Brasil estagnado | Fábio Campana

Brasil estagnado

Editorial, Folha de S. Paulo

Não é surpresa constatar que a crise econômica brasileira nos últimos anos também se reflete em indicadores de bem-estar social. A mais recente evidência está no Índice de Desenvolvimento Humano apurado para o ano 2017.

Na escala de 0 a 1, o IDH do país ficou em 0,759, cifra que se encontra no patamar tido como elevado —abaixo de muito elevado e acima de médio e baixo.

Não há muito a celebrar, contudo. A cifra ficou estagnada em relação a 2016; o Brasil se manteve numa modesta 79ª colocação entre 189 países e territórios, e apenas na 5ª da América do Sul.

O índice considera expectativa de vida no país de 75,7 anos, 15,4 anos esperados de escolaridade para novos entrantes, média de estudo de 7,8 anos (para população acima de 25 anos) e renda per capita de US$ 13.755.

No grupo superior do IDH, com índice de 0,8 ou mais, estão 59 países, com liderança de Noruega, Suíça, Irlanda, Austrália e Alemanha. No grupo de baixo desenvolvimento (abaixo de 0,55), há 39 nações, e as cinco piores são africanas —Burundi, Chade, Sudão do Sul, Republica Centro Africana e Níger.

Mais recentemente, o relatório passou a calcular o IDH ajustado conforme a desigualdade social. Aqui também o Brasil aparece mal, com perda de 24% no índice (de 0,759 para 0,578).

Em que pesem tais mazelas e a estagnação de 2017, a evolução do país é visível quando se considera o longo prazo. Desde 1990 o IDH avançou 24,3%, ou 0,8% ao ano, em média. Isso se traduz em dez anos a mais na expectativa de vida e quatro em anos de estudo, além de alta de 28,6% da renda per capita.

Esse desempenho ficou ligeiramente acima da média global para o período, de 22%. O progresso é mais notável, felizmente, nos países menos desenvolvidos, com elevação de 46,6%.

Como se vê, as condições de vida no planeta tendem à melhora vegetativa, que pode ser acelerada por boas políticas públicas. Mesmo assim, retrocessos ocorrem durante crises econômicas, guerras e mudanças climáticas. Grandes disparidades ainda persistem.

No caso brasileiro, urge retomar o crescimento da renda, sem o qual será quase impossível ajustar as contas do governo e expandir programas sociais. Na educação, além de buscar mais anos de escolaridade, há que investir na qualidade do aprendizado.


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