A história da 'brasileira negra e pobre' da campanha de Bolsonaro | Fábio Campana

A história da ‘brasileira negra e pobre’ da campanha de Bolsonaro

BBC Brasil,
A mulher descrita como “negra e de família pobre” em um vídeo favorável ao candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) é na verdade canadense e trabalha como executiva na coordenação financeira de uma multinacional.
O vídeo causou polêmica na última terça-feira. A campanha do candidato diz não ter relação direta com o material e que ele foi produzido por um apoiador.
Filho do presidenciável, o deputado federal Eduardo Bolsonaro publicou o vídeo em seu perfil no Twitter e divulgou a página dos autores para mais de 500 mil seguidores.

A mulher retratada mora em Toronto e gravou o material em 2011, junto a uma série de outros filmes produzidos por um diretor também canadense especializado em criar conteúdo para bancos de imagens.
A ex-atriz tem origem etíope e um perfil bastante diferente daquele descrito na narração usada junto à sua imagem no vídeo.

“Sim, sou mulher negra e vinda de família pobre. Mas não passei procuração para que ninguém fale em meu nome. Há muitos (anos) me libertei do vitimismo que ainda insistem em me colocar nos ombros”, diz a narração do vídeo.
“Meu voto é Bolsonaro”, continua o texto do vídeo.
Junto a um link para o vídeo, Eduardo Bolsonaro escreveu no Twitter: “Somente a verdade nos liberta. Quem pede tudo ao Estado, tudo lhe é retirado, inclusive a liberdade”.
A publicação foi um dos temas mais comentados no Twitter nesta terça-feira – usuários criticaram a divulgação de imagens de uma estrangeira apresentada como brasileira e pobre.

Vídeo publicitário

A BBC News Brasil localizou o autor do filme, que diz nunca ter passado por situação semelhante em seus 11 anos de carreira.
“É bastante triste. Eu sou completamente contra qualquer politica de divisão, de ódio. Me sinto mal e sinto que fui roubado”, diz Robert Howard por telefone, durante temporada de férias em Paris.
“E não me parece muito patriótico usar as imagens de uma estrangeira, sem prévia autorização, em um vídeo que supostamente fala pelas mulheres negras brasileiras”, continua Howard, que se descreve como “um cara moderado, liberal, opositor de qualquer extremismo”.
Howard conta que foi pego de surpresa com uma enxurrada de mensagens relacionadas aos vídeos, gravados há sete anos.

Além das imagens com roupas de enfermeira usadas por apoiadores de Bolsonaro, a mulher também foi filmada interpretando uma operadora de telemarketing e uma cantora.
“Eu nem me lembrava do nome dela e precisei revirar meus arquivos para refrescar a memória”, diz Howard à BBC News Brasil.
A mulher retratada nos vídeos não respondeu às tentativas de contato e disse a uma pessoa próxima que não falaria à imprensa sobre o caso.

‘Nada respinga na campanha’ de Bolsonaro
Procurada por telefone, WhatsApp e e-mail, a campanha de Jair Bolsonaro indicou a advogada da campanha do filho, Eduardo, como porta-voz para tratar do caso.
A advogada Karina Kufa disse à BBC News Brasil que “não há qualquer ilegalidade no vídeo do ponto de vista eleitoral” e que “nada respinga na campanha”.

“Este foi um vídeo de um apoiador que o Eduardo gostou e republicou. A gente não consegue nem rastrear o autor. Tecnicamente, da parte da campanha, não há nenhum questionamento quanto à produção. O apoiador, sob o ponto de vista eleitoral, pode produzir materiais com favorecimento a determinada campanha”, diz.
“Qualquer pessoa, inclusive o candidato, pode publicar o que gosta”, continua Kufa.
Questionada sobre as críticas sobre a identidade atribuída à canadense no vídeo, a advogada também diz não ver problemas.
“Não vi nenhuma ilegalidade nem por parte do eleitor, nem por parte do candidato em compartilhar um vídeo que é público e notório. A gente vê por exemplo, a campanha do Geraldo Alckmin (PSDB). Ele fez um vídeo oficial com uma bala atingindo a cabeça de uma criança enquanto aparecem palavras. Nada ali era verídico, a criança não estava tomando tiros. As campanhas se utilizam eventualmente de alguns artifícios até para baratear, lembrando que este caso não foi um vídeo oficial da campanha de Bolsonaro. Quanto custa a contratação de uma atriz para um vídeo? Nenhuma propaganda é obrigada a colher depoimentos reais – claro, do ponto de vista de marketing é melhor – e não tem obrigação de publicar pontos de vista verdadeiros. A missão é informar o eleitor, e isso estava sendo feito.”


10 comentários

  1. terça-feira, 25 de setembro de 2018 – 15:04 hs

    Bah,kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!!!

  2. saulo
    terça-feira, 25 de setembro de 2018 – 15:41 hs

    Aqui em Ponta Grossa existem muitos negros com Bolsonaro!

  3. Gladiador
    terça-feira, 25 de setembro de 2018 – 16:38 hs

    Negra pobre e advogada é rechaçada pela juiza, pelo tribunal e pela esqureda do #elenao… paisinho mediocre esse nosso, nao? Quem nao tem dinheiro, é melhor votar certo…pois senao…vai correr para aonde? Paraguai nao aceita pobre, Argentina esta pobre, Uruguai? Pois la para cima ja esta ruim!

  4. juca
    terça-feira, 25 de setembro de 2018 – 17:44 hs

    Qual é o problema, se ela é ou não moradora do Brasil em apoiar o Bolsonar4o.
    Tem gente, como o Lula, que está preso, foi condenado por corerupção e lavagem de dinheiro e continua saindo nos comerciais e programa do Haddad

  5. bs
    terça-feira, 25 de setembro de 2018 – 19:12 hs

    Comercial fake. igual o candidato

  6. Wellington Soares
    terça-feira, 25 de setembro de 2018 – 19:57 hs

    Vai esperar o que de uma FAMÍLIA DE VAGABUNDOS?

  7. terça-feira, 25 de setembro de 2018 – 19:57 hs

    Saiu hoje que no Nordeste e principalmente em Pernambuco os candidatos distribuem Santinhos com o Lula Presidente, isso é Crime porque os analfabetos de lá pensam que Votando 13 estão votando no LULARÁPIO: isso é FRAUDE

  8. terça-feira, 25 de setembro de 2018 – 20:10 hs

    `Bem isso aí juca, muito bom seu comentario.

  9. Homero Pereira
    terça-feira, 25 de setembro de 2018 – 22:31 hs

    Mais uma mentira do Bolsonada… ainda bem que ele sumiu da propaganda eleitoral gratuita…pura sorte pois seus interlocutores soh falam asneiras. Vamos Haddad rumo a vitoria

  10. oBservador
    quarta-feira, 26 de setembro de 2018 – 8:06 hs

    Deixa ela ganhar o dinheiro dela sossegada como atriz…
    É por isso que o país esta ficando muito chato.

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