Procuradores denunciam 12 pessoas na 57ª fase da Lava-Jato | Fábio Campana

Procuradores denunciam 12 pessoas na 57ª fase da Lava-Jato

O Globo

Procuradores da Lava-Jato de Curitiba denunciaram nesta quinta-feira 12 pessoas acusadas de corrupção e lavagem de dinheiro em negociações de compra e venda de óleos de combustíveis e derivados com a Petrobras que teriam beneficiado a empresa Vitol, uma gigante do setor de trading.

Entre os denunciados nesta tarde estão Carlos Henrique Nogueira Herz; Luiz Eduardo Loureiro Andrade; Bo Hans Vilhelm Ljungberg (agente intermediário, que tinha a confiança dos executivos da Vitol para fomentar o esquema criminoso); Carlos Roberto Martins Barbosa; Rodrigo Garcia Bewrkowitz, Marcus Antonio Pacheco Alcoforado; Cesar Joaquim Rodrigues de Lima e Jorge de Oliveira Rodrigues (ex-funcionários da gerência executiva de marketing e comercialização da Petrobras); além de Gustavo Buffara Bueno; André Luiz dos Santos Pazza; Paulo Cesar Pereira Berkowitz e Deni França Moura, que atuavam na lavagem da propina arrecadada pelos funcionários públicos.

Essa é a segunda denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) nos últimos seis dias sobre a 57ª fase da Lava-Jato. Na última sexta-feira (14), a força-tarefa ofereceu a primeira denúncia relacionada à Trafigura, outra empresa multinacional do setor.

De acordo com a força-tarefa, as investigações apontaram que as operações de compra e venda de óleos combustíveis entre a estatal e a Vitol envolveram o pagamento de propinas de US$ 2,85 milhões – o equivalente a mais de R$ 11 milhões.

O MPF sustenta que há evidências que apontam pagamento de propina pela Vitol para obter facilidades, preços mais vantajosos e operações de trading de óleos combustíveis e derivados de petróleo com maior frequência.

“Para receberem a propina, os funcionários públicos denunciados, ajustados com pessoas de sua confiança, praticaram vários crimes de lavagem de ativos para esconder o dinheiro sujo, mediante abertura de contas offshores no exterior, celebração de contratos de câmbio com justificativa falsa e conversão da propina em imóveis”, sustentam os procuradores da Lava-Jato na denúncia.

A reportagem ainda não conseguiu contato com a Vitol. No último dia 5, quando foi deflagrada a 57ª fase da Operação Lava-Jato, a Vitol informou que adota política de tolerância zero em relação à práticas de corrupção. A empresa também disse que está à disposição e disposta a cooperar com autoridades de qualquer jurisdição que tem negócios do mundo para esclarecer assuntos relacioados à acusações de irregularidades.

Outros quatro denunciados pela força-tarefa
Na sexta-feira, 14, a força-tarefa denunciou quatro envolvidos em um esquema de corrupção de operações de trading de óleo combustível entre a Petrobras e o Grupo Trafigura. As propinas somaram cerca de US$ 1,5 milhões.

Foram denunciados os ex-executivos do Trafigura, Mariano Marcondes Ferraz e Marcio Pinto de Magalhães, o operador financeiro Carlos Henrique Nogueira Herz e Marcus Antonio Pacheco Alcoforado, ex-gerente da estatal.

Os procuradores afirmam que o pagamento de propina envolveu contas ocultas no exterior e pagamentos feitos em espécie no Brasil durante seis anos. O MPF afirma que a denúncia é a primeira decorrente da 57ª fase da Lava-Jato, que envolveu operações internacionais da Petrobras, e que as investigações prosseguem em relação a outras tradings.


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