As horas que faltam | Fábio Campana

As horas que faltam

Jornal do Brasil

Com 39% de votos válidos, segundo pesquisa Datafolha de ontem, Jair Bolsonaro precisa crescer 11 pontos percentuais para ser eleito presidente no primeiro turno de domingo. É muita coisa, o tempo é curto mas a onda a favor dele está forte. Bolsonaro não foi, mas também não perdeu nada, já tendo se justificado a seus eleitores com um atestado médico. Pior para Haddad, que apanha de todos, tendo o desafio de resgatar os eleitores lulistas, composto de pobres, nordestinos e deserdados em geral, que estão se bandeando para o candidato da extrema direita.

O que os move? Não são propostas de políticas econômicas e sociais, que ele não as tem. Falando pelas redes sociais aos nordestinos ontem, Bolsonaro prometeu manter o Bolsa Família, que ele já esconjurou no passado, eliminando fraudes. Esta promessa remove montanhas. O que empurra este eleitorado para a extrema direita ainda terá que ser estudado. Por ora, enxergamos o que está na superfície, como o antipetismo, adubado pela campanha de Alckmin e pela manobra do juiz Moro com a delação de Palocci, e a força das fake news do esquadrão bolsonarista contra a esquerda e o candidato do PT. Só não dizem que petistas comem criancinhas, como se dizia dos comunistas no tempo da Guerra Fria.

O arrastão das igrejas evangélicas está forte e ainda será preciso compreender a identificação destes eleitores – geralmente pobres e de baixa instrução – com o capitão. Não foi seu bordão “Deus acima de todos”, nem identidade política ou ideológica, strictu sensu. A demanda destas pessoas é de natureza moral e comportamental. Dizem que alguém precisa impor ordem ao país, e não se referem apenas a problemas na área de segurança, mas também à desenvoltura dos LGBTs, à fartura de personagens gays nas novelas e ao erotismo das músicas funks, que seriam nefastas aos filhos e filhas, por exemplo. O presidente da República não pode mudar a cultura mas Bolsonaro, que tem um Messias no nome, os convenceu de que dará jeito em tudo. Com bala ou com censura.

Pela ausência do favorito, o debate da Globo dificilmente será decisivo, contendo ou impulsionando as força em movimento.

Se houver chance

Esta conjungação de fatos e fatores, a partir do final de semana, produziu a onda que ontem levou Bolsonaro aos 35% de votos totais, e 39% de votos válidos. Haddad também cresceu um ponto mas na simulação de segundo turno o ex-capitão leva a melhor (44% a 43%), o que já antecipa enormes desafios para o conjunto da esquerda e das forças democráticas em geral, no segundo turno, se houver esta chance. Será preciso esquecer as feridas e formar uma frente, buscando despertar a consciência democrática. O PT terá que ter abertura e humildade.

A Constituição cidadã de 1988 faz hoje 30 anos mas a Nova República morreu, e o espírito que está solto é o da República Velha, tanto tempo depois da revolução de 1930: não há mais coronéis, mas há empresários ameaçando demitir milhares de empregados se votarem na esquerda. A justiça interfere diretamente na campanha, como fez Sergio Moro. Mentiras e calúnias campeiam nas redes sociais. Se os padres do passado ajudavam a encabrestar o voto, agora os pastores do obscurantismo evangélico tangem o rebanho. Serve emprestada a pergunta de um personagem de Vargas Llosa sobre o desvão peruano nos anos 70: em que momento foi que o Brasil se perdeu?

A verdade é que o país está a um passo de eleger, em primeiro turno, um candidato declaradamente racista, misógino e homófobo, assumidamente autoritário, defensor da ditadura e da tortura, disposto a virar a mesa se não ganhar e a aplicar-se um autogolpe para governar sem maioria parlamentar. O mundo, lá foram parece mais espantado do que nós, como na manchete do jornal francês “Liberation”, que indagava ontem sobre como foi que ele seduziu a maioria.


6 comentários

  1. eleitor desmemoriado
    sexta-feira, 5 de outubro de 2018 – 11:21 hs

    KKK como o jornalão carioca não tem mais o que dizer do capitão, pois o arsenal de acusações já está vazio, resolveu fazer eco ao jornal esquerdista francês. Que coisa mais feia, até parece discurso do canga Ciro que, na falta de argumentos apela para os golpes abaixo da linha da cintura. E quem se notabilizou em distribuir fake news nas redes sociais foi o pestismo com os seus blogs financiados pelo Governo. Fez escola e agora toma do veneno que o pestismo mesmo produziu. Mas não tenham medo, a Ditadura não volta nunca mais porque o eleitor do capitão não é só de evangélicos, é de gente que quer ver o pestismo jogado na lata de lixo da História

  2. Doutor Prolegômeno
    sexta-feira, 5 de outubro de 2018 – 12:15 hs

    A velha conhecida curva de vencedor. Quem sabe?! Seja quem for, o Brasil vai viver muita turbulência nos próximos meses e anos, graças à ação combinada de valentões e fanáticos justiceiros que fizeram terra arrasada da política nacional e em nada contribuíram para a melhoria da qualidade dos políticos. Criaram um ambiente hostil e dividido entre bons e maus, bandidos e mocinhos que ainda levarão o país a situações ainda piores do esta.

  3. BinLaden
    sexta-feira, 5 de outubro de 2018 – 15:55 hs

    Não comem criancinhas mas eliminam quem os poderiam denunciar, quando podem

  4. Fabio
    sexta-feira, 5 de outubro de 2018 – 16:06 hs

    Jair Bolsonaro matematicamente com 53 milhões de votos, isso fora os Burn out, ta eleito! Viva o patriotismo, viva o Brasil, é B17 e subindo!

  5. REAÇA
    sexta-feira, 5 de outubro de 2018 – 21:46 hs

    Matéria do jurássico jornal do Brasil, eu não poderia esperar outra coisa a não ser um patético discurso vermelho! Cheio de frustração, rancor e inveja! Um verdadeiro culto à incompetência e ao mau gosto! Típico do jornal do Brasil pôs anos 70!

  6. SERGIO SILVESTRE
    sábado, 6 de outubro de 2018 – 19:28 hs

    Vox populi Bolsonaro 40% votos validos,Haddad 31%votos validos.

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