FIM DE CICLO | Fábio Campana

FIM DE CICLO

Em um só dia vimos a maior transformação na política paranaense neste século. Os três grandes partidos que se revezaram no poder desde 1983, nos idos da redemocratização do país, foram defenestrados. Viraram nanicos. PSDB, MDB e PT agora são forças de segunda ou terceira ordem. As figuras referenciais da política paranaense sofreram derrotas eliminatórias, como Requião e Beto Richa. Alvaro Dias em seu sonho presidencial, fez menos que candidato a deputado no Paraná. Osmar Dias abandonou a disputa muito antes. Ou se tornaram pedestres, como Gleisi Hoffmann, do PT.

No vácuo aberto pela rejeição aos políticos tradicionais ascenderam forças antes periféricas ou coadjuvantes. Ratinho Jr, do PSD, foi eleito com 60% dos votos. Oriovisto Guimarães, empresário, nunca antes na política eleitoral, virou senador. O outro eleito é Flávio Arns, eterno outsider que vagou entre o PT e o PSDB, mas sempre teve sua própria entourage e força assentada em movimentos sociais da Igreja. Elegeu-se pelo Rede de Sustentabilidade, sem tempo de rádio e televisão, sem partido estruturado, em chapa com candidato a governador que não passou de figurante.

No parlamento os grandes partidos definharam. O PSDB não fez um único deputado federal. O MDB e o PT diminuíram as bancadas. Viram subir estranhas candidaturas de representantes emblemáticos da antipolítica, do combate à corrupção, do combate bruto à criminalidade e de afirmação de um moralismo chinfrim. Receita de sucesso. Um vento de direita varreu as formações de discurso panfletário do petismo.

É o fim de um ciclo. O desastre que o PT impôs às esquerdas com seus governos marcados pela corrupção e incompetência se expressa em resultados como esse no Paraná. Na República, um candidato de discurso moralista, de fundamentalismo religioso e eivado de preconceitos no campo dos costumes faz sucesso na amplíssima maioria silenciosa que se entusiasma com a ideia de restaurar a ordem e as regras morais para encerrar de vez a crise econômico e os seus nefastos efeitos colaterais. A esquerda, depois do lulismo, perdeu o direito de posar como se tivesse superioridade moral ou capacidade para governar o país. Ficou dele o conceito de corrupta e inconsequente. É o fim.


14 comentários

  1. Doutor Prolegômeno
    segunda-feira, 8 de outubro de 2018 – 15:48 hs

    Não sei se os “novos” serão grande coisa, mas, têm sempre 100 dias de bônus. De resto, o que houve no Paraná foi uma assepsia, uma higienização. O povo apertou o botão da descarga e mandou para o esgoto o rebotalho mais encardido e azinhavrado do século passado. É uma alegria ver o fim de carreira de seres furibundos, arrogantes, empertigados e pouco afeitos ao trabalho. Adio giorni di gloria…

  2. Daniel
    segunda-feira, 8 de outubro de 2018 – 16:11 hs

    E para presidente, resta escolher entre o péssimo e o péssimo.
    Vou anular meu voto.
    Seja que resultador der, vai dar merda.

  3. Daniel
    segunda-feira, 8 de outubro de 2018 – 16:12 hs

    Mas, falando do Paraná, adorei ver certas figuras se ferrarem.
    Requião, Cida, Richa, etc., fora certos apaniguados do Richa e da Cida que não se reelegeram como deputados estaduais.

  4. Gaudério do Piquiriguaçu
    segunda-feira, 8 de outubro de 2018 – 16:36 hs

    Muy buena análise, está sendo lida não só nos grotões do Piquiriguaçu mas até em Puente Khyjá, no Paraguai. Aqui na terra do chão vermelho também houve uma visível “limpeza”. Se o “novo” no PR é realmente novo, a gente vai ver logo.

  5. EDGAR
    segunda-feira, 8 de outubro de 2018 – 16:46 hs

    Concordo em quase tudo o que foi colocado no texto acima. Discordo na parte a qual se refere ao falso moralismo do candidado e futuro presidente do Brasil pelo fato do mesmo estar na política a mais de vinte anos e ninguém provou nada contra ele no que tange a corrupção, que está disseminada no meio politico, empresarial, judicial e fortemente também nos meios de comunicação, que em via de regra, se está mamando no dinheiro público, se fala bem do governo, inclusive aqui no Paraná.

