou; no recurso, não chegou a dizer sequer que sofro preconceito, e colocaram a palavra homofobia entre aspas, como se a homofobia que mata centenas de LGBTs no Brasil por ano fosse uma invenção minha. Da polícia federal brasileira, para os inúmeros protocolos de denúncias que fiz, recebi o silêncio.

Esta semana, em que tive convicção de que não poderia – para minha saúde física e emocional e de minha família – continuar a viver de maneira precária e pela metade, foi a semana em que notícias começaram a desnudar o planejamento cruel e inaceitável da brutal execução de nossa companheira e minha amiga Marielle Franco. Vejam, companheiras e companheiros, estamos falando de sicários que vivem no Rio de Janeiro, estado onde moro, que assassinaram uma companheira de lutas, e que mantém ligações estreitas com pessoas que se opõem publicamente às minhas bandeiras e até mesmo à própria existência de pessoas LGBT. Exemplo disso foi o aumento, nos últimos meses, do índice de assassinatos de pessoas LGBTs no Brasil.

Portanto, volto a dizer, essa decisão dolorosa e dificílima visa à preservação de minha vida. O Brasil nunca foi terra segura para LGBTs nem para os defensores de direitos humanos, e agora o cenário piorou muito. Quero reencontrar a tranquilidade que está numa vida sem as palavras medo, risco, ameaça, calúnias, insultos, insegurança. Redescobri essa vida no recesso parlamentar, fora do país. E estou certo de preciso disso por mais tempo, para continuar vivo e me fortalecer. Deixar de tomar posse; deixar o Parlamento para não ter que estar sob ameaças de morte e difamação não significa abandonar as minhas convicções nem deixar o lado certo da história. Significa apenas a opção por viver por inteiro para me entregar as essas convicções por inteiro em outro momento e de outra forma.

Diz a canção que cada ser, em si, carrega o dom de ser capaz e ser feliz. Estou indo em busca de um lugar para exercitar esse dom novamente, pois aí, sob esse clima, já não era mais possível.

Agradeço ao Juliano e ao Ivan pelas palavras de apoio e outorgo ao nosso presidente a tarefa de tratar de toda a tramitação burocrática que se fará necessária.

Despeço-me de vocês com meu abraço forte, um salve aos que estão chegando no Legislativo agora e à militância do partido, um beijo nos que conviveram comigo na Câmara, mais um abraço fortíssimo nos meus assessores e assessoras queridas, sem os quais não haveria mandato, esperando que a vida nos coloque juntos novamente um dia. Até um dia!

Jean Wyllys

23 de janeiro de 2019


21 comentários

  1. Armando Pinto
    sexta-feira, 25 de janeiro de 2019 – 13:06 hs

    Tem Linguiça debaixo desta farofa!

  2. joca
    sexta-feira, 25 de janeiro de 2019 – 13:12 hs

    A extrema imprensa quer carimbar em Jean Wyllys o status de “perseguido político”, esse covarde sequer fez um B.O para se comprovar a tal “perseguição”,seus mártires realmente são todos VERMELHOS, isso só pode ser brincadeira!

  3. Luis Carlos ramos
    sexta-feira, 25 de janeiro de 2019 – 13:25 hs

    Esta carta não me convenceu
    tem algo mais no ar,
    fora Urubus e Aviões de carreira

  4. EU
    sexta-feira, 25 de janeiro de 2019 – 13:56 hs

    Este sujeito mora no Rio?
    Então é melhor ele vazar pois qualquer morador da cidade maravilhosa há muito está sob risco por culpa da classe política da qual o agora “exilado” fez parte enquanto lhe foi conveniente.

  5. Mario
    sexta-feira, 25 de janeiro de 2019 – 14:09 hs

    Como tem gente doente???? será que não tem informação do crescimento da violencia contra a mulher…. contra os Indios…e contra os Gays….

  6. flavio
    sexta-feira, 25 de janeiro de 2019 – 15:23 hs

    A Justiça deveria averiguar melhor esta mudança deste sujeito pode ter coisa ruim por trás e esta se mandando enquanto da tempo.

