Chega de rododependência! | Fábio Campana

Chega de rododependência!

artigo de Ogier Buchi

Com ou sem a greve dos caminhoneiros, a dependência do transporte rodoviário é um bloqueio permanente para o Brasil.

Se alguém tinha dúvidas ou não dava importância para isto, esta greve mostrou que o Brasil não pode ficar dependente do transporte rodoviário de mercadorias.

Se foi a política de preços dos combustíveis e as tarifas dos pedágios, os estopins da greve, são os elevados custos dos transportadores e caminhoneiro que colocam o setor em permanente fragilidade.

E isso tem reflexos em todas as cadeias produtivas, nas gôndolas dos mercados à exportação. O já tão falado “custo Brasil” tem sido um pouco esquecido, ultimamente. Debatemos e até avançamos um pouco em melhorias na trafegabilidade das rodovias, modernidade dos portos, a questão trabalhista destes setores, etc. Mas não mexemos na participação do transporte rodoviário sobre outros modais.

Os custos variam muito de região para região, mas, de um modo geral, o frete de caminhão é, em alguns casos 20% mais caro que nos trens, mas chega a ser seis vezes maior. Por uma hidrovia, os custos são ainda mais variáveis e dependem, principalmente, das condições de navegabilidade de cada rio e de investimentos a longo prazo: mas seu custo é ainda menor do que na ferrovia.

Apesar disso, há mais de 50 anos o Brasil vem privilegiando, os automóveis, os caminhões e as estradas rodoviárias.

Hoje temos aproximadamente 30 mil quilômetros de ferrovias – 10 mil deles construídos ainda pelo imperador Pedro II. Hoje, o Brasil tem a mesma quantidade de ferrovias que em 1922.

A Argentina, que tem menos de um terço do nosso território, conta com 37 mil quilômetros de trilhos. A Índia, com metade do território que o Brasil, tem mais de 68 mil quilômetros. Os Estados Unidos, então, têm nada menos do que 294 mil quilômetros de ferrovias.

Hoje, mais 60% do transporte de mercadorias é feita por rodovias, cerca de 20% por trens e 14% pelas hidrovias e terminais portuários fluviais e marítimos. No caso do Porto de Paranaguá, que é servido por uma estrada de ferro do tempo do império que recebe cargas da Ferroeste, apenas 20% das suas mercadorias são transportadas por trem e 80% por caminhões.

Nas cidades, apenas 6% dos deslocamentos de passageiros são feitos por trens, metrôs, veículos leves sobre trilho (VLT) e outros modais sobre trilhos.

A valorização do modal ferroviário e também do hidroviário não significa o fim do transporte rodoviário. O Brasil tem uma malha rodoviária de quase 230 mil quilômetros. As rodovias e os caminhões têm um papel insubstituível em alcançar alguns pontos dos corredores de mercadorias.

O que defendemos é racionalidade e equilíbrio, o que serve de recado também para este momento de ânimos.

No Paraná podemos ter um exemplo para o transporte ferroviário. O Estado já vem pensando há anos na necessidade de ampliar e modernizar sua malha ferroviária. Neste momento, quatro consórcios de empresas realizam estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental de uma nova ferrovia.

A nova estrada de ferro vai ligar o Porto de Paranaguá a Dourados, no Mato Grosso do Sul. Serão dois trechos: um ligando o Litoral à Guarapuava; outro, de 600 quilômetros, vai de Guarapuava até Dourados. O estudo também prevê um ramal até o futuro porto de Pontal do Paraná, na Faixa de Infraestrutura.

O estudo deve ficar pronto no final deste ano e a licitação da obra sairá em seguida. O custo previsto da obra é de R$ 10 bilhões. O incremento para a economia do Paraná, serão astronomicamente maiores.

Ogier Buchi, é advogado e jornalista


5 comentários

  1. quinta-feira, 7 de junho de 2018 – 14:38 hs

    falou no tal (ambiental) fudeu tudo.

  2. José P. O Fagundes
    quinta-feira, 7 de junho de 2018 – 16:00 hs

    Se levarmos em conta a disposição governamental, quem, hoje, estiver acima dos quarenta anos, não viverá pra ver essas ferrovias… O nosso estado faz parte do “todo” chamado Brasil… o futuro chega, mas bem devagarinho!

  3. ESTAMOS DE OLHO
    sexta-feira, 8 de junho de 2018 – 9:39 hs

    TENHO SAUDADES DA MINHA INFANCIA QUANDO VIAJAMOS
    PARA O NORTE DO PARANA DE TREM,LEMBRO QUE ERA
    DEMORADO MAS UMA DELICIA DE VIAGEM,LEMBRO ATE
    HOJE DA FAROFA DE FRANGO QUE MINHA AVO PREPARA
    VA PARA LEVAR NA VIAGEM,QUE SAUDADES, ESPERO
    QUE ESTE TIPO DE TRANSPORTE VOLTE UM DIA DE NOVO.

  4. Isaias Andrade
    sexta-feira, 8 de junho de 2018 – 10:35 hs

    Ogier, fala coisa nova ! Até hoje voce nunca comentou nada sobre transportes , agora quer pegar carona no movimento dos caminhoneiros ? Seja autêntico e se quer tentar se eleger , proponha idéias novas, não seja dependente das notícias e aproveitador dos momentos. Seja ” Novo” e3 não encha o saco da população com abobrinhas.

  5. aldebaran
    sexta-feira, 8 de junho de 2018 – 10:37 hs

    pergunta que nao quer calar no governo lula ele perdoou a divida dos agricultores por 25 anos me parece teve agricultor que saiu comprando caminhoesem quantidade tudo fiado pra puxar suas lavoura é que nao foi e sim para colocar na estrada com o passar do tempo as prestaçoes vencendo e eles se lascando pra pagar, a maioria nao paga e estao novamente com a bancada ruralista pedindo mais isençao das contas realmente o tiro saiu pela culatra caminhoneiro com frete defasado caminhao velho e o agronegocio que depende da malha rodoviaria contra a tabela do autonomo, porque? para nao inerferir nos seus lucros, por q infelismente o empresario brasileiro acustmou-se a grandes lucros nao importa como…..vide as empreiteiras os grandes grupos… etc e etc

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