Saúde cara | Fábio Campana

Saúde cara

Reajustes e novas regras geram controvérsia em torno dos planos privados

Editorial, Folha de S. Paulo

A regulação de serviços privados de saúde constitui tarefa complexa em qualquer lugar do mundo. O exemplo clássico é o dos Estados Unidos, onde o sistema baseado em planos e seguros leva a alta de custos e perda de eficiência.

Os americanos gastam cerca de 18% de seu Produto Interno Bruto (PIB) no setor, montante quase igualmente dividido entre setor público, de um lado, e famílias e empresas, de outro. Nenhum outro país chega perto dessa cifra, mas nem por isso os EUA ostentam os melhores resultados globais.

Uma das explicações é que o modelo incentiva a expansão de despesas, mesmo quando desnecessária. Até pelo medo de processos judiciais, médicos conveniados tendem a recomendar mais exames e consultas; os usuários não têm razão evidente para recusá-los.

No Brasil, embora a Constituição de 1988 estabeleça um sistema público e universal de saúde, a prática mostra outra realidade. Os dispêndios totais na área foram estimados em 9,1% do PIB, sendo 5,2% a cargo de entes privados.

Há, pois, um vasto mercado de planos, que atende 47 milhões de contratantes —e suscita queixas e demandas de todo tipo.

As mais notórias dizem respeito aos reajustes das mensalidades, que não raro parecem exagerados. Há poucos dias, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) autorizou índices de até 10% para os planos individuais neste 2018, enquanto a inflação esperada para o ano está próxima dos 4%.

Para os coletivos, cujos aumentos não são alvo do controle do órgão, os percentuais médios devem ficar entre 18% e 19%, conforme informações do jornal Valor Econômico.

A polêmica mais recente se dá em torno das novas regras para coparticipação —em que os pacientes poderão pagar por até 40% dos atendimentos— e franquia, ambas limitadas ao valor da mensalidade.

As duas modalidades permitem contratos, em princípio, mais baratos. Entretanto o consumidor pode ser levado a pagar mais quando precisar de fato dos serviços, ainda que alguns deles sejam mantidos isentos de cobrança.

Há que ter cuidado quanto ao que esperar da regulação do setor. O encarecimento decorrente do envelhecimento populacional, da introdução de novas tecnologias e das derrotas judiciais das operadoras, por exemplo, é um fato.

Se o monitoramento de preços não pode inviabilizar a atividade, os esforços devem se concentrar em garantir a competição, orientar usuários e reduzir custos. Um tema a ser debatido é o mecanismo de remuneração dos agentes, que hoje leva em conta o número de procedimentos realizados.

Nesse modelo, os hospitais ganham com os doentes que sofrem mais complicações, o que se torna um incentivo na direção errada.


3 comentários

  1. quarta-feira, 4 de julho de 2018 – 8:57 hs

    FÁCIL ENTENDER NÉ, SÓ VER NAS PRESTAÇÕES DE CONTAS NO TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL QUEM SÃO OS POLÍTICOS QUE RECEBEM DOAÇÕES DOS PLANOS DE SAÚDE PARA FAZER CAMPANHA!!!KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!!!

  2. VISIONÁRIO
    quarta-feira, 4 de julho de 2018 – 9:48 hs

    Hoje ninguem aguenta mais pagar os absurdos dos planos de
    saúde. Vão para a fila do SUS e aguardam até morrer… esta é a
    triste realidade do país. Enquanto isso a politicaiada pinta e borda
    em Brasília e pelo Brasil gastando o nosso suado dinheiro. Culpa
    destes ladrões !? Absolutamente. A culpa é dos próprios eleitores
    e dos demais brasileiros que aceitam tudo como se fosse mandamen-
    tos divinos…

  3. antonio carlos
    quarta-feira, 4 de julho de 2018 – 18:50 hs

    Se tivéssemos um Sistema de Saúde realmente competente não precisaria gastar o que gasto, assim pouparia uma boa grana para comer e beber melhor, viajar mais e arejar mais a cabeça. E não somente eu, mas milhões de brasileiros que hoje gastam o que eu gasto e, alguns até mais. Mas como aquele Sistema Único de Saúde criado pela Constituição Cidadã do Dr. Ulisses nunca saiu do papel tenho que micar com uma grana braba para ter o que o Governo não consegue me proporcionar.

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