  6. Dionleno
    segunda-feira, 8 de outubro de 2018 – 16:54 hs

    Agora é só escolher:

    Família ou Prevaricação
    Liberdade ou libertinagem
    Moral ou Kit Gay
    Bolsonaro ou Malddad

  7. segunda-feira, 8 de outubro de 2018 – 17:19 hs

    VAI VENCER QUEM TIVER MAIS VOTOS DA NOVA GERAÇÃO DE XUPETAS!!!

  8. antonio carlos
    segunda-feira, 8 de outubro de 2018 – 17:56 hs

    kkk o esquerdismo chinfrim encabeçado pelo 51 foi por água abaixo.Não sou moralista, racista, xenófobo e muito menos fascista ou nazista. E nem nacionalista, sou contra a corrupção, a roubalheira e a incompetência. O moralismo não faz parte dos meus ideais de vida mas sou contra destruição da sociedade e dos seus valores. Sou democrata e é pela democracia que votei e votarei pelo fim do pestismo e deste esquerdismo boçal e arrogante

  9. Sisi
    segunda-feira, 8 de outubro de 2018 – 18:18 hs

    Concordo Edgar e Dioleno e acrescento ainda que estes jornalistas me causam muita desconfiança quando ridicularizam conceitos importantes como moral e religião. Que seja ateu e ache moral algo desnecessário ou antiquado, não me incomoda, respeito. Cada qual sabe o que faz da sua vida, mas respeite quem ainda se pauta por tais padrões, que mantém os seres humanos menos parecidos com animais.

  10. HORA DA VERDADE
    segunda-feira, 8 de outubro de 2018 – 18:41 hs

    IMUNIZAÇÃO COGNITIVA

    Por que mesmo com tantas provas contra o Lula e tantos outros Petistas, eles não caem na real, como acontece, por exemplo, com os eleitores do Aécio Neves que nunca mais votarão nele, por que com o líder preso as pessoas que são eleitores petistas continuam apoiando ladrões comprovadamente condenados em duas instâncias?
    Entenda cientificamente como a neurociência explica isso!

    Os estudiosos explicam com a imunização cognitiva.

    Cognitiva vem de cognição, que é o processo de aquisição do conhecimento, incluindo o pensar, a reflexão, a imaginação, a atenção, raciocínio, memória, juízo, o discurso, a percepção visual e auditiva, a aprendizagem, a consciência, as emoções. Envolve os processos mentais que influenciam o comportamento de cada indivíduo.

    A imunização cognitiva é um escudo que permite que as pessoas se agarrem a valores e credos, mesmo que fatos objetivos demonstrem que eles não correspondem à verdade. A pessoa cognitivamente imunizada está no terreno da fé, que dispensa o raciocínio lógico. Para ela, argumentos lógicos não têm relevância.

    E então assistimos gente com estudo, inteligente, articulada, que sabemos que não está tirando nenhum proveito material, defendendo em público o indefensável. Como é que essas pessoas chegam a esse ponto?

    Bem, existem ao menos cinco fases no processo de imunização cognitiva.

    Primeira fase: isolamento de quem tem opiniões contrárias, protegendo suas ideias. A pessoa vai eliminando de seu convívio ou mesmo de sua atenção, quem pensa diferente.

    Segunda fase: redução da exposição às ideias contrárias. Passa a ler e ouvir apenas as opiniões em linha com seus credos. Nos estados totalitários, é quando a liberdade de expressão passa a ser ameaçada, quando a imprensa perde a liberdade, quando vozes dissidentes são caladas. É quando os processos educacionais adotam opiniões selecionadas, com autores e textos cuidadosamente escolhidos para seguir apenas uma visão de mundo.

    Terceira fase: conexão dos credos a emoções poderosas. Se você não seguir aquelas ideias, algo de ruim vai acontecer. Lembra do “se você pecar, vai para o inferno”? Se você não votar naquele candidato, sua vida, suas economias, seus benefícios estarão em perigo…

    Quarta fase: associação a grupos que trabalham para combater as ideias dos grupos contrários. Isso acontece não só em política, mas até mesmo na ciência, quando métodos de investigação científica focam nas fraquezas das teorias adversárias, ignorando os pontos fortes.

