Bolsonaro recua e indica distinção entre Agricultura e Meio Ambiente | Fábio Campana

Bolsonaro recua e indica distinção entre Agricultura e Meio Ambiente

Em coletiva a emissoras católicas, o presidente eleito Jair Bolsonaro, do PSL, disse que a fusão dos ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura, “pelo que parece, será modificada”.

“Pelo que tudo indica, serão dois ministérios distintos”, declarou. “Pretendemos proteger o meio ambiente sim, mas não criar dificuldades para o nosso progresso”, afirmou, dizendo que a concessão de licenças ambientais pode levar “dez anos ou mais”.

Bolsonaro disse ainda que, se mantiver Ministério do Meio Ambiente, a pasta será comandada por “alguém voltado para a área, sem ser xiita”. A expressão é a mesma usada por ele na semana passada, quando em transmissão ao vivo para redes sociais havia dito que poderia desistir da fusão do órgão com a Agricultura. As informações são do Estadão.

Para o presidente eleito, o País é o que “mais protege” o meio ambiente. “O que a gente defende é que não criar dificuldade para o nosso progresso”, comentou.

Mais tarde, em coletiva a emissoras de TV, o presidente eleito afirmou que ainda não está certa a fusão dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, pensada para “pacificar” atritos entre as áreas. “Temos mais dois meses para discutir sobre junção da Agricultura com o Meio Ambiente”, afirmou. Bolsonaro lembrou ainda que não existe unanimidade entre ruralistas sobre a questão, por conta de possíveis “pressões internacionais”.

“Estou pronto para voltar atrás, não tem problema nenhum. Não vai ter ninguém com pressão de ONGS, um trabalho xiita. Queremos preservar o meio ambiente, mas não da forma que vem sendo feito ultimamente”.

Na quarta-feira, 31, o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, havia sinalizado que a fusão não estava certa. “O presidente ainda não bateu o martelo”, afirmou Onyx. O anúncio da fusão causou protestos na Frente Parlamentar da Agricultura, a chamada bancada ruralista, que vê a ideia com desconfiança. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, criticou a decisão, avaliando que ela trará prejuízos ao agronegócio, muito cobrado pelos países da Europa pela preservação ambiental.

Especialistas da área ambiental afirmam que a fusão é ruim para ambas as pastas, com risco de perdas irreparáveis para a conservação e uso sustentável do patrimônio natural do País.


2 comentários

  1. Parreiras Rodrigues
    sexta-feira, 2 de novembro de 2018 – 11:34 hs

    Do Leonardo Boff, das poucas coisas aproveitáveis, destaco a frase: “Os homens não veem Deus na copa de uma árvore. Por isso, eles a derrubam sem dó, nem piedade”. Os nossos agricultores, a maioria, são sim, imediatistas e predadores. E exploram o solo sem a eles nada devolver. Sabem que existe uma imensa fronteira a ser aberta (abertura para eles significa derrubada). E nesse afã, mesmo aplaudidos como os que alimentam as nossas mesas, persistem no afã da degradação do solo que, se recuperado – milhões de alqueires improdutivos, evitaria a necessidade do corte de um talo de bambu a mais. Os ventos estão se tornando mais velozes – da velocidade média de 15 a 25 km horários, chegam facilmente aos 60, 80, 100. Cercam as propriedades com arame desconhecendo que o vento e a erosão passam no meio, em cima e por baixo dele. Desrespeitam as matas ciliares e são incapazes de plantar barreiras e divisas com árvores. Dai que o vento não vendo nada à sua frente, faz o que faz, além de ressecar o solo, esparramar pragas e doenças, exigindo mais e mais produtos químicos. Os xiitas são necessários sim.

  2. Raphael
    domingo, 4 de novembro de 2018 – 14:57 hs

    Recuar não é palavra certa. Bolsonaro mostra estar afim de mudar o país, tem ideias, mas não é cabeça dura, aceita opiniões. O importante é o país, não o orgulho. O Governo vai mudar, por mais estranho que pareça.

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