Haddad: 1ª entrevista pós-eleição | Fábio Campana

Haddad: 1ª entrevista pós-eleição

Em sua primeira entrevista depois das eleições, Fernando Haddad fez uma análise do que foi a campanha deste ano e falou sobre suas expectativas para o futuro.
Uns recortes do que disse à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo:
“Eu dizia: Existe uma onda que tem a ver com a crise [econômica] de 2008, que é a crise do neoliberalismo, provocada pela desregulamentação financeira de um lado e pela descentralização das atividades industriais do Ocidente para o leste asiático. Os EUA estavam perdendo indústrias para a China. E a resposta foi [a eleição de Donald] Trump. Isso abriria espaço para a extrema direita no mundo. Mas a extrema direita dos EUA não tem nada a ver com a brasileira. Trump é tão regressivo quanto o Bolsonaro. Mas não é, do ponto de vista econômico, neoliberal. E o chamado Trump dos trópicos [Bolsonaro] é neoliberal”.
“Eu imaginava [há dois anos] que o [João] Doria, que é essencialmente o Bolsonaro, fosse ser essa figura [que se elegeria presidente]. Achava que a elite econômica não abriria mão do verniz que sempre fez parte da história do Brasil. As classes dirigentes nunca quiseram parecer ao mundo o que de fato são”. 
“Fazia a ressalva: eu não sei o que vão fazer com o Lula. Está claríssimo que, se não tivessem condenado o Lula num processo frágil, que nenhum jurista sério reconhece como robusto, ele teria ganhado a eleição. Eu fiz 45% dos votos [no segundo turno]. Ele teria feito mais de 50%”.

“O Lula tem um significado histórico profundo. Saiu das entranhas da pobreza, chegou à Presidência e deixou o maior legado reconhecido nesse país. Ele teria força para conter essa onda.”

“Não houve uma reunião entre o Ciro e o Lula. No final, [quando ficou claro que Lula não poderia concorrer], ele foi sondado por mim e por todos os governadores do PT. Eu sou amigo, gosto do Ciro. Mas ele errou no diagnóstico. E pode voltar a errar se entender que isolar o PT é a solução para o seu projeto pessoal. O PT elegeu uma bancada expressiva, quatro governadores, fez 45% dos votos no segundo turno, 29% no primeiro. É até hoje o partido de centro-esquerda mais importante da história do país”.

“A durabilidade desse projeto depende de muitos fatores. Do quanto um eventual aumento da desigualdade no Brasil vai ser compatível com a agenda regressiva que mantém o governo no protagonismo do debate cultural do país. Haverá a tentativa de compra de tempo pela alienação de patrimônio público, seja o pré-sal ou as estatais. Com dinheiro, você ganha tempo para consolidar uma base política para promover as reformas liberalizantes”.

“O [professor português] Boaventura de Souza Santos usa uma expressão interessante, ‘sistemas híbridos’, para pensar a realidade contemporânea. Ditadura e democracia eram conceitos bem definidos. Os golpes se davam de fora da democracia contra ela. Hoje, o viés antidemocrático pode se manifestar por dentro das instituições. Ele pode se manifestar na Polícia Militar, na Polícia Federal, no Judiciário, no Ministério Público. O projeto Escola Sem Partido é um projeto autoritário que está nascendo dentro da democracia. O STF pode barrá-lo. Os pesos e contrapesos de uma República moderna vão operar? Se não operarem, você tem o modelo híbrido, com o autoritarismo crescendo por dentro. Estamos já vivendo em grande medida esse modelo. Quando um presidente eleito vem a público num vídeo dizer que os estudantes brasileiros têm que filmar os seus professores e denunciá-los, você está em uma democracia ou em uma ditadura?”.

“Eu acredito que o Lula pós-eleição está num momento mais difícil. Mas a capacidade de regeneração dele é grande. Já superou um câncer, a perda da esposa, a privação de liberdade”.

(Foto: Paulo Whitaker/Reuters)


6 comentários

  1. Tia Amélia
    segunda-feira, 26 de novembro de 2018 – 12:07 hs

    Tchau Querido!

  2. COMUNISTA VERDE AMARELO
    segunda-feira, 26 de novembro de 2018 – 12:26 hs

    Assumir que são um BANDO DE LADRÕES INCOMPETENTES E RÉUS, essa petraiada alienada da realidade não aprendeu ainda!

    Kisselasquem de VERDE E AMARELO. Chega de vermelhos alienados, como o próprio entrevistado deixou bem claro.

  3. PEDROCA DO SUDOESTE
    segunda-feira, 26 de novembro de 2018 – 13:41 hs

    Vai chorando as pitangas seu HADDAD….O choro é livre. O seu PT ,caso se recicle, se reinvente, admita seus erros, poderá um dia triunfar novamente. Tá se achando porque fez 45 % dos votos, vai devagar POSTEZINHO.

  4. segunda-feira, 26 de novembro de 2018 – 15:57 hs

    Será

  5. segunda-feira, 26 de novembro de 2018 – 15:57 hs

    Será

  6. segunda-feira, 26 de novembro de 2018 – 15:59 hs

    Será que ele fala sério?

    Estão torcendo para td dar errado,
    e tem mais escreveu um livro que
    diz que tem que por a classe mais
    baixa no cabresto e ali ficar.

    Fez parte de uma quadrilha de ladrões
    que a cada dia aparece mais falcatruas.

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