O bagre de Bolsonaro | Fábio Campana

O bagre de Bolsonaro

Mary Zaidan

Com um time eclético que contentou muitos e desagradou outros tantos em proporções quase idênticas, Jair Bolsonaro chega à sua diplomação como presidente nesta segunda-feira, 10, com quase toda a equipe escalada. Resta apontar alguém para o Ministério do Meio-Ambiente, mais uma área em que o ex-capitão e boa parte dos seus tateiam com viseiras ideológicas.

Questões ambientais pouco frequentaram o programa de Bolsonaro, limitado a generalidades sobre a maior parte dos temas. O discurso do eleito também não foi muito além.

Sabe-se que ele desconfia do aquecimento global, unindo-se aos negacionistas climáticos, uma minoria de menos de 1% dos climatologistas, mas que ganhou força com a adesão de Donald Trump, de quem Bolsonaro é fã confesso. E não questionou as teses do futuro ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, para quem o combate à mudança climática é “perversão da esquerda”, marxismo puro.

Por ignorância ou má fé, Bolsonaro confunde a proposta do Triplo A – corredor ecológico que ligaria os Andes ao Atlântico – com o Acordo de Paris, do qual o Brasil é signatário e poderá deixar de sê-lo, alinhando-se com a ruptura unilateral feita pelos Estados Unidos de Trump. Motivo para que o eleito pedisse ao presidente Michel Temer que cancelasse o compromisso do Brasil de sediar a COP-25. Um vexame internacional.

Bolsonaro quer ainda acabar com “a farra das multas dadas pelo Ibama e pelo Instituto Chico Mendes” e a “mamata” das ONGs. Para a Amazônia, diz que fará, sem dizer como, preservação e exploração econômica, adiantando o apoio à construção de novas usinas hidrelétricas na região. E pretende acelerar o licenciamento ambiental, que seria um impeditivo para o desenvolvimento regional e nacional.

Nisso, o pensamento de Bolsonaro não se difere do de Lula. O ex fez de tudo para agilizar o licenciamento ambiental para construção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, que não obtiveram aval do Ibama devido à necessidade de preservação da saúde do Rio Madeira e das populações ribeirinhas. Lula esperneou, esbravejou, pressionou: “Agora não pode por causa do bagre, jogaram o bagre no colo do presidente. O que eu tenho com isso?”

As usinas do complexo Madeira foram erguidas com licenças provisórias. A interferência direta de Lula azedou de vez as relações com a então ministra Marina Silva, que pouco depois se demitiu. À época, ainda não tinham vindo à tona as transações nada republicanas do ex com as empreiteiras Camargo Corrêa e Odebrecht, metidas nas obras. Tudo parecia apenas desavenças entre desenvolvimentistas e ambientalistas.

O caminho do ilícito não parece ser o de Bolsonaro, mas ele comete o mesmo erro de Lula ao prometer hidrelétricas antecipando-se às análises e julgamento de técnicos ambientais. E o faz partindo da premissa de que preservação, cuidados com os biomas, sustentabilidade, controles climáticos e de poluição integram a pauta progressista. Coisa da esquerda, corrente do diabo que ele prometeu derrubar.

Com uma estrutura de 22 ministérios, sete a mais do que anunciou durante a campanha, Bolsonaro admitiu que está difícil encontrar alguém que comungue de suas ideias para o meio-ambiente. O bagre do futuro presidente é ideológico.


6 comentários

  1. domingo, 9 de dezembro de 2018 – 15:36 hs

    NÃO SABE DE NADA, SÓ QUE COM OUTRAS PALAVRAS NÉ?KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!!!

  2. antonio carlos
    domingo, 9 de dezembro de 2018 – 15:38 hs

    KKK a colunista é mais uma inconformada com a mudança de governo, e outra que vem com um discurso para encobrir o que realmente a incomoda, a derrota pestista. O resto é papo furado, é tão papo furado que o Ratinho se dispôs a realizar a tal conferência em Foz do Iguaçu, tirando isto do capitão e passando para ele. Um problema solucionado. E qual é o problema do Ibama deixar de financiar ONGs, elas que se financiem sozinhas e não ás custas do governo. O meio-ambiente deve andar em consonância com o agronegócio, a única atividade econômica que anda para frente neste País, quer acabar com ela também? Não conheço e nunca conheci ecologista que fosse pobre, é só gente que vive em prédio.

  3. Pablo
    domingo, 9 de dezembro de 2018 – 18:32 hs

    Caro jornalista Bolsonaro foi eleito para atender pauta dos seus eleitores e não aquilo que você acha que ele deveria fazer. Portando coloquem o rabo entre as pernas e relaxem.

  4. Fabio
    domingo, 9 de dezembro de 2018 – 20:35 hs

    Prepare-se para um governo diferente de tudo até aqui, nestes 30 anos foram as centro-esquerdas que deram as cartas, isso mudou, a direita conservadora veio para ficar, vai desatar todos os nós que os vermelhos impuseram ao Brasil desde a Nova República, quem estava acostumado com a incompetência, roubalheira e aparelhamento do Estado, segurem na cadeira, tudo vai mudar!

  5. Osnir
    segunda-feira, 10 de dezembro de 2018 – 11:08 hs

    Por enquanto o Governo Bolsonaro esta somente na retórica vamos aguardar a prática desse governo!…..

  6. Parreiras Rodrigues
    segunda-feira, 10 de dezembro de 2018 – 13:41 hs

    Vimos observando que Bolsonaro é susceptível a mudanças de posições. Acreditamos que ele repensará o comportamento diante da luta mundial pela diminuição do aquecimento global.

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