602.960 | Fábio Campana

602.960

Homicídios cresceram no país de 2006 a 2016 tanto em termos absolutos quanto relativos.

Editorial, Folha de S. Paulo

O número deveria chocar a todos, a começar pelos presidenciáveis. A cifra do título corresponde ao total de homicídios de 2006 a 2016 e precisa constituir argumento, em ano eleitoral, contra ideias retrógradas que veem em mais violência a solução para tal carnificina.

Acaso já não bastam 603 mil assassinatos num período de 11 anos?

Engana-se quem acreditar que o crescimento é vegetativo e só acompanha o aumento da população. Não, está em expansão também a taxa de homicídios.

Segundo o “Atlas da Violência” compilado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Ipea, a proporção de mortes por 100 mil habitantes ultrapassou a marca de 30 pela primeira vez.

A catástrofe social aí refletida se evidencia não só na quantidade, crescente, mas também na qualidade das mortes: legiões de jovens pobres e negros perecem nessa guerra, não se sabe ao certo de quem contra quem, em particular no Nordeste e no Norte do país.

Mais da metade das mortes, 325 mil, foram de pessoas entre 15 e 29 anos. Um salto de 23% na média do país, com explosões como os 382% no Rio Grande do Norte.

A taxa de homicídios nesse grupo de idade alcança 65,5 por 100 mil, mais que o sêxtuplo da média mundial nessa faixa. As vítimas são cada vez mais jovens: o pico de mortes recuou dos 25 anos, em 1980, para 21 anos, agora.

Vários Estados do Nordeste ultrapassam o limiar de 100 assassinatos de jovens por 100 mil habitantes: Sergipe (142,7), Rio Grande do Norte (125,6), Alagoas (122,4), Bahia (114,3) e Pernambuco (105,4).

Em contraste, a taxa paulista ficou em 19/100 mil em 2016, após queda de 51,6% desde 2006.

Por fim, a taxa de homicídios entre pretos e pardos (40,2/100 mil) foi duas vezes e meia maior que entre não negros (16). Pior: aquela progrediu 23% e esta recuou 7%.

Não faltam candidatos a explicação para tais evoluções e discrepâncias, da desigualdade social (mais aguda no Nordeste) à demografia (encolhimento da população jovem), da ação policial (mais presente em São Paulo) à expansão das facções criminosas do Sudeste para o Norte e o Nordeste.

Há escassas evidências empíricas, entretanto, para corroborar as teses. Sem entender melhor tais fenômenos para embasar propostas, o debate público e eleitoral seguirá contaminado por ideias, mais que simples, simplórias —e erradas.


4 comentários

  1. Diego
    quinta-feira, 7 de junho de 2018 – 10:41 hs

    Não adianta ficar se elocubrando intelectualmente achando que existe uma outra alternativa além da revogação de tudo o que existe atualmente sobre segurança pública.
    Os intelectualóides de esquerda que governam esse país há 30 anos, são os responsáveis diretos por essa desgraça atual. Agora vem posar de “oh, não precisamos de idéias retrógradas”. Como se o desarmamento civil, a falta de apoio jurídico à polícia, as atuais políticas de direitos humanos, as audiências de custódias, o aumento degenerado do tráfico de drogas e as políticas de desencarceramento não fossem os responsáveis diretos pelo caos que se instalou nesse país.

  2. VISIONÁRIO
    quinta-feira, 7 de junho de 2018 – 10:42 hs

    Quando se compara a Singapura que o crime e tráfico é “zero”,
    e Japão que um único último homicídio foi em agosto/16, o nosso
    país está no meio de uma verdadeira guerra mesmo. Todos os dias
    assistimos vandalismos, assaltos de todos os tipos e assassinatos
    como se fosse natural… é uma triste realidade. Tudo isto é decor-
    rente exclusivamente de um país governado por corruptos e ladrões
    onde honra já foi pro espaço !!!

  3. AMIGO
    quinta-feira, 7 de junho de 2018 – 11:29 hs

    Lucidez, para enfrentar problemas.

  4. FUI !!!
    quinta-feira, 7 de junho de 2018 – 17:59 hs

    Isto não é índice de homicidio. É estatística de uma guerra !!!

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