    Quinta fase: a repetição. Repetição, repetição, repetição. Cria-se um tema, um slogan que materializa um determinado credo ou visão, que passa a ser repetido como um mantra, numa técnica de aprendizado. O grito “não vai ter golpe”, por exemplo, não é uma criação espontânea, obra do acaso. É pensado, calculado. Sua repetição imuniza cognitivamente as pessoas contra os argumentos a favor do impeachment.

    Os especialistas em psicologia das massas sabem que nossas mentes evoluíram muito mais para proteger nossos credos que para avaliar o que é verdade e o que é mentira. E os especialistas em comunicação constroem retóricas fantásticas, com intenção de desviar o tema principal e, especialmente, imunizar cognitivamente os soldados da causa.

    E aí, meu caro, minha cara, não adianta mostrar o vídeo, o recibo, o cheque, o testemunho do caseiro, a ordem da transportadora, o grampo telefônico… O imunizado cognitivo está vacinado contra fatos objetivos.
    Naturalmente esse “torpor cognitivo” não se restringe ao campo politico, social, econômico ou religioso. Ele perpassa todas as áreas da vida humana e faz, por exemplo, que uma pessoa acredite, mesmo contra a razão, que o Brasil é o melhor lugar do mundo, que o palmeiras é campeão mundial, que o capitalismo é o responsável por todos os males do mundo, que chá de boldo cura o câncer e por aí vai.

    Tá explicado então? Se você está se sentindo entorpecido das ideias, incapaz de descer do muro, provavelmente alguém está lhe ministrando umas doses de imunizante cognitivo.

    E você nem percebeu que está, seu Daniel que está com pensamento anarquista ao querer anular o voto. Fica com os ladroes e dá o salto no escuro? Que tal se o Bolsa não pode surpreender, ou a certeza da ladroagem?

  11. Denny Crane
    terça-feira, 9 de outubro de 2018 – 0:58 hs

    Levar o politicamente correto ao extremo, notadamente entre jovens e universitários, que tudo absorvem com maior entusiamo, tem sido um problema em várias culturas. Mas é uma prática recorrente da “esquerda gramsciana”, que acredita assim estar acima do bem e do mal, o que justifica tudo que possa ter sido feito para atingir os fins. Acontece que em determinado momento, todos somos atingidos, pois repentinamente algum conceito que carregamos e achamos natural, entre no “rol” daquilo a ser extirpado, e passamos a nos sentir “chateados”. e de questionados passamos a questionadores do modelo “chato”. Politicamente isto acaba em Trump, Le Pen e outros, Bolsonaro é o efeito tupiniquim. Mas é importante lembrar que Clinton era apenas uma candidata do “chatismo socialista” e só por isso preferiram Trump. Se ela estivesse presa por corrupção ou integrado a maior organização criminosa na história americana, não teria sido nem candidata. Tape seu nariz e vote naquele sujeito tosco ou seja cúmplice daquele que te assalta; è simples assim.

  12. Marco Nascimento
    terça-feira, 9 de outubro de 2018 – 1:51 hs

    Isso eh bom pra Comunistada do Alto Topete se manter quieta e parar de fazer o chato barulho. Agora deixem nos trabalhar pra reconstruir o país, que vocês da Esquerda inteira, destruíram. Campana te conheço de pequeno , você também fez parte deste ciclo e graças a Deus eh o fim da esquerda

  13. CLOVIS PENA - Ratinho/traição
    terça-feira, 9 de outubro de 2018 – 6:33 hs

    Ratinho deve ficar atento !

    Alguns traidores, que tiveram e fizeram tudo com Beto e depois o largaram pelo ambicioso oportunismo, compõe o núcleo central dos comandos de Ratinho.

    É fato, que estes mesmos, acostumados a esta prática, já foram “leais” a governos passados e pularam fora, em busca de vantagens de outro lado, negando o agasalho usado no dia anterior !

  14. ESTAMOS DE OLHO
    terça-feira, 9 de outubro de 2018 – 10:34 hs

    CONCORDO COM OS COMENTARIOS COLOCADOS
    NESTE ESPAÇO,AGORA VAMOS COMPLETAR NOSSA
    PARTE E ELEGER O 17 COM CERTEZA E SEM MEDO
    MESMO PARA PRESIDENTE E SE LIBERTAR DOS
    COMUNISTAS DE ESQUERDA.

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