  7. Aprigio Fonseca
    sexta-feira, 25 de janeiro de 2019 – 16:09 hs

    Por muito menos as rusgas dele com o Bolsonaro e filhos,Marielle foi morta,e ai voce ve foto dele e os filhos fazendo arminha com sicários que mataram a vereadora tem que ter medo mesmo que a coisa é braba.

  8. Aloisio
    sexta-feira, 25 de janeiro de 2019 – 17:13 hs

    A esquerda é bem articulada. Nada está sendo por acaso, isso é para minar 2022. Colocar atual governo como perseguidor e consequentemente ganhar votos lá na frente. Vcs acham mesmo que um deputado reeleito que tem inúmeras mordomias vai largar por causa de uma “ameaça”?

  9. Paulo
    sexta-feira, 25 de janeiro de 2019 – 17:15 hs

    Não confiem na renúncia do Jean Willys. Ele costuma dar pra trás.

  10. Moisés Fróes
    sexta-feira, 25 de janeiro de 2019 – 17:22 hs

    Fugindo do pu de quê figura, do fantasma do Adélio?

  11. Juca
    sexta-feira, 25 de janeiro de 2019 – 17:31 hs

    Venezuela ou Cuba será o destino?

  12. Zabra Q Tize
    sexta-feira, 25 de janeiro de 2019 – 17:35 hs

    Que o diabo o carregue e vá fornecer o marquês de rabicó em outro canto.

  13. Do Interior...
    sexta-feira, 25 de janeiro de 2019 – 17:40 hs

    Está fugindo. A investigação do Adélio está chegando perto. Bom, basta pensar que o esfaqueador era do PSOL, mesmo partido desse lixo aí.

  14. antonio carlos
    sexta-feira, 25 de janeiro de 2019 – 18:20 hs

    Pobrezinho do ex-deputado, agora deve estar muito feliz, morando longe deste país tão horroroso e violento. Pode sair a rua sem estar cercado de seguranças, ir aonde quiser sem medo de ser reconhecido e vaiado, ou aplaudido quem sabe. Caso esteja refugiado na França vai ser ovacionado toda vez que se encontrar com os marmitas que por lá também se refugiaram, ser resistente longe do Brasil é mesmo maravilhoso. Mas caso esteja em outro país também vai se encontrar com outros brazucas, refugiados ou não, aí pode ser vaiado, é o horror que insiste em persegui-lo

  15. sábado, 26 de janeiro de 2019 – 0:16 hs

    Acho que o Jeanzinho está se precipitando.
    Veja bem, se alguém tivesse ameaçado o Bolsonaro, antes do ocorrido
    que ia pegá-lo, matá-lo ou furá-lo, vocês acham que ele (Bolsonaro) ia dormir de toca?
    Acho que o Jean cometeu algum pecado mais grave e não quer confessar e por isso está se mandando. Ou será que ele cuspiu de novo na cara de alguém mais bravo que o Bolsonaro?

    Quem vai matar não manda recado!

  16. Luiz Eduardo Kossatz Hunzicker
    sábado, 26 de janeiro de 2019 – 7:18 hs

    Sugiro que não retorne mais e que lá fora adote o nome de VIVI.

  17. JÁ ERA...
    sábado, 26 de janeiro de 2019 – 7:41 hs

    Sair do país por qualquer motivo sempre foi a prova concreta de
    que covardes não entram em fria. Se o cara foi “eleito” ainda por
    eleitores imbecis que existem por aí, que vá pra bem longe !!!

  18. Parreiras Rodrigues
    sábado, 26 de janeiro de 2019 – 9:28 hs

    Um deputado no parlamento brasileiro com o nome de Jean Willys…Eleito pelos afficionados do BBB, aquele programa que as moças (?) conhecem de manhã os participantes masculinos (?) e à noite já estão debaixo de edredons com eles, sob a assistência embevecida dos pais…

  19. Parreiras Rodrigues
    sábado, 26 de janeiro de 2019 – 9:29 hs

    “aficcionados”…

  20. Juca
    sábado, 26 de janeiro de 2019 – 11:25 hs

    Além do passaporte deve levar uma licença do IBAMA que controla a fauna brasileira.

  21. Juca
    sábado, 26 de janeiro de 2019 – 20:00 hs

    Tem que tirar licença do Ibama para deixar o país. Não esqueça